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Cientistas descobrem vida ancestral nas Cataratas de Sangue da Antártida

Um estudo recente encontrou evidências de organismos ativos em um ambiente considerado um dos mais extremos do planeta

5 ago 2026 - 13h40
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Em um dos cenários mais inóspitos do planeta, cientistas encontraram novas pistas sobre a história da vida na Terra. As famosas Cataratas de Sangue, na Antártida, voltaram a chamar a atenção da comunidade científica após um estudo identificar evidências de uma antiga comunidade marinha preservada sob o gelo.

Um estudo recente encontrou evidências de organismos ativos nas Cataratas de Sangue, um ambiente considerado um dos mais extremos do planeta
Um estudo recente encontrou evidências de organismos ativos nas Cataratas de Sangue, um ambiente considerado um dos mais extremos do planeta
Foto: Divulgação/UCSanDiego / Bons Fluidos

Conhecida pela água avermelhada que escorre da geleira Taylor, a formação natural já intrigava pesquisadores havia décadas. Agora, contudo, a análise indica que o local pode conservar sinais biológicos de um oceano que existiu ali milhares ou até milhões de anos atrás. Com isso, abre uma nova janela para compreender a evolução do continente gelado.

O que são as Cataratas de Sangue?

Localizadas nos Vales Secos de McMurdo, considerados um dos ambientes mais extremos do planeta, as Cataratas de Sangue recebem esse nome por causa da intensa coloração vermelha da água que emerge da geleira Taylor.

Entretanto, apesar da aparência impressionante, a cor não tem relação com sangue. Ela é provocada por uma salmoura extremamente rica em ferro que permaneceu isolada sob o gelo por um longo período. Quando esse líquido entra em contato com o oxigênio, o ferro oxida e adquire o tom avermelhado característico.

O que os pesquisadores descobriram?

O estudo, publicado na revista Nature Geoscience, analisou 167 amostras coletadas na região da geleira Taylor. Dessa forma, os pesquisadores identificaram organismos microscópicos com características típicas de ambientes marinhos. Eles estavam concentrados justamente na lama avermelhada e nos sedimentos próximos às Cataratas de Sangue.

Segundo os autores, essas evidências reforçam a hipótese de que a água do mar invadiu o vale durante um período mais quente do clima terrestre. Em seguida, acabou aprisionada quando a geleira avançou. No artigo científico, a equipe afirma que a salmoura apresenta "evidências geoquímicas e isotópicas que corroboram uma possível origem marinha antiga" e que o sistema ainda preserva "assinaturas biológicas de origem marinha muito tempo após a separação física do oceano".

Sinais de vida que continuam ativos

Além de identificar organismos de origem marinha, os cientistas verificaram que parte deles continua biologicamente ativa. De acordo com o comunicado divulgado pelos pesquisadores, a equipe encontrou evidências de micro-organismos realizando processos ligados à fotossíntese, ao reparo celular e à adaptação às condições extremas de salinidade e frio.

A líder do estudo, Angela Zoumplis, explicou que o resultado surpreendeu o grupo. "Este é um ambiente que parece quase completamente isolado do oceano hoje em dia. Mas, quando analisamos as assinaturas moleculares dos organismos que vivem na lama vermelha e nos sedimentos ao redor das Cataratas de Sangue, vimos um sinal marinho surpreendentemente forte", afirmou.

Em outra etapa da pesquisa, então, os cientistas buscaram confirmar se aqueles organismos realmente estavam vivos ou se eram apenas vestígios antigos. A análise indicou que a atividade biológica ainda acontece. "Não estávamos simplesmente vendo resquícios genéticos. Encontramos evidências de organismos respondendo a um ambiente hostil e em constante mudança", disse Zoumplis no comunicado.

O que isso revela sobre o passado da Antártida?

A descoberta ajuda a reconstruir a história geológica da Antártida. Os resultados indicam que partes do continente mantiveram conexões com o oceano antes de serem completamente cobertas pelo gelo. Além disso, os pesquisadores observaram diferenças genéticas entre os organismos encontrados na geleira Taylor e aqueles que vivem atualmente no Estreito de McMurdo.

Esse isolamento reforça a ideia de que a comunidade microbiana permaneceu separada por um longo período. Segundo Andrew E. Allen, autor sênior do estudo, as assinaturas moleculares encontradas representam uma oportunidade rara para entender como o oceano, o gelo e a terra interagiram ao longo da história do continente.

"Esses resultados apontam para persistência, não apenas para a liberação. As assinaturas moleculares que detectamos indicam uma comunidade localizada moldada pela química e pela história incomuns das Cataratas de Sangue. Isso nos dá uma janela biológica para as conexões passadas entre o oceano, o gelo e a terra na Antártica", apontou.

Bons Fluidos
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