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Cluttercore: a tendência que transforma objetos e memórias em parte da decoração

Muito além do maximalismo, o cluttercore propõe uma decoração afetiva e cheia de personalidade. A ideia é exibir objetos que contam histórias, mas sem abrir mão do equilíbrio visual

29 jun 2026 - 18h27
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Durante muitos anos, o minimalismo dominou o universo da decoração com ambientes limpos, poucos objetos e uma estética marcada pelo "menos é mais". Agora, uma tendência segue na direção oposta. O cluttercore celebra casas cheias de personalidade, nas quais livros, fotografias, lembranças de viagens, obras de arte e coleções fazem parte da decoração de forma intencional. Apesar de o nome remeter à bagunça, o conceito está longe de incentivar o acúmulo desorganizado.

Misturar diferentes texturas, alturas e materiais ajuda a criar um ambiente acolhedor e cheio de identidade seguindo a tendência cluttercore
Misturar diferentes texturas, alturas e materiais ajuda a criar um ambiente acolhedor e cheio de identidade seguindo a tendência cluttercore
Foto: Canva / Bons Fluidos

Pelo contrário, o cluttercore propõe que cada objeto tenha significado para quem mora no espaço. Assim, a decoração deixa de seguir apenas tendências e passa a refletir memórias, gostos e histórias pessoais. Além disso, o movimento acompanha o crescimento do maximalismo, que valoriza cores, texturas e diferentes referências em um mesmo ambiente. No entanto, enquanto o maximalismo costuma priorizar o impacto visual, o cluttercore coloca a afetividade como elemento principal.

O cluttercore não é sinônimo de bagunça

À primeira vista, um ambiente cluttercore pode parecer cheio de informações. Entretanto, existe uma diferença importante entre uma composição planejada e um espaço simplesmente desorganizado. Segundo designers entrevistados pela revista 'House Beautiful', a intenção faz toda a diferença. Cada livro, quadro, vaso ou lembrança precisa ocupar aquele lugar por um motivo, seja estético, funcional ou emocional. Em outras palavras, o cluttercore é uma curadoria pessoal. Os objetos são distribuídos estrategicamente para criar profundidade visual, sem comprometer o conforto ou dificultar o uso do ambiente. Por isso, o resultado transmite acolhimento, e não sensação de excesso.

Como aplicar o cluttercore na decoração

Comece por um único ambiente

Antes de transformar toda a casa, experimente aplicar o conceito em um espaço menor, como uma estante, um aparador ou a mesa de centro da sala. Dessa forma, fica mais fácil testar diferentes combinações, reorganizar objetos e descobrir qual estilo representa melhor sua personalidade. Além disso, pequenas mudanças costumam gerar grande impacto visual sem exigir investimentos altos.

Crie camadas com diferentes materiais

Uma das características mais marcantes do cluttercore é a sobreposição de elementos. Por isso, misture madeira, vidro, cerâmica, tecidos, metais e fibras naturais. Da mesma forma, combine objetos de diferentes alturas e formatos para criar movimento e deixar a composição mais interessante. Enquanto peças muito semelhantes podem deixar o ambiente monótono, a variedade cria dinamismo e equilíbrio.

Exponha objetos que tenham significado

Mais importante do que comprar novos itens é valorizar aquilo que já faz parte da sua história. Fotografias antigas, presentes especiais, lembranças de viagens, discos de vinil, livros favoritos, peças herdadas da família e obras de arte ajudam a construir uma decoração autêntica. Consequentemente, cada ambiente passa a refletir a identidade dos moradores, tornando a casa muito mais acolhedora.

Deixe espaços para respirar

Embora o cluttercore valorize ambientes ricos em detalhes, nem toda superfície precisa estar ocupada. Pelo contrário, deixar algumas áreas livres cria pausas visuais que destacam ainda mais os objetos escolhidos. Além disso, essa estratégia evita que o ambiente pareça desorganizado e facilita a limpeza e a manutenção da casa.

Aposte nos livros como protagonistas

Os livros aparecem como um dos elementos mais importantes dessa tendência. Eles podem ser organizados em estantes, empilhados sobre mesas de centro ou distribuídos em aparadores e criados-mudos. Além de decorarem os ambientes, transmitem sensação de acolhimento e estimulam momentos de leitura. Por isso, muitos designers consideram os livros a "alma" do cluttercore.

Personalidade acima das tendências

Outro aspecto importante do cluttercore é que ele não segue uma estética única. Enquanto algumas pessoas preferem misturar móveis antigos com peças contemporâneas, outras apostam em cores vibrantes, objetos vintage ou coleções temáticas. Há ainda quem combine diferentes estilos em um mesmo ambiente. O ponto em comum é a autenticidade. Em vez de decorar para reproduzir imagens vistas nas redes sociais, a proposta é criar espaços que façam sentido para quem vive ali. Assim, cada casa se torna única.

O cluttercore também incentiva escolhas mais sustentáveis

Embora seja uma tendência de decoração, o cluttercore também conversa com a sustentabilidade. Isso porque o movimento incentiva o reaproveitamento de móveis antigos, objetos herdados, peças vintage e itens encontrados em antiquários ou brechós, reduzindo a necessidade de consumir novos produtos constantemente. Além disso, ao valorizar objetos que já fazem parte da história da família, o estilo contribui para prolongar a vida útil de móveis e acessórios que poderiam ser descartados. Dessa maneira, a decoração ganha personalidade ao mesmo tempo em que promove um consumo mais consciente

Como evitar que o cluttercore vire excesso

O maior desafio do cluttercore está justamente em encontrar equilíbrio. Antes de incluir um novo objeto na decoração, vale refletir se ele realmente possui valor afetivo, funcional ou estético. Caso contrário, o ambiente pode perder sua identidade e transmitir apenas sensação de acúmulo. Além disso, revisar periodicamente as peças expostas ajuda a reorganizar os espaços e manter apenas aquilo que continua fazendo sentido. No fim das contas, o cluttercore não é sobre ter mais objetos. É sobre cercar-se de elementos que despertem boas lembranças, expressem sua personalidade e façam da casa um lugar verdadeiramente vivido

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