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Aprenda a ler corretamente o rótulo do Shampoo

Especialista em consumo consciente ensina a ler rótulos de cosméticos

30 set 2026 - 11h14
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Resumo
Terceiro maior mercado mundial de cuidados capilares, o Brasil vê crescer a busca por escolhas conscientes na compra de cosméticos. Para além das promessas do rótulo, especialistas recomendam analisar a lista de ingredientes, priorizando os primeiros itens da fórmula e a adequação ao tipo de fio, sem medo de nomes complexos. Visando facilitar essa leitura e dar autonomia ao consumidor, surgem soluções como o aplicativo Be Clean, que decodifica composições e seus impactos à saúde e ao ambiente.

Com mercado de beleza em expansão, entender ingredientes e composição dos produtos se torna parte importante da escolha do consumidor

O Brasil ocupa atualmente a terceira posição no ranking mundial de consumo de produtos de cuidados com o cabelo, de acordo com dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC). Dentro desse cenário, o mercado de hair care movimentou R$32,3 bilhões em 2024 e deve chegar a R$44,3 bilhões em 2029, de acordo com a Euromonitor. Inclusive, o Brasil é referência mundial na categoria, tanto em tecnologia quanto na diversidade de soluções para diferentes tipos de cabelo. Essa posição também se reflete nas exportações: produtos capilares representam cerca de 30% das vendas externas do setor, segundo a ABIHPEC. Já no mercado interno, a categoria cresceu 9% em 2025, de acordo com a Euromonitor.

Foto de Andrzej Gdula na Unsplash
Foto de Andrzej Gdula na Unsplash
Foto: Revista Malu

Com mais produtos, serviços e opções disponíveis, também cresce a necessidade de entender o que está sendo levado para casa. No caso dos cosméticos, a composição pode reunir dezenas de ingredientes, entre agentes de limpeza, óleos, conservantes, fragrâncias e outros componentes. Mas, para quem não está familiarizado com os nomes do rótulo, saber o que realmente está dentro de um shampoo, creme ou máscara pode não ser tão simples.

Foi justamente essa dificuldade que levou a empreendedora Marina Miranda a olhar para os cosméticos de outra forma. A partir de uma experiência pessoal, ela começou a estudar as formulações presentes nos produtos que consumia e passou a questionar como tornar essas informações mais acessíveis para quem está diante da prateleira.

"Eu comecei a olhar para o rótulo de uma maneira completamente diferente. Antes, eu via aqueles nomes e simplesmente não sabia o que significava. Quando comecei a estudar, percebi que existia muita informação ali, mas que ela não necessariamente estava acessível para quem está do outro lado da prateleira", conta Marina.

Não é sobre decorar nomes difíceis

A primeira dica para quem quer começar a prestar mais atenção aos cosméticos é não tentar memorizar uma lista enorme de ingredientes. O caminho, segundo Marina, é entender o que está sendo informado e observar se aquilo faz sentido para o produto e para as necessidades de cada pessoa.

"Não quero que as pessoas saiam olhando um rótulo e tenham medo de tudo o que não conseguem pronunciar. O objetivo é justamente o contrário: entender melhor. Um ingrediente ter um nome difícil não significa, por si só, que ele seja ruim. É importante entender qual é a função dele naquela fórmula, mas também conhecer os possíveis impactos para a saúde. A partir dessas informações, o consumidor consegue avaliar se aquele produto realmente faz sentido para a sua rotina ", explica.

A lista de ingredientes pode trazer diferentes grupos de componentes, como agentes de limpeza, óleos e emolientes, proteínas, conservantes e fragrâncias. Em linhas gerais, os primeiros ingredientes da composição representam uma parcela importante da fórmula, por isso observar o começo da lista pode ser um primeiro passo para quem está aprendendo a ler os rótulos.

Outro cuidado é não escolher um produto apenas pelas palavras destacadas na frente da embalagem. "Às vezes, a gente compra pela palavra que está maior na embalagem. 'Natural', 'clean', 'para cabelos danificados', 'sem isso ou sem aquilo'. Mas o rótulo tem muito mais informação. A minha defesa é que o consumidor tenha curiosidade para olhar além da frente da embalagem", afirma Marina.

O cabelo também conta uma história

Não existe uma fórmula ideal para todo mundo. Cabelos cacheados, finos, secos, oleosos ou quimicamente tratados podem ter necessidades diferentes e é justamente aí que olhar os ingredientes pode fazer diferença.

Segundo Marina, alguns componentes merecem atenção de acordo com o tipo de cabelo e a sensibilidade de cada pessoa. Sulfatos, por exemplo, são agentes de limpeza comuns em shampoos e podem ser mais agressivos para alguns cabelos. Já os silicones ajudam a formar uma película sobre os fios e podem contribuir para a sensação de maciez, mas também podem não ser a melhor escolha para determinadas rotinas.

"Não é sobre olhar para um ingrediente e dizer que ele é bom ou ruim para todo mundo. É entender qual é a função dele e perceber como o seu cabelo e o seu couro cabeludo respondem. Um produto pode funcionar muito bem para uma pessoa e não ser a melhor escolha para outra", explica Marina.

A empreendedora também chama atenção para ingredientes que podem ser interessantes dependendo da necessidade dos fios. Glicerina, por exemplo, é usada por sua ação umectante, enquanto óleos vegetais, podem aparecer em fórmulas voltadas à nutrição e ao cuidado dos fios. "Quando você começa a entender esses nomes, deixa de escolher só pela promessa da embalagem. Você consegue olhar para o produto e pensar: isso faz sentido para o meu cabelo? É esse tipo de autonomia que eu gostaria que as pessoas tivessem", afirma.

Da experiência pessoal ao aplicativo

Foi a partir dessa inquietação que Marina criou a Be Clean, aplicativo que permite escanear cosméticos e consultar informações sobre os ingredientes presentes nos produtos, além de apresentar uma classificação que considera aspectos relacionados à saúde e ao impacto ambiental.

A proposta é facilitar o acesso a informações que já estão nos produtos, mas que nem sempre são fáceis de interpretar. "Eu não queria que a pessoa precisasse ser médica ou especialista em cosméticos para conseguir entender minimamente o que está comprando. A ideia nasceu dessa sensação de falta de autonomia que eu mesma tive. Quando você entende melhor, consegue fazer uma escolha mais consciente, inclusive escolher não comprar", diz.

A discussão ganha espaço em um momento em que o consumidor também passou a questionar mais a origem, a composição e os impactos dos produtos que consome. "Consumo consciente não é consumir perfeito. É consumir com mais informação. Às vezes, a escolha mais consciente é um produto que funciona para você, cabe no seu orçamento e cuja composição você conseguiu entender. O importante é não comprar no automático", destaca a CEO.

Um primeiro exercício para a próxima ida à farmácia

Para quem quer começar a prestar mais atenção aos rótulos, Marina sugere um exercício simples: escolher um produto que já faz parte da rotina e, antes de comprar novamente, olhar o verso da embalagem e entender sua composição.

Mais do que decorar nomes, a proposta é criar o hábito de questionar o que está sendo escolhido. "Durante muito tempo, a gente aprendeu a escolher cosméticos pela promessa: cabelo perfeito, pele perfeita, resultado imediato. Eu gosto de pensar em uma outra pergunta: o que tem aqui dentro e por que eu estou escolhendo isso? Não é sobre ter medo dos produtos. É sobre saber mais para poder escolher melhor", afirma.

Revista Malu Revista Malu
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