Recepcionistas contam "truques" para encarar 9h em pé no SPFW
Quem as vê maquiadas, lindas e sorridentes recepcionando o público nos corredores do São Paulo Fashion Week nem desconfia que, nos bastidores, as recepcionistas e modelos contratadas pelos patrocinadores carregam verdadeiros "kits de sobrevivência" para encarar a maratona de cerca de 9 horas em pé, sempre sobre um salto alto. O glamour das semanas de moda e o sorriso obrigatório nos rostos dão a impressão de que se trata de um trabalho "fácil", mas haja remédios contra dor, curativos e pomadas para aliviar o inchaço das pernas no fim do dia.
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Saiba como é a preparação dos modelos antes dos desfiles
"É um trabalho bacana porque nos permite conhecer pessoas diferentes. Mas é muito cansativo mesmo. Já vi gente colocar até absorvente (feminino) dentro dos sapatos pra aumentar o conforto dos pés", conta a modelo Carol Kogut, 26 anos, que trabalha na divulgação de uma marca de esmaltes que patrocina o SPFW.
Na bolsa, a maioria carrega um sapato extra (sem salto) ou um chinelo, além de curativos adesivos e remédios para ajudar a lidar com as bolhas que aparecem ao longo do dia. Mas as longas horas sobre os saltos compensam pelo cachê: em média, as modelos dos estandes recebem entre R$ 100 e R$ 400 por dia de trabalho, sendo que a maioria delas costuma encarar cerca de quatro eventos por mês, entre semanas de moda, feiras e exposições de vários segmentos da indústria e comércio.
Embora o perfil das modelos de estandes seja bem diferente das tops que desfilam pelas passarelas, o trabalho tem uma série de pré-requisitos, estabelecidos pelas agências de eventos: em geral, é preciso ser bem jovem - até 30 anos, no máximo -, ter no mínimo 1,70 m de altura e estar com as medidas em dia. Muitas agências também pedem um book de fotos profissionais e um portfólio dos trabalhos no currículo.
Outro pré-requisito é a simpatia e o jogo de cintura, para lidar com as cantadas e piadinhas que podem surgir. "Às vezes aparecem uns engraçadinhos, mas a gente aprende a sair dessas situações com elegância e discrição", revelou a jovem Letícia Cerino, 24 anos, que divulgava os lançamentos de uma marca de cosméticos.
E, assim como as modelos de passarela, as jovens também têm de se acostumar a lidar com os "nãos" que recebem, e a preparar a carreira para quando o tempo da profissão "expirar". "A gente se candidata para uma vaga e torce pra dar certo, mas se não for o perfil que o cliente quer, não adianta. Então faz parte da área levar alguns 'nãos", conta Laura de Campos Alvarenga, 22 anos, que trabalhava na divulgação de uma bebida no SPFW, participa de eventos há 2 anos e quer cursar faculdade de arquitetura. "Rende um dinheiro legal, mas é passageiro. Eu quero fazer faculdade de direito", revelou Daniela Corrêa, 18 anos, que trabalha com eventos há 3 meses.
Hostess
Além das modelos contratadas para divulgar as marcas patrocinadoras, as recepcionistas, também conhecidas como hostess, são figuras obrigatórias na semana de moda. Neste caso, embora a beleza ajude, é o estilo e a "atitude" que fazem a diferença para garantir o contrato, que costuma render um cachê melhor - embora as cifras sejam mantidas em sigilo absoluto.
Melissa Depeyre trabalha há 8 anos como hostess do SPFW e explica que, diferentemente das modelos dos estandes, o papel da hostess é receber o público, evitar que os VIPs sejam barrados e passem por saias justas e ajudar os relações públicas do evento a lidar com imprensa e convidados.
"Tem que estar sempre bem informada, ser muito simpática e ter estilo. Falar outro idioma também ajuda", revela a moça, que fala inglês e francês com fluência. Também é preciso "vestir o personagem", ou seja, ser estilosa dos pés à cabeça. Para tanto, os estilistas emprestam roupas para serem usadas na semana de moda. "A parte mais triste é se despedir do look", brinca Melissa, que diz que, apesar de emprestar o guarda-roupa, não dispensa o uso dos sapatos próprios. "Sapato tem que ser o nosso, senão não tem quem aguente", disse ela, exibindo sua "confortável" sandália salto 15.
SPFW Inverno 2013
O Terra, a maior empresa latino-americana de mídia digital, transmite ao vivo os desfiles de inverno 2013 do São Paulo Fashion Week, com exclusividade para web, inclusive para tablets, smartphones e TVs conectadas. Entre os dias 29 e 31, os desfiles serão transmitidos direto do Parque Villa-Lobos na capital paulista, pela parceria entre o Terra e FFW, em um total de cerca de 3 horas durante o evento. Além das transmissões ao vivo, o Terra terá reportagens especiais em vídeo com Isabel Wilker e os blogs da apresentadora de TV Isabella Fiorentino e das jornalistas de moda Iesa Rodrigues, Rosângela Espinossi e Tatiana Sisti.
O maior e mais importante evento de moda da América Latina reúne 19 desfiles em uma edição extra, a terceira de 2012, responsável por finalizar a transição para o novo calendário da moda brasileira. A partir de 2013, os desfiles da coleção verão acontecerão em março de cada ano e os de inverno em outubro. Pulam esta edição as grifes Amapô, André Lima, Iódice, Juliana Jabour, Jefferson Kulig, Cavalera e Animale. Retorna ao evento Maria Garcia, segunda marca da estilista Clô Orozco, da Huis Clos, grife que não se apresenta desta vez.