O que a Geração Z realmente busca no mercado de trabalho? Pesquisa traz respostas
Segundo especialistas, jovens da Geração Z buscam empregos com significado, mas enfrentam barreiras financeiras e emocionais
Uma pesquisa recente da Gallup, em parceria com a Fundação da Família Walton e o projeto Making Caring Common da Universidade de Harvard, mostra que a Geração Z não está apenas pensando em salário quando fala de carreira. Para a maioria desses jovens, trabalhar também significa ter propósito e causar impacto positivo na vida de outras pessoas.
O estudo ouviu 2.436 jovens de 13 a 28 anos nos Estados Unidos e revela um dado marcante: cerca de 80% demonstrou interesse em empregos ligados ao cuidado e à ajuda ao próximo. Nesse sentido, o trabalho ideal vai além da estabilidade financeira e se conecta diretamente com significado e bem-estar emocional.
Geração Z, propósito e saúde mental
Segundo o levantamento, 89% dos jovens que acreditam em impacto positivo também afirmam que suas vidas têm mais sentido e propósito. Em entrevista à 'CNN Health', a consultora da Gallup, Katherine Senseman, destacou que esse movimento está ligado ao contexto emocional da geração.
Segundo ela, "numa época em que a solidão e os problemas de saúde mental são uma questão para a Geração Z, estes dados mostram que eles querem ajudar as pessoas e estão lutando para encontrar significado e propósito na vida". Da mesma forma, especialistas de Harvard reforçam que ajudar os outros pode funcionar como um fator de proteção para a saúde mental dos jovens.
Realidade do trabalho
Apesar do interesse por profissões com impacto social, a realidade ainda impõe obstáculos. Muitos jovens relatam dificuldades para seguir esse caminho por questões financeiras e emocionais.
Segundo a pesquisa, quase metade da Geração Z afirma que empregos na área de cuidado podem ser mal remunerados ou emocionalmente desgastantes. Ao mesmo tempo, metade dos entrevistados diz priorizar carreiras que ofereçam equilíbrio entre salário adequado e baixo nível de estresse.
Além disso, mais da metade dos jovens admite sentir pressão constante para ter sucesso na vida, especialmente entre os mais novos, de 19 a 21 anos. Esse cenário cria um conflito interno: buscar propósito, mas sem abrir mão da estabilidade.
Geração Z e barreiras digitais
Outro ponto destacado pelo estudo é o impacto da vida digital. Mais da metade dos entrevistados acredita que o uso excessivo de telas atrapalha o desenvolvimento de uma vida com propósito. Além disso, muitos também apontam dificuldades ligadas à saúde mental e à falta de conexões presenciais como fatores que reduzem o senso de significado.
Especialistas observam, portanto, que o desafio não é falta de interesse em ajudar os outros, mas sim encontrar caminhos viáveis para transformar esse desejo em carreira.
Oportunidade para empresas e escolas
Pesquisadores envolvidos no estudo afirmam que esse cenário também representa uma oportunidade. Para Anthony Burrow, da Universidade Cornell, "esta é uma história de oportunidade", já que a Geração Z tende a responder positivamente quando encontra espaço para propósito no trabalho.
Por fim, ele também sugere que empresas, escolas e recrutadores podem ajudar ao mostrar de forma mais clara como determinadas funções impactam a sociedade e contribuem para algo maior.
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