O que são "pais helicópteros" e como eles impactam na criação dos filhos?
Excesso de proteção pode parecer cuidado, mas pode prejudicar a autonomia, a autoestima e a resiliência das crianças e adolescentes
Preocupar-se com os filhos é algo natural. Mas quando essa proteção vira uma redoma, o efeito pode ser contrário ao esperado. Pais que se antecipam a cada queda, resolvem qualquer problema antes mesmo que ele aconteça e acompanham todos os passos dos filhos acabam criando um ambiente sem espaço para erros - e, consequentemente, sem espaço para aprendizados.
O que significa ser um "pai helicóptero"?
O termo que popularizou-se nas redes sociais se refere aos adultos que, movidos pelo desejo de proteger, acabam supervisionando cada passo dos filhos - seja na infância ou até mesmo na adolescência. Esse estilo de parentalidade é marcado pela vigilância extrema e pelo envolvimento excessivo, o que pode restringir a liberdade dos jovens e prejudicar o desenvolvimento de habilidades fundamentais para a vida adulta, como a autoconfiança, a resiliência e a independência.
Um fato é que este comportamento parte de uma intenção positiva: evitar sofrimentos e facilitar o caminho. Mas, ao eliminar obstáculos, os pais também impedem que a criança desenvolva recursos internos para enfrentar desafios. O resultado pode ser um jovem pouco confiante, dependente das opiniões alheias e mais vulnerável ao estresse e à ansiedade.
Crescer exige tropeços
Errar, frustrar-se e até perder faz parte da vida. É justamente nesses momentos que nascem habilidades como resiliência, criatividade e autonomia. Quando tudo é resolvido por outra pessoa, a criança não aprende a confiar em si mesma nem a acreditar que é capaz de encontrar soluções. Isso pode refletir negativamente na vida adulta, gerando insegurança e dependência emocional.
A importância do equilíbrio
Encontrar a medida certa entre proteger e dar liberdade não é tarefa simples. A linha entre ser autoritário e permissivo é, de fato, muito tênue. Por isso, o ideal é buscar equilíbrio: estar presente, mas permitir que os filhos experimentem, errem, aprendam e encontrem soluções por conta própria.
Proteger não significa controlar, assim como dar liberdade não significa abandonar. O equilíbrio está em estar presente, mas permitir que os filhos testem seus próprios limites, enfrentem dificuldades e descubram o que são capazes de realizar. Relações baseadas em diálogo, afeto e respeito mútuo ajudam a construir adultos mais fortes, confiantes e preparados para a vida.