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Ter irmãos faz toda a diferença no desenvolvimento afetivo e social

A relação entre irmãos pois esse parceiro é o primeiro par social a nos ensina sobre afeto, convivência e respeito ao outro

16 out 2026 - 18h10
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Resumo
Segundo a psicóloga Patricia Sena, ter irmãos é vital para o desenvolvimento socioemocional, pois eles atuam como os primeiros pares sociais em uma relação de igualdade. A convivência diária ensina a lidar com cooperação, disputas, empatia e frustrações, permitindo que a criança compreenda limites e desenvolva autocontrole. Essas lições de negociação, respeito e tolerância vão além da infância e preparam o indivíduo para desafios futuros em suas amizades, na escola e no trabalho.

Enquanto os pais representam a figura de autoridade, proteção e cuidado, o irmão ocupa um lugar de igualdade

Ser companheiro de aventuras, cúmplice em travessuras e construir memórias para a vida. O irmão ocupa estes e outros papeis importantes para as relações humanas. De acordo com a psicóloga e professora do curso de Psicologia da Universidade Guarulhos (UNG), Patricia Sena, o irmão pode representar o primeiro par social do indivíduo. Enquanto os pais representam a figura de autoridade, proteção e cuidado, o irmão ocupa um lugar de igualdade. "É nessa convivência que a criança começa a experimentar, de maneira concreta, diferentes formas de se relacionar com alguém que também tem vontades, sentimentos e necessidades. Entre brincadeiras, disputas, cumplicidade e reconciliações, o irmão ajuda a construir aprendizados que vão muito além da infância e contribuem para o desenvolvimento de importantes habilidades para a vida e como o indivíduo se relaciona com o mundo", comenta Patricia.

Foto: Freepik / Revista Malu

Dinâmicas entre irmãos

Dividir brinquedos, o espaço e atenção dos pais pode parecer algo corriqueiro, mas essas situações representam importantes experiências. Para a professora do curso de Psicologia, é justamente no cotidiano que a criança começa a compreender que suas vontades não são as únicas que importam. "É com o irmão que se experimenta, pela primeira vez, a complexidade das relações interpessoais", esclarece. Negociar, disputar, ceder e encontrar maneiras de chegar a um acordo são habilidades que começam a ser exercidas dentro de casa.

Essa relação também pode significar uma das primeiras vivências de aprendizagem social. Isso acontece porque a relação entre irmãos se constrói em diferentes momentos da rotina e envolve emoções intensas, como carinho, ciúme, raiva e proteção. "Ao contrário de uma interação pontual, a relação fraternal é contínua e permite que a criança viva repetidamente situações de cooperação e conflito. Esse convívio oferece um espaço horizontal onde a criança experimenta dinâmicas de igualdade, competição e cooperação e um ambiente seguro", afirma a psicóloga.

Os conflitos, inclusive, não precisam representar algo negativo. Perder em uma atividade, esperar a sua vez, dividir um objeto ou lidar com uma provocação são situações que pode causar frustrações, mas ajudam a desenvolver autocontrole e tolerância. Ao mesmo tempo, o irmão mais novo pode aprender por observação, enquanto o mais velho tem a oportunidades de desenvolver noções de responsabilidade, cuidado e liderança. Segundo Patrícia, essas experiências contribuem para o desenvolvimento da inteligência socioemocional.

Desenvolve empatia

Outro aprendizado importante está na capacidade de perceber o que se passa com o outro. Ao conviver diariamente, a criança aprende a identificar quando o irmão está chateado, irritado ou desconfortável e passa a observar sinais que nem sempre são expressos por palavras. Inclusive, ele aprende a reconhecer limites: até onde uma brincadeira pode ir, quando é necessário parar e como respeitar o espaço do outro. Essa sensibilidade pode ser levada para outras relações ao longo da vida.

Normalmente, as lições construídas na convivência entre irmãos também podem acompanhar a criança para além de sua casa. Saber argumentar, negociar, ceder, fazer acordos, pedir desculpas e recomeçar depois de um conflito são habilidades úteis nas amizades, na escola e, futuramente no ambiente profissional. "Afinal, crescer ao lado de um irmão significa também descobrir que as relações não se constroem apenas de afinidades, mas de diferenças, limites e aprendizados. Entre uma brincadeira e outra, a criança começa a entender algo essencial para vida em sociedade: conviver é reconhecer que existe um outro. E que ele também merece escuta e respeito", conclui a professora de Psicologia.

Revista Malu Revista Malu
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