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Falar mais de um idioma pode manter o cérebro mais jovem, indica estudo

Pesquisa usou inteligência artificial para estimar a idade cerebral e encontrou diferenças entre pessoas que falavam de um a quatro idiomas

29 set 2026 - 20h11
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Resumo
Um estudo preliminar com 728 voluntários no País Basco sugere que falar múltiplos idiomas pode estar associado a uma menor idade cerebral estimada por inteligência artificial. A diferença na atividade cerebral chegou a seis anos a menos para bilíngues e até 13 anos para quem domina quatro línguas. Embora os dados indiquem essa correlação, os cientistas ressaltam que o trabalho ainda não passou por revisão por pares e que não é possível cravar uma relação direta de causa e efeito.

Aprender um novo idioma pode facilitar viagens, ampliar oportunidades profissionais e permitir o contato com outras culturas. Agora, uma pesquisa preliminar sugere outro possível benefício: pessoas que dominam mais línguas podem apresentar padrões de atividade cerebral associados a uma idade cerebral menor.

Estudo sugere que falar mais de um idioma pode estar associado a um cérebro mais jovem; entenda o que os pesquisadores descobriram
Estudo sugere que falar mais de um idioma pode estar associado a um cérebro mais jovem; entenda o que os pesquisadores descobriram
Foto: Reprodução: Julio Lopez/Pexels / Bons Fluidos

Para investigar essa relação, pesquisadores avaliaram 728 pessoas de diferentes faixas etárias que vivem no País Basco. Os participantes dominavam entre um e quatro idiomas: espanhol, basco, francês e inglês.

A equipe analisou a atividade cerebral dos voluntários e utilizou inteligência artificial para desenvolver uma espécie de "relógio de envelhecimento cerebral". A ferramenta procura identificar padrões nos dados e estimar a idade do cérebro, que nem sempre corresponde exatamente à idade cronológica de uma pessoa. Depois, o modelo foi utilizado para avaliar os dados cerebrais de outro grupo, formado por 144 voluntários.

Quanto mais idiomas, mais jovem o cérebro?

Os resultados apresentados pelos pesquisadores indicaram uma associação entre o número de idiomas dominados e uma menor idade cerebral estimada. Entre aqueles que falavam duas línguas, o cérebro apresentou uma idade estimada aproximadamente seis anos menor em comparação ao observado entre participantes que dominavam apenas um idioma.

A diferença aumentou entre os poliglotas. Para quem falava três idiomas, a estimativa chegou a cerca de sete anos. Já entre os participantes que dominavam quatro línguas, a diferença alcançou aproximadamente 13 anos.

Os números chamam atenção, mas não significam que aprender quatro idiomas faça literalmente o cérebro rejuvenescer 13 anos. O estudo identificou diferenças em uma estimativa baseada em padrões de atividade cerebral, e não uma redução real da idade biológica. Também não é possível concluir, a partir desses resultados, que falar vários idiomas seja necessariamente a causa dessas diferenças.

Não basta simplesmente começar vários cursos de idiomas

A quantidade de línguas dominadas também não parece contar toda a história. Segundo a pesquisadora responsável pelo trabalho, outros fatores podem influenciar essa relação. A idade em que a pessoa começa a aprender uma nova língua e o nível de domínio alcançado, por exemplo, podem estar associados à maneira como o cérebro responde ao uso de diferentes idiomas.

Isso significa que simplesmente começar diversos cursos ao mesmo tempo não necessariamente produziria o efeito observado na pesquisa. Os cientistas também pretendem investigar outra questão curiosa: a semelhança entre os idiomas. A hipótese é que falar línguas muito parecidas poderia exigir um esforço adicional do cérebro para separar vocabulários, estruturas e sons, algo que poderia influenciar os resultados.

Resultados ainda são preliminares

Apesar dos números expressivos, há uma ressalva importante antes de interpretar a descoberta como uma nova estratégia contra o envelhecimento cerebral. Os resultados foram apresentados no fórum anual da Federação das Sociedades Europeias de Neurociências, mas, até o momento relatado pelos pesquisadores, o trabalho ainda não havia sido publicado integralmente em um periódico científico nem submetido ao processo de revisão por pares.

Isso significa que outros especialistas ainda precisam analisar detalhadamente a metodologia, os dados e as conclusões do estudo. Também serão necessárias novas pesquisas para compreender se o multilinguismo realmente contribui para determinadas características de envelhecimento cerebral ou se outros fatores presentes na vida de pessoas que falam várias línguas ajudam a explicar a associação.

Ainda assim, o trabalho acrescenta uma nova pergunta a um campo que há anos investiga a relação entre aprendizado, linguagem e funcionamento cerebral. Enquanto respostas mais definitivas não chegam, estudar outro idioma continua sendo uma maneira de exercitar novas habilidades, conhecer outras culturas e ampliar as possibilidades de comunicação - independentemente da idade registrada pelo cérebro.

Bons Fluidos
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