Aos 97 anos, britânica dá looping na asa de um avião: 'Absolutamente fantástico'
Um ano após se recuperar de um AVC, a britânica Betty Bromage voltou a desafiar os limites ao bater o próprio recorde e arrecadar recursos para o hospital que a tratou
A idade pode impor alguns limites ao corpo, mas nem sempre define até onde alguém pode chegar. A britânica Betty Bromage é um exemplo disso. Aos 97 anos, ela entrou novamente para o Guinness World Records ao se tornar, pela segunda vez, a mulher mais velha do mundo a praticar wing walking, modalidade em que a pessoa permanece presa sobre a asa de um avião durante o voo.
A aventura aconteceu na Inglaterra e teve um propósito que foi além da adrenalina. Um ano após se recuperar de um acidente vascular cerebral (AVC), Betty decidiu transformar o desafio em uma campanha para arrecadar recursos destinados à unidade hospitalar que cuidou de sua recuperação.
Um voo a mais de 200 km/h
A prova foi realizada em Gloucestershire, na Inglaterra. Presa por equipamentos de segurança à asa superior de um biplano, Betty enfrentou um voo que chegou a aproximadamente 225 km/h - em alguns momentos, o avião alcançou velocidades ainda maiores.
Durante a apresentação, o piloto executou manobras acrobáticas, incluindo um looping completo, deixando a britânica completamente de cabeça para baixo. O feito foi reconhecido oficialmente pelo Guinness World Records, superando o próprio recorde estabelecido por ela anos antes.
Um desafio com propósito
Mais do que quebrar um recorde, Betty quis transformar a experiência em um gesto de gratidão. Em agosto de 2025, ela sofreu um AVC que comprometeu temporariamente sua mobilidade e também resultou em uma fratura na pelve. Após o tratamento e a reabilitação, decidiu arrecadar recursos para a unidade especializada em AVC do Cheltenham General Hospital, hospital onde recebeu atendimento. A ideia era retribuir o cuidado recebido e ajudar outras pessoas que enfrentam a mesma situação.
"Quero fazer as coisas que ainda posso fazer"
Mesmo reconhecendo as limitações naturais do envelhecimento, Betty acredita que elas não devem impedir novas experiências. "Eu ficaria entediada com a vida se não fizesse isso. Quero fazer as coisas que ainda posso fazer. Acho isso absolutamente fantástico e, para mim, é um privilégio poder fazer isso", afirmou, à BBC News.
Em outra entrevista ao The Independent, refletiu sobre as mudanças trazidas pela idade. "Quando você envelhece, não pode ir aqui, não pode fazer aquilo, não pode dirigir, não consegue enxergar... Eu não enxergo muito bem, e isso me frustra um pouco. Então quero fazer as coisas que posso fazer. Acho isso absolutamente fantástico e, para mim, é um privilégio poder fazer isso". Seu entusiasmo é tanto que ela já pensa no próximo desafio para quando completar 100 anos.
A paixão pelos esportes radicais começou aos 87 anos
Curiosamente, Betty só descobriu o wing walking depois dos 80 anos. A inspiração surgiu ao assistir a um antigo comercial de televisão que mostrava uma mulher sobre a asa de um avião. Pouco tempo depois, já morando em uma residência assistida, percebeu que queria preencher a rotina com novas experiências.
"Lembro-me de que, há muitos e muitos anos, vi um comercial do chocolate Crunchie em que havia uma senhora em cima de um avião. (...) Eu tinha 87 anos na época e aquilo me veio à cabeça - pensei que gostaria de tentar."
Desde então, ela já realizou seis voos na modalidade. Mas essa não foi sua única aventura. Ao longo dos últimos anos, também encarou uma das tirolesas mais rápidas do mundo, no País de Gales, e fez rapel de um edifício de aproximadamente 49 metros de altura, sempre com o objetivo de arrecadar recursos para instituições beneficentes.
Coragem também inspira
A história de Betty Bromage mostra que envelhecer não significa abandonar sonhos ou deixar de experimentar novidades. Cada desafio escolhido por ela nasceu da vontade de transformar a própria experiência em algo positivo para outras pessoas.
Mais do que um recorde, seu voo se tornou um lembrete de que coragem, curiosidade e solidariedade podem acompanhar alguém em qualquer fase da vida - e que, às vezes, a melhor maneira de agradecer pela própria recuperação é ajudar a abrir caminho para a de outras pessoas.
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