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Câncer em crianças: genética amplia chances de cura

Ocorrem cerca de 8.000 novos casos de câncer infantojuvenil no Brasil por ano, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca)

28 mar 2026 - 09h01
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Testes genéticos revolucionam o diagnóstico e tornam o tratamento mais preciso no Brasil

Câncer em crianças, embora raro, é a principal causa de morte por doença entre crianças e adolescentes no Brasil. Diferente dos tumores em adultos, os tipos mais comuns nessa faixa etária incluem leucemias, tumores do sistema nervoso central e linfomas, seguidos por tumores ósseos, como os sarcomas. Entre eles, a leucemia se destaca como a mais frequente, representando cerca de 25% a 30% dos casos.

Foto: Revista Malu

Nesse cenário, o avanço dos testes genéticos está transformando a forma de diagnosticar. Além disso, ajuda a tratar essas doenças, trazendo mais precisão e impactando diretamente as chances de cura. Com tecnologias mais modernas, já é possível analisar vários genes do tumor ao mesmo tempo. Isso torna o diagnóstico mais rápido, completo e decisivo para a escolha do tratamento.

"Hoje conseguimos analisar vários genes do tumor de uma só vez, o que ajuda a entender melhor o comportamento do câncer e direcionar o tratamento", afirma o geneticista Henrique Galvão, da Dasa Genômica. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil registra cerca de 7,9 mil novos casos de câncer por ano em crianças e adolescentes. Com diagnóstico precoce e tratamento adequado, mais de 80% dos pacientes podem alcançar cura.

Exames para identificar o câncer em crianças

Entre os principais avanços estão os exames conhecidos como painel NGS e CGP. O painel NGS utiliza o sequenciamento de nova geração para analisar, ao mesmo tempo, um conjunto de genes relacionados ao câncer a partir de amostras de sangue, medula ou biópsia do tumor. Já o CGP (perfil genômico abrangente) é uma versão mais ampla. Ela avalia centenas de genes e diferentes tipos de alterações no DNA, oferecendo um retrato mais completo do perfil genético do tumor.

Estes testes costumam ser indicados em casos mais complexos, como cânceres agressivos, avançados ou que retornaram após o tratamento. Em crianças com leucemia, muitos centros já utilizam a testagem genética desde o início do tratamento para confirmar o tipo da doença e classificar o risco, podendo repetir o exame em casos de recidiva. A investigação genética também pode ser considerada quando há histórico familiar relevante de câncer.

"Em várias leucemias, o painel identifica alterações que mostram se é necessário um tratamento mais intenso ou se é possível utilizar terapias específicas. Caminhamos para abordagens cada vez mais personalizadas", explica Galvão. Em estudos com crianças com leucemia mieloide aguda, por exemplo, os testes ajudam a prever a resposta à quimioterapia e a identificar mutações que podem ser alvo de novos medicamentos.

Sarcomas ósseos: tumores raros exigem diagnóstico rápido e preciso

Os sarcomas ósseos são tumores primários dos ossos e, em crianças e adolescentes, os principais tipos são o osteossarcoma e o sarcoma de Ewing. Este último é um câncer raro e agressivo, que se origina principalmente nos ossos, mas também pode afetar tecidos moles, como músculos e cartilagens. É o segundo tumor ósseo maligno mais comum na infância e adolescência e pode apresentar metástases em pulmões, outros ossos e medula óssea. "Por ser um tumor agressivo, o tratamento envolve uma abordagem multidisciplinar. Que inclui: poliquimioterapia, cirurgia e, em alguns casos, radioterapia", afirma Carla Macedo, coordenadora do serviço de oncologia pediátrica do Hospital Samaritano Higienópolis.

Os sinais podem ser sutis no início, mas tornam-se progressivos, são eles:

  • Dor persistente, especialmente à noite;
  • Inchaço ou presença de massa;
  • Febre sem causa aparente;
  • Perda de peso;
  • Fadiga;
  • Em alguns casos, o enfraquecimento do osso pode levar a fraturas espontâneas.

O diagnóstico envolve exames de imagem, como radiografia, ressonância magnética e tomografia ou PET-CT, além da biópsia, essencial para confirmação. A genética também tem papel central: o sarcoma de Ewing apresenta uma alteração característica, geralmente uma fusão entre os genes EWS e FLI1, que funciona como uma assinatura molecular do tumor."Os testes moleculares permitem confirmar o diagnóstico com mais precisão e diferenciar esse tipo de câncer de outros semelhantes", destaca Galvão.

A doença é mais frequente entre 10 e 20 anos, fase marcada por crescimento ósseo acelerado e alterações hormonais e celulares. O tratamento envolve quimioterapia, cirurgia e radioterapia, dependendo da localização e da evolução do tumor.

Desafios ainda limitam acesso

Apesar dos avanços na oncologia de precisão, o acesso aos exames genéticos ainda é desigual no Brasil. A realização desses testes exige infraestrutura laboratorial especializada, tecnologia de ponta e equipes altamente capacitadas, além de envolver custos elevados e fatores que limitam sua disponibilidade, especialmente fora dos grandes centros e no sistema público de saúde.

Ainda assim, a tendência é clara: a incorporação da genética vem impulsionando uma medicina cada vez mais personalizada, na qual o tratamento deixa de seguir um modelo padrão para ser direcionado às características específicas de cada paciente. Esse movimento tem impacto direto nas chances de cura, na redução de efeitos colaterais e na qualidade de vida, especialmente entre crianças e adolescentes, que se beneficiam de abordagens mais precisas desde o início do cuidado.

Revista Malu Revista Malu
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