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Ciclosporíase: entenda o surto de infecção intestinal e como prevenir

Autoridades investigam a relação entre o surto e lotes de alface iceberg contaminada, enquanto especialistas reforçam medidas para evitar a infecção

4 ago 2026 - 13h43
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O avanço de um surto de ciclosporíase nos Estados Unidos voltou a chamar a atenção das autoridades de saúde. Nesta semana, foram registradas duas mortes em decorrência da infecção em Michigan. O estado concentra mais de 11 mil casos ligados ao surto e quase 200 internações.

Casos de ciclosporíase aumentam nos Estados Unidos, enquanto especialistas reforçam os cuidados para reduzir o risco de contaminação
Casos de ciclosporíase aumentam nos Estados Unidos, enquanto especialistas reforçam os cuidados para reduzir o risco de contaminação
Foto: Wildpixel/Getty Images / Bons Fluidos

A condição, contudo, se espalhou para nove estados americanos: Michigan, Virgínia Ocidental, Oklahoma, Pensilvânia, Ohio, Kentucky, Kansas, Indiana e Illinois. No Centro-Oeste, onde os casos se concentram, adultos entre 30 e 39 anos formam a faixa etária mais afetada.

As investigações apontam, até o momento, uma possível relação com lotes de alface iceberg distribuídos por uma empresa que importa o alimento da região central do México. As autoridades, porém, continuam analisando outras possíveis fontes de contaminação.

Em comunicado enviado ao 'The Guardian', um porta-voz do Departamento de Saúde e Serviços Humanos de Michigan afirmou que a ciclosporíase "geralmente não é uma doença que ameace a vida". Entretanto, ela pode provocar um quadro intenso de diarreia e favorecer a desidratação, principalmente em pessoas mais vulneráveis, além de outras complicações severas.

O que é a ciclosporíase?

Segundo a Cleveland Clinic, centro médico acadêmico norte-americano, a ciclosporíase é uma doença intestinal provocada pelo parasita Cyclospora cayetanensis, geralmente adquirida após o consumo de água ou alimentos contaminados.

Os primeiros sintomas costumam aparecer cerca de uma semana depois da infecção. A manifestação mais frequente é a diarreia aquosa. No entanto, tende a vir acompanhada de cólicas abdominais, náuseas, vômitos, perda de apetite, gases, distensão abdominal, febre baixa e fadiga intensa.

Embora algumas pessoas não desenvolvam sintomas, outras podem apresentar um quadro prolongado que, sem tratamento, persiste por semanas ou até melhora temporariamente antes de voltar, aumentando o risco de desidratação e outras complicações.

Como acontece a transmissão?

A infecção ocorre quando alimentos ou água contaminados com o parasita são ingeridos. De acordo com a Cleveland Clinic, frutas, verduras e folhas frescas estão entre os alimentos mais frequentemente associados a surtos da doença, principalmente quando são cultivados ou lavados com água contaminada. Diferentemente de outras infecções intestinais, não existem evidências de transmissão direta entre pessoas.

Quem corre mais risco?

Qualquer pessoa pode desenvolver ciclosporíase. Entretanto, alguns grupos apresentam maior risco de complicações, como:

  • Idosos;
  • Crianças;
  • Pessoas com o sistema imunológico enfraquecido.

Quem desenvolve diarreia intensa também pode sofrer uma perda importante de líquidos, aumentando o risco de desidratação e desequilíbrio de eletrólitos.

Como é feito o tratamento?

Médicos costumam tratar a infecção com antibióticos específicos para eliminar o parasita. Além disso, manter uma boa hidratação é uma das medidas mais importantes durante a recuperação.

Em alguns casos, o profissional também pode indicar medicamentos para controlar a diarreia e reduzir o risco de complicações. Com o tratamento correto, a maioria das pessoas melhora em uma ou duas semanas, embora episódios ocasionais de diarreia ainda possam ocorrer por algum tempo.

Como prevenir a ciclosporíase?

Alguns cuidados simples ajudam a reduzir o risco de infecção:

  • Lave bem frutas, verduras e legumes antes do consumo;
  • Cozinhe alimentos quando possível;
  • Utilize apenas água tratada para beber e preparar refeições;
  • Lave as mãos com água e sabão antes de manipular alimentos e após usar o banheiro;
  • Higienize utensílios e superfícies da cozinha;
  • Evite ingerir água de procedência desconhecida.

Também é importante procurar atendimento médico caso ocorram vários episódios de diarreia aquosa ao longo do dia, principalmente se houver sinais de desidratação, como tontura, confusão mental, pouca urina ou urina muito escura. O diagnóstico precoce reduz o risco de complicações e acelera a recuperação.

Bons Fluidos
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