Na volta ao trabalho, mãe não deve ceder à pressão do filho
Diálogo e paciência são a chave para uma transição tranquila na hora da mãe voltar ao trabalho. Depois de receber atenção exclusiva, o pequeno acaba se acostumando com a presença materna, mas precisa entender que o afastamento é necessário.
É importante que a mãe se sinta tranquila com a decisão e confie inteiramente na pessoa que vai cuidar do filho – seja em uma instituição, uma babá ou alguém da família, como a avó. Especialista em psicanálise da criança e professora do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais, Cassandra Pereira França explica que, aos dois anos, a criança já tem condições de compreender a ausência da mãe e o fato de que ela vai retornar. No entanto, a psicóloga enfatiza que o ideal é que, nessa idade, a mãe não fique longe do filho por mais de três horas seguidas.
Se não houver essa possibilidade, a mãe deve explicar ao filho que o trabalho é importante e necessário, contar sobre sua atividade e enfatizar que isso lhe faz feliz. Outra atitude que pode ajudar a diminuir a ansiedade da criança é relacionar o horário de retorno a algo que tenha significado para ela, como a hora do lanche, por exemplo.
Sinceridade
O processo de afastamento deve ser dirigido com cuidado pelos pais. No caso de uma criança de dois anos, o pensamento ainda é majoritariamente concreto, por isso não adianta ter apenas uma conversa – como seria o caso para uma de 7 anos. As explicações devem ser dadas na medida em que as situações são vividas, passo a passo, em uma linguagem acessível. Ou seja, é preciso dizer o que está acontecendo ao sair de casa, quem é a pessoa que irá cuidar do pequeno e quando a mãe ou o pai voltarão para buscá-lo, por exemplo.
Conselheira no Conselho Federal de Psicologia e professora na Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, Sandra Amorim explica que nunca se deve mentir para a criança. “A mãe não pode dizer para o filho que volta daqui a pouco, quando na realidade retornará dentro de oito horas”, enfatiza. A psicóloga também recomenda que não sejam feitas trocas, como dar presentes, pois isso se apresenta como uma compensação confusa para os pequenos.
Além disso, Sandra aponta que a mãe não deve ceder às pressões do filho. Se a criança chorar ou apresentar resistência em ficar com outras pessoas, o ideal é conversar, explicar a situação e ir embora. No caso de a mãe atender ao choro, o pequeno vai compreender que deve se comportar desta forma sempre que quiser os pais por perto.
Cassandra defende que haja um período de adaptação da criança na nova situação. Nas creches, por exemplo, o ideal é que a mãe acompanhe o primeiro dia e depois vá diminuindo sua presença gradativamente. A psicóloga recomenda, no entanto, que crianças de até três anos fiquem em casa, caso haja essa possibilidade. “Toda a atividade social tem cobrança, e a criança tem de responder a isso, o que pode gerar ansiedade”, destaca. Ela indica, ainda, que a transição para uma babá tende a ser mais tranquila, mas também deve ser explicada com cuidado ao pequeno.