Beth Goulart fala sobre luto e legado deixado pelos pais: 'Não é por acaso'
Beth Goulart relembrou os ensinamentos de Nicette Bruno e Paulo Goulart, refletiu sobre o poder transformador da arte diante do luto
Existem famílias que deixam marcas não apenas pela trajetória profissional, mas pelos valores que cultivam ao longo da vida. Em entrevista ao LeoDias TV, a atriz Beth Goulart compartilhou memórias sobre seus pais, os atores Nicette Bruno e Paulo Goulart, e refletiu sobre os aprendizados que recebeu dentro de casa. Entre histórias de amor, superação e arte, suas palavras trouxeram uma importante reflexão sobre como seguir em frente após uma grande perda.
Quando a arte se transforma em acolhimento
A morte de uma pessoa amada costuma provocar uma profunda reorganização emocional. Em 2014, quando Paulo Goulart faleceu após décadas de união com Nicette Bruno, Beth viu a mãe enfrentar um dos períodos mais delicados de sua vida.
Naquele momento, a atriz precisou tomar uma decisão difícil. Diante da gravidade do estado de saúde do pai, ela interrompeu temporariamente o espetáculo que apresentava sobre a escritora Clarice Lispector para dedicar atenção à família. "Vou deixar a Clarice dormindo porque eu precisava me dedicar à mamãe", recordou.
Observando o sofrimento da mãe, Beth encontrou na própria arte uma forma de ajudá-la a reencontrar sentido e vitalidade. Ela adaptou e dirigiu uma peça baseada na obra Perdas e Ganhos, da escritora Lya Luft, convidando Nicette para protagonizar o espetáculo.
A iniciativa nasceu da convicção de que continuar vivendo também é uma forma de homenagear quem partiu. "Eu disse: 'Trabalho é vida'. Preciso trazer a mamãe de volta para a vida, mostrar a força dela no palco. A melhor homenagem que se pode prestar a quem partiu é viver", afirmou.
O legado que vai além da fama
Ao recordar a história dos pais, Beth destacou que a herança mais valiosa deixada por eles não está nos prêmios, personagens ou décadas de carreira, mas na forma como construíram sua relação. Casados por mais de 60 anos, Nicette Bruno e Paulo Goulart se tornaram referência de parceria dentro e fora dos palcos. Segundo a atriz, a conexão que os unia era percebida tanto pelo público quanto por quem convivia com eles no dia a dia.
"Eles tinham uma química no palco e fora dele. Eram muito amorosos, muito generosos. Essa energia de amor, carinho, respeito e fé foi transmitida para nós. Esse é o nosso grande legado, uma referência de pessoas que trabalham com amor. Não é por acaso que todos nós nascemos na mesma família", disse.
A fala chama atenção para algo que muitas vezes passa despercebido: os valores transmitidos dentro de casa costumam impactar gerações inteiras. Respeito, afeto e generosidade tendem a se perpetuar por meio dos exemplos cotidianos muito mais do que por qualquer discurso.
A importância das histórias que emocionam
Durante a entrevista, Beth também refletiu sobre as mudanças na forma como consumimos entretenimento. Para ela, a chegada das plataformas digitais e o ritmo acelerado da vida moderna transformaram a maneira como as pessoas se relacionam com as narrativas.
Segundo a atriz, antigamente era comum reunir a família diante da televisão para acompanhar uma novela, comentar os acontecimentos e criar conexões emocionais com os personagens. Hoje, o consumo costuma ser mais individual e imediato.
Na sua avaliação, essa mudança influenciou a própria construção das produções audiovisuais. "As pessoas não querem mais passar muito tempo assistindo. Sentimos falta de pausas nas cenas, de um tempo maior para aprofundar o tema. Hoje, a informação ficou mais importante do que a emoção", concluiu.
A reflexão dialoga com uma questão cada vez mais presente na sociedade contemporânea: em meio à velocidade das informações, talvez seja justamente a emoção que continue dando significado às histórias que escolhemos guardar na memória.
E a trajetória de Nicette Bruno, Paulo Goulart e Beth Goulart parece confirmar essa ideia. Afinal, alguns legados não permanecem apenas nas telas. Eles sobrevivem nos vínculos construídos, nos valores compartilhados e na capacidade de transformar amor em inspiração para as próximas gerações.
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