Aos 61 anos, a supermodelo Paulina Porizkova quebra padrões de beleza e magreza extrema
Ícone dos anos 1980, a ex-modelo superou traumas de infância e abuso na indústria para se tornar a voz mais potente do envelhecimento natural
Ícone da moda nos anos 1980, Paulina Porizkova superou traumas de infância como refugiada, abusos na indústria fashion e a exclusão do testamento do ex-marido. Ao enfrentar o etarismo no mercado, a ex-modelo redefiniu sua trajetória e hoje, aos 61 anos, combate padrões de magreza e juventude eterna. Nas redes e em livro, ela exibe rugas e mudanças corporais sem filtros, transformando o envelhecimento real em um manifesto de autoaceitação, maturidade e dignidade feminina.
O rosto de Paulina Porizkova causou fascínio tanto na infância quanto na maturidade. Na década de 1980, ela consolidou-se como uma das supermodelos mais bem pagas do planeta, ilustrando capas da 'Vogue' e estrelando contratos milionários. Contudo, por trás do glamour e das luzes, a sua trajetória foi marcada por abandonos, exclusão e episódios de violência.
Nascida na antiga Tchecoslováquia em 1965, Paulina viu a sua vida mudar aos três anos, quando os seus pais fugiram da invasão soviética e a deixaram sob os cuidados dos avós. Dessa forma, a busca da família para recuperá-la transformou a menina num símbolo mediático da Guerra Fria, sendo constantemente fotografada sem compreender o contexto político ao seu redor. "Me faziam posar com um ursinho de pelúcia e uma cara triste, sem que eu entendesse o porquê. Eu só pensava: se eu fizer isso rápido, posso brincar de novo. Foi como ser modelo, anos depois", disse à 'BBC'.
Do trauma da imigração aos bastidores cruéis da moda
Após anos de separação, a sua mãe conseguiu resgatá-la numa travessia perigosa por campos minados rumo à Áustria. A reunião familiar, porém, trouxe novas dores. Logo na primeira noite, Paulina ouviu o pai revelar que apaixonara-se por outra mulher e desejava o divórcio.
"Ouvi meu pai explicar pacientemente e calmamente à minha mãe que ele havia conhecido outra pessoa enquanto ela estava presa na Tchecoslováquia e que não queria mais continuar casado. Lembro-me dela chorando baixinho e dizendo: 'Como você está me contando isso agora? Por que não disse nada antes? O que devo fazer?'", relembrou.
Anos mais tarde, estabelecida na Suécia, a jovem sofria assédio escolar severo. Numa tentativa desajeitada de se integrar, recorreu à maquiagem e a roupas da moda, mas a reação dos colegas foi violenta. O refúgio surgiu por acaso, quando um agente descobriu as suas fotografias e a convidou para trabalhar em Paris aos 14 anos. Por outro lado, o universo da moda revelou-se um ambiente hostil. Paulina enfrentou episódios frequentes de assédio e abuso sexual, encarados na época como algo normal na profissão.
Ver esse post no Instagram
Amor, perda e o choque do testamento
Em 1984, ao estrelar o videoclipe da banda The Cars, Paulina conheceu o vocalista Ric Ocasek. Apesar da grande diferença de idade e do comportamento dominador do músico, os dois casaram-se e tiveram dois filhos.
À medida que ela amadurecia e conquistava autonomia, a relação foi-se deteriorando. Em 2019, após cuidar de Ric durante o seu tratamento contra o câncer, a ex-modelo descobriu que ele a havia excluído completamente do testamento.
E assim, ao tentar retomar a carreira, Paulina deparou-se com o preconceito de idade velado da indústria. "Tive uma reunião com minha agente de modelos e comecei a dizer: 'Não é que eu queira reviver minha carreira de modelo...' e ela riu e disse: 'Não é como se você pudesse revivê-la'"
A revolução do envelhecimento real nas redes sociais
Em vez de se calar, a ex-modelo transformou a rejeição numa causa. Através do Instagram e do seu livro 'Unfiltered', passou a exibir rugas, cicatrizes e as transformações naturais do seu corpo aos 61 anos.
Recentemente, ao responder a críticas de seguidores sobre não ter mais a barriga totalmente chapada, a modelo compartilhou fotografias sem filtros e desabafou. "Sim, obrigada. Sei que posso perder peso. Posso comer menos e me exercitar mais. Posso fazer lipoaspiração ou congelar a gordura extra em pequenos blocos. Meu ponto era e é: resistir ao envelhecimento exige muito tempo e dinheiro. E neste momento da minha vida, estou mais confortável neste corpo do que nunca", desabafou.
Da mesma forma, ao relembrar a sua juventude, revelou que sentia-se muito mais insegura aos 21 anos do que hoje. "Amanhã, farei 61 anos e sei que isso pode parecer loucura para vocês, mas há 40 anos, quando eu tinha 21 e estava no auge da minha carreira como supermodelo, foi quando me senti mais insegura(...) Então hoje, estou experimentando este biquíni fofo de verão e flexionando os músculos que venho trabalhando duro para eliminar a celulite, não necessariamente para ficar com a melhor aparência possível neste biquíni, mas para me sentir melhor nesta sexta década de vida", relatou.
Ao casar-se recentemente aos 61 anos, Paulina fez apenas um pedido à equipa de beleza: "Quero parecer a melhor versão dos meus 61 anos. Não de qualquer outra idade".
Em suma, a trajetória de Paulina Porizkova é uma inspiração sobre como envelhecer com dignidade, autoestima e verdade, mostrando que a verdadeira beleza não reside em apagar o tempo, mas em viver plenamente cada etapa da vida.
Ver esse post no Instagram
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.