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Posso tomar o remédio que está na gaveta há um tempo?

Cinco perguntas antes de tomar o remédio que está na gaveta há algum tempo. Farmacêutico responde às dúvidas

3 set 2026 - 17h08
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Resumo
Mudanças bruscas de temperatura elevam o risco da automedicação com remédios guardados em casa. Sintomas parecidos podem ter causas distintas, e reaproveitar prescrições antigas pode mascarar doenças ou causar superdosagem por substâncias repetidas. Antes de consumir sobras, é crucial checar a validade, as condições de armazenamento, a composição e a real indicação para o quadro atual. Especialistas alertam que a farmacinha doméstica exige critério e descarte do hábito de medicar qualquer sintoma.

Oscilações bruscas de temperatura acende alerta para a "farmacinha" de casa que pode estar fazendo mais mal do que bem

Quando a temperatura muda rapidamente e aparecem coriza, congestão nasal, dor de cabeça ou desconforto na garganta, é muito comum a pessoa pensar: 'já tive isso antes, sei o que tomar'. O problema é que sintomas parecidos podem ter causas diferentes e aquele medicamento guardado da última vez pode não ser adequado para a situação atual.

São esses usos de analgésicos, antitérmicos, antialérgicos, descongestionantes, antiácidos, xaropes e outros medicamentos que podem esconder perigos. Segundo o farmacêutico homeopata Jamar Tejada, as mudanças bruscas de temperatura favorecem justamente um comportamento que merece atenção: tratar sintomas aparentemente conhecidos com medicamentos que já estão disponíveis em casa.

Remédio que sobrou não é tratamento para o próximo episódio

Um dos principais problemas da farmacinha doméstica é a tendência de transformar uma prescrição antiga em uma espécie de recomendação permanente. Isso vale especialmente em períodos de grande oscilação térmica, quando quadros alérgicos, irritativos e infecciosos podem apresentar manifestações parecidas.

"Espirro, coriza e nariz entupido não significam necessariamente a mesma coisa em todas as ocasiões. Quando reutilizamos automaticamente o que funcionou no passado, podemos apenas mascarar sintomas ou utilizar um medicamento sem necessidade", alerta Jamar.

É comum, por exemplo, alguém tomar um analgésico para dor de cabeça e, pouco depois, recorrer a um medicamento combinado para sintomas de gripe ou resfriado sem perceber que ele pode conter um princípio ativo semelhante ou da mesma classe.

"Um dos hábitos mais importantes é olhar a composição, e não apenas o nome da caixa. O risco é tomar dois produtos que tenham o mesmo princípio ativo e, sem perceber, acabar aumentando a dose total", explica o farmacêutico.

Cinco perguntas antes de tomar aquele remédio que está na gaveta

Antes de recorrer à farmacinha doméstica, Jamar recomenda fazer uma pequena checagem:

Está dentro da validade? Medicamentos vencidos não devem ser utilizados.

Foi armazenado corretamente? calor, luz e umidade podem comprometer o medicamento mesmo que ele ainda esteja dentro do prazo de validade.

Eu sei exatamente o que estou tomando? É importante conhecer o princípio ativo e a concentração, e não apenas reconhecer a embalagem.

Estou usando outro medicamento com a mesma substância ou com possibilidade de interação? Produtos diferentes podem compartilhar componentes.

Esse medicamento foi indicado para este problema atual? Uma recomendação recebida meses ou anos atrás não deve ser automaticamente reaproveitada para um novo episódio.

Nem tudo precisa de um remédio

"Criamos uma relação muito automática entre sintoma e medicamento. Sentiu dor, toma alguma coisa. Espirrou, procura um antialérgico. Entupiu o nariz, usa um descongestionante. Mas antes de medicar é preciso entender o que está acontecendo, principalmente quando os sintomas são persistentes, intensos, diferentes do habitual ou recorrentes", afirma.

O farmacêutico também chama atenção para grupos que precisam de cuidado especial com a automedicação, como crianças, idosos, gestantes e pessoas que utilizam medicamentos continuamente ou convivem com doenças crônicas.

Com as temperaturas oscilando, portanto, pode ser uma boa hora não apenas para separar o casaco e o guarda-chuva, mas também para fazer uma revisão da farmacinha de casa.

"Ter alguns medicamentos em casa pode ser útil quando existe orientação para utilizá-los. O problema começa quando a gaveta vira um pequeno estoque de tratamentos antigos e passamos a escolher o que tomar com base apenas no sintoma. Farmacinha doméstica precisa de organização e critério, não de acúmulo", conclui Jamar Tejada.

Revista Malu Revista Malu
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