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Como seu corpo reage ao glúten e a lactose?

Sente desconfortos quando consome glúten ou lactose? Essa matéria é para você!

13 abr 2026 - 08h00
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Em alguns casos, o desconforto após o consumo desses componentes pode significar condições clínicas e exigir readaptação alimentar

Você sente desconfortos intestinais ao consumir alimentos que contenham glúten ou lactose? Se a resposta for sim, essa matéria pode te ajudar a entender o processo que faz isso acontecer. Apesar de este ser um assunto muito comentado, algumas informações sobre esse tema podem gerar confusão. Afinal, nem todo sintoma representa doença, mas é preciso estar atento a como o corpo reage ao seu padrão alimentar.

Foto: Revista Malu

Não é normal

Sentir incômodos após a ingestão de alguns alimentos não é algo banal e não deve ser normalizado. Dito isso, para a maioria das pessoas saudáveis, o glúten e a lactose não provocam nenhum tipo de sintoma negativo. O glúten é uma proteína presente em cereais como trigo, centeio e cevada, enquanto a lactose é o açúcar natural do leite. "Esses componentes são normalmente digeridos sem gerar inflamação", afirma a nutricionista Fernanda Lopes.

Porém, se minutos ou horas depois do consumo apresentar sintomas como gases, inchaço ou desconforto abdominal, é preciso ligar o alerta. Esses sinais podem ser indicativos de condições específicas como doença celíaca, sensibilidade ao glúten, alergia ao trigo ou intolerância à lactose. "Nesses casos, o organismo reage de forma adversa ao consumo desses componentes, podendo causar sintomas gastrointestinais ou, em algumas condições, inflamação e lesões no intestino", explica a profissional.

São coisas diferentes

Como os indícios podem ser parecidos, ou até os mesmos, a consulta com um nutricionista é primordial para um diagnóstico e tratamento adequados. Mas Fernanda nos ajuda a entender melhor cada uma das condições. A principal diferença entre elas, segundo a especialista, está no tipo de reação que acontece no organismo após o consumo das substâncias mencionadas. "A doença celíaca é uma doença autoimune em que o consumo de glúten leva o sistema imunológico a atacar o próprio intestino, causando inflamação e lesão intestinal. Já a sensibilidade ao glúten provoca sintomas após o consumo de glúten, como estufamento ou desconforto abdominal, mas sem a reação autoimune ou o dano intestinal característico da doença celíaca", explica.

Já a intolerância à lactose é quando o organismo produz pouca lactase, enzima responsável por digerir a lactose. "O açúcar não digerido fermenta no intestino e pode causar gases, distensão abdominal e desconforto", descreve a especialista. Por fim, ela especifica que a alergia à proteína do leite (APLV), por sua vez, é uma reação do sistema imunológico, que pode causar sintomas digestivos, cutâneos ou até respiratórios. "A confusão acontece porque muitos dos sintomas digestivos são parecidos. Nas redes sociais, essa confusão aumenta porque muitas vezes doenças diferentes acabam sendo chamadas genericamente de "intolerância" ou "sensibilidade", mesmo quando envolvem processos distintos, como alergias ou doenças autoimunes", alerta.

Os sinais menos óbvios de problemas com glúten e lactose

Fernanda ainda faz um adendo: "nem sempre os problemas relacionados à alimentação se manifestam apenas no intestino. No caso da doença celíaca, por exemplo, a inflamação pode prejudicar a absorção de nutrientes e gerar sintomas que muitas vezes não parecem estar diretamente ligados à alimentação". Portanto, os sinais podem ser mais sutis ou sistêmicos, como:

  • Cansaço frequente ou sensação de fadiga;
  • Dores de cabeça recorrentes;
  • Dificuldade de concentração ou "névoa mental";
  • Alterações de humor;
  • Anemia sem causa aparente;
  • Problemas de pele;
  • Queda de cabelo ou outras deficiências nutricionais.

Alimentação exige responsabilidade

Mais importante do que querer catalogar alguma doença para si, é preciso ter consciência e ser responsável por seu próprio padrão alimentar. Uma alimentação em que o consumo se resuma a ultraprocessados e seja pobre em fibras pode favorecer desconfortos digestivos ou processos inflamatórios metabólicos. "Mas isso está mais relacionado à qualidade geral da dieta do que ao glúten ou à lactose isoladamente", afirma a nutricionista. Ou seja, mais importante do que eliminar completamente esses alimentos da sua rotina, é manter equilíbrio, variedade e qualidade na alimentação.

Em todo caso, seja por doença, sensibilidade, alergia ou apenas uma readequação alimentar, não é nada fácil diminuir - ou eliminar - esses componentes da nossa rotina. O motivo para isso, segundo a nutricionista, é uma combinação de fatores biológicos e comportamentais. "Alimentos como pães, massas e queijos costumam ser altamente palatáveis, com combinações de carboidratos, gorduras e sal, que estimulam o sistema de recompensa do cérebro e aumentam o prazer ao comer. Além disso, fazem parte da rotina alimentar dos brasileiros e muitas vezes estão associados à memória afetiva, à praticidade e a momentos sociais", explica.

É por isso que a dificuldade em reduzir o consumo costuma estar associada a hábitos, preferências e fatores culturais. De acordo com Fernanda, algumas estratégias podem ajudar a quebrar esse ciclo, como "observar padrões alimentares com um diário alimentar, fazer reduções graduais em vez de cortes radicais e buscar substituições que também tragam prazer ao comer", orienta. "Priorizar alimentos que promovam maior saciedade e conforto digestivo também pode facilitar esse processo", completa a especialista.

Faça um teste para você ver se tem desconfortos com glúten e/ou lactose!

Caso você sofra com alguns desconfortos mencionados na matéria e queira fazer um teste antes de procurar um exame laboratorial, Fernanda explica o passo a passo para isso. O chamado 'teste de exclusão e reintrodução' é simples e poderá te ajudar a observar possíveis relações entre alimentação e sintomas. "Ele envolve três etapas: retirar temporariamente o alimento suspeito da dieta por cerca de 2 a 4 semanas, observar se os sintomas melhoram e, em seguida, reintroduzir o alimento para verificar se os sintomas retornam", descreve a profissional.

Porém, atenção: esse processo ajuda a identificar padrões, mas não substitui a avaliação de um profissional de saúde. "No caso de suspeita de doença celíaca, inclusive, os exames devem ser realizados antes de retirar o glúten da dieta, pois a exclusão prévia pode levar a resultados falsamente negativos", alerta e finaliza a especialista.

Revista Malu Revista Malu
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