Script = https://s1.trrsf.com/update-1790713512/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Publicidade

Cultura japonesa: conheça mais sobre o costume de fazer banquetes após missas de falecimento

Na cultura japonesa, há uma tradição de se reunir com familiares após a missa de sétimo dia de algum parente; conheça mais

17 out 2026 - 11h43
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
Na tradição japonesa, o luto envolve banquetes e rituais que duram até 50 anos, quando o espírito se une aos ancestrais. O costume de oferecer mesas fartas após as cerimônias surgiu para acolher parentes distantes e hoje promove comunhão, gratidão pelo apoio recebido e união familiar. Nesses encontros, os presentes realizam contribuições financeiras simbólicas que ajudam a cobrir os custos fúnebres, transformando a dor da perda em um elo contínuo de solidariedade entre gerações.

Sabe aquela famosa frase de que a gente só reencontra parentes distantes em casamento ou velório? Na cultura japonesa, esse ditado ganha um significado totalmente diferente — e muito mais profundo. Longe de ser apenas um momento de despedida rápida, o luto na tradição nipônica envolve reencontros marcantes, banquetes comunitários e rituais que podem durar até cinco décadas. E quem conta todos os detalhes é Noemi Cawabata, descendente de japoneses que cresceu em uma família budista e hoje segue o protestantismo.

Cultura japonesa costuma ter banquetes após missas de falecimento; entenda
Cultura japonesa costuma ter banquetes após missas de falecimento; entenda
Foto: Reprodução / Freepik / Bons Fluidos

A origem do hábito: hospitalidade para quem vem de longe

Antigamente, quando um ente querido falecia, os parentes mais distantes precisavam viajar por mais de um dia inteiro para conseguir comparecer às cerimônias. Por conta dessa longa jornada, era fundamental preparar mesas fartas para acolher e alimentar quem chegava de longe.

Além disso, o ritual de luto é composto por uma série de marcos temporais bem definidos. Atualmente, realizam-se missas de 7º e 49º dias, seguidas por celebrações ao completar 1, 7, 13, 17, 23, 27, 33 e até 50 anos da morte da pessoa.

Por outro lado, o ciclo encerra-se definitivamente no 50º ano. O motivo é espiritual: acredita-se que, após meio século, o espírito finalmente se funde aos seus ancestrais em outro plano.

Banquete rápido e a "oferta para o incenso"

Muito além de homenagear quem se foi, essas reuniões têm um papel social e financeiro crucial para os familiares que ficaram.

"Essa reunião também serve como forma da família, que perdeu um ente querido, agradecer a todos que deram um apoio nos momentos difíceis, enquanto a pessoa que partiu estava enferma. Os familiares do falecido também ganham uma contribuição em dinheiro - 'oferta para o incenso' (お香典) no caso dos budistas e 'oferta para as flores' (お花代) para os protestantes e outras crenças - que, às vezes, chega a pagar todas as despesas gastas com velório e enterro, que não são pequenas", relata Cawabata.

Como funciona a recepção no templo

Durante o evento, pratos variados e bebidas (como chás, água ou refrigerantes) são dispostos em uma mesa gigante. Todos os convidados se sentam juntos para conversar e comer por um período que varia de 30 minutos a uma hora — tempo tradicionalmente permitido pelos templos budistas.

Em suma, esse momento de comunhão serve não apenas para relembrar com carinho a memória de quem partiu, mas também para avisar a todos os presentes quando serão as próximas missas de falecimento dos outros membros da família. Uma tradição que transforma a dor da perda em um elo contínuo de união e gratidão entre gerações.

Ver essa foto no Instagram

Uma publicação compartilhada por Noemi Cawabata ☕️❤️🍨 (@no_riverside)

Bons Fluidos
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra