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Cientistas criam proteína de carne com alface e tabaco; conheça a alternativa sustentável

Pesquisa internacional usa plantas modificadas geneticamente para produzir uma proteína ligada à cor, ao sabor e às características nutricionais da carne

7 ago 2026 - 08h40
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Uma alface capaz de produzir uma proteína associada à carne pode parecer algo distante da realidade, mas essa é a proposta de uma nova pesquisa científica. Pesquisadores do Reino Unido, Estados Unidos e China modificaram plantas para produzir mioglobina, uma molécula encontrada nos músculos dos animais e relacionada ao sabor, à cor e ao valor nutricional da carne.

Pesquisa usa plantas modificadas geneticamente para produzir uma proteína ligada ao sabor e às características nutricionais da carne
Pesquisa usa plantas modificadas geneticamente para produzir uma proteína ligada ao sabor e às características nutricionais da carne
Foto: Canva Equipes/antoninavlasova32 / Bons Fluidos

O estudo saiu na revista Frontiers in Plant Science. A pesquisa investiga uma possibilidade que une biotecnologia e sustentabilidade. Para isso, então, os estudiosos usam plantas como uma "fábrica natural". Elas produzem ingredientes que a indústria aplica em alimentos vegetais.

A busca por alternativas à carne tradicional cresceu nos últimos anos. Isso ocorre devido aos impactos ambientais da pecuária. Ademais, muitos consumidores buscam opções que reduzam o uso de recursos naturais, já que a criação de animais exige muita terra e água, além de emitir gases associados ao aquecimento global.

Nesse cenário, portanto, os pesquisadores avaliaram uma nova estratégia. Eles buscaram produzir a proteína responsável pela semelhança entre produtos vegetais e a carne convencional.

Como as plantas passaram a produzir proteína da carne?

A equipe utilizou genes de porcos e bovinos responsáveis pela mioglobina. Em seguida, inseriu essas informações genéticas nos cloroplastos do tabaco e da alface.

Os cloroplastos são estruturas das células vegetais responsáveis pela fotossíntese. Segundo os pesquisadores, essas estruturas produzem proteínas com mais eficiência. Elas possuem muitas cópias de material genético dentro das células.

"Aqui mostramos que as plantas podem ser geneticamente modificadas para produzir a proteína animal mioglobina (Mb) em seus cloroplastos, as usinas de energia da fotossíntese", explicou Alexia Groff, pesquisadora do Imperial College London, em comunicado sobre o estudo.

Os cientistas escolheram o tabaco por seu uso frequente em pesquisas de biotecnologia. Por outro lado, a equipe avaliou a alface por seu potencial alimentar futuro. Após a modificação genética, os pesquisadores observaram os resultados. Algumas plantas incorporaram o novo gene aos cloroplastos. Depois, transmitiram essa característica para as gerações seguintes.

Por que a mioglobina é importante para a carne?

A mioglobina é uma proteína presente nos músculos e no coração dos vertebrados. Ela armazena oxigênio. Além disso, contribui para a cor avermelhada e parte do sabor da carne. Por conter bastante ferro, a molécula desperta interesse em pesquisas. Os cientistas buscam melhorar o perfil nutricional de produtos à base de plantas.

No experimento, a alface e o tabaco modificados produziram quantidades significativas da proteína. Os pesquisadores identificaram rendimentos superiores. Isso ocorreu em comparação à inserção do gene no núcleo celular.

Uma alternativa mais sustentável para o futuro?

De acordo com os autores, o cultivo de plantas pode representar uma alternativa melhor. Ele gera menor impacto ambiental em comparação à produção tradicional de carne.

"Apesar disso, o cultivo de plantas é muito mais eficiente em termos de recursos do que a produção pecuária; consequentemente, a Mb derivada de plantas poderia atingir rendimentos de proteína por hectare que rivalizam - ou até mesmo superam - os da pecuária, além de se beneficiar de um uso de água e emissões de gases de efeito estufa substancialmente menores", escreveram os pesquisadores.

A tecnologia ainda está em fase de desenvolvimento. Antes de chegar aos consumidores, a comunidade científica precisará avaliar a segurança alimentar. Também será preciso analisar a regulamentação e a produção em larga escala.

"Esperamos que a alface comestível, modificada para expressar mioglobina, possa um dia servir como um alimento biofortificado enriquecido com ferro heme, dependendo da aprovação legislativa", afirmou Kyoko Morimoto, coautora do estudo e diretora científica da startup Kyomei.

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