Carmo Dalla Vecchia fala sobre experiência com a paternidade: 'Meu maior talento'
Ao refletir sobre a criação do filho Pedro, Carmo Dalla Vecchia mostra como a paternidade pode se tornar um caminho de transformação, reparação emocional e descoberta de novos afetos
Nem sempre os grandes sonhos da nossa vida são aqueles que imaginamos desde cedo. Algumas experiências chegam de forma inesperada e acabam revelando talentos, afetos e propósitos que sequer sabíamos que existiam dentro de nós. Foi justamente assim que a paternidade se apresentou para Carmo Dalla Vecchia.
Aos 54 anos, o ator vive uma das experiências mais significativas de sua trajetória ao lado do filho Pedro, de 6 anos, fruto do relacionamento de duas décadas com o autor de novelas João Emanuel Carneiro. Em entrevista recente, Carmo compartilhou reflexões sobre a chegada do menino e revelou que, durante boa parte da vida, não se imaginava ocupando esse papel.
"Não era um sonho que eu tinha, até porque até pouco tempo atrás nem poderia sonhar com isso. Isso é muito novo para todos nós, tanto um filho biológico [gerado por barriga de aluguel] quanto você adotar. Até pouco tempo atrás, isso não era simples para pessoas como eu, mas talvez meu maior talento da vida seja esse, ser pai", declarou, em entrevista à Quem.
A paternidade também pode ser uma descoberta
Existe uma crença cultural de que toda pessoa nasce com o desejo de ter filhos. Mas a realidade é mais diversa. Para muitas pessoas, o desejo de exercer a maternidade ou a paternidade surge apenas quando as circunstâncias permitem, quando os caminhos se tornam possíveis ou quando o encontro com uma criança desperta sentimentos inesperados.
No caso de Carmo, a experiência trouxe uma dimensão nova para sua vida. Mais do que assumir responsabilidades, ele encontrou prazer genuíno em acompanhar o crescimento do filho e em participar ativamente de sua formação.
Curando histórias para construir outras
Um dos aspectos mais emocionantes do relato do ator é a forma como ele conecta sua experiência como pai à relação que teve com o próprio pai. A psicologia chama esse movimento de reparação emocional: quando uma pessoa revisita vivências difíceis da infância e decide construir uma dinâmica diferente com a geração seguinte.
Ao falar sobre sua história familiar, Carmo revelou que viveu uma relação complexa com o pai e que procura oferecer ao filho uma experiência marcada pelo diálogo, pela presença e pelo afeto. "Tive uma relação complexa com meu próprio pai", contou o ator.
Essa consciência tem guiado suas escolhas. Segundo ele, existe um esforço constante para compreender quais são as necessidades emocionais, físicas e educacionais de Pedro, buscando informações que o ajudem a promover um desenvolvimento saudável.
"Eu me descobri um cara que tem um prazer muito grande [em ser pai], uma consideração muito grande e que, tecnicamente, procura se aprofundar para saber como faz e o que é o melhor para uma criança."
O pai que ele gostaria de ter tido
Em um dos momentos mais sensíveis da entrevista, Carmo compartilhou uma brincadeira que costuma fazer com o filho. Por trás do humor, existe uma mensagem profunda sobre cuidado e presença.
"Acho que sou um pai muito bacana. Gostaria de ter tido um pai como eu sou para o meu filho. Brinco com ele e falo: 'Vamos fazer o seguinte, na próxima existência, você vem como meu pai, mas você tem que fazer tudo o que faço para você'. Ele olha para mim e diz: 'Está certo'. Se tudo der certo, vai ser isso."
A fala revela uma verdade importante. Muitas vezes, ao cuidar de nossos filhos, também encontramos maneiras de acolher partes da nossa própria história que ainda precisavam de carinho.
Representatividade que transforma vidas
Além da experiência familiar, Carmo também falou sobre outro aspecto importante de sua trajetória: a decisão de tornar pública sua orientação sexual. Casado há mais de 20 anos com João Emanuel Carneiro, o ator passou a abordar o tema de forma mais aberta a partir de 2021.
Desde então, ele percebe que sua história passou a representar algo maior para muitas pessoas. Mais do que um posicionamento individual, sua fala se tornou um símbolo de visibilidade e pertencimento para quem, durante muito tempo, não se viu representado em espaços públicos.
"Vejo que as pessoas têm uma relação comigo muito mais pela minha identidade e orientação sexual do que por todas as novelas e trabalhos que fiz como ator. Acho que não há ato mais importante, politicamente falando, do que minha autodeclaração. Não há trabalho que eu vá fazer que seja tão importante quanto isso."
No fim das contas, a história de Carmo Dalla Vecchia nos lembra que as famílias podem ser construídas de muitas formas. E que a verdadeira essência da paternidade não está apenas nos laços biológicos, mas na disposição diária de amar, cuidar, aprender e estar presente. Afinal, existem talentos que só descobrimos quando alguém nos chama de pai.
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