Aos 10 anos, menino é aprovado em vestibular de Engenharia: 'Nunca é cedo demais'
Aos 10 anos, Marcelinho conquistou o 3º lugar no vestibular de Engenharia Mecânica da Unifor; menino superdotado já acumula mais de 150 medalhas e sonha em ser astronauta
Aos 10 anos, o estudante baiano Marcelo Gomes Viana Lopes conquistou o terceiro lugar no vestibular de Engenharia Mecânica da Universidade de Fortaleza. Diagnosticado com altas habilidades e detentor de mais de 150 medalhas científicas, Marcelinho sonha em ser astronauta, inspirado pelo pai. Embora a legislação o impeça de cursar a graduação por estar no 7º ano, o jovem celebra a aprovação histórica, mantendo uma rotina de divulgação científica e brincadeiras típicas da infância.
Enquanto muitas crianças de sua idade estão começando a descobrir quais profissões desejam seguir, Marcelo Gomes Viana Lopes, conhecido como Marcelinho, já deu um passo surpreendente em direção ao futuro. Aos 10 anos, o estudante baiano conquistou a terceira colocação no vestibular de Engenharia Mecânica da Universidade de Fortaleza (Unifor), no Ceará.
O resultado, divulgado em 2 de outubro, chamou a atenção não apenas pela pouca idade do candidato, mas também por sua trajetória acadêmica. Atualmente no 7º ano do ensino fundamental, Marcelinho já reúne mais de 150 medalhas em competições científicas e alimenta um sonho que vai muito além das salas de aula: tornar-se astronauta.
No Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, o garoto aproveitou a repercussão da conquista para compartilhar uma mensagem de incentivo nas redes sociais. "O registro é importante para todas as crianças, porque nunca é cedo demais para realizar seus sonhos", afirmou.
Apesar da aprovação, Marcelinho ainda não poderá começar a faculdade. Isso porque a legislação brasileira exige a conclusão do ensino médio para o ingresso no ensino superior. Ainda assim, a experiência representou uma conquista importante em sua trajetória.
Primeira experiência no vestibular
Mesmo acostumado a participar de competições acadêmicas, Marcelinho enfrentou uma situação inédita ao realizar sua primeira prova de vestibular. Cercado por candidatos mais velhos e diante da estrutura de uma universidade, ele admitiu ter sentido um frio na barriga. "Não vou mentir, fiquei nervoso porque era meu primeiro dia fazendo o vestibular e também porque a universidade era gigante, tinha pessoas bem mais velhas que eu", relembrou.
A escolha do curso também tem uma motivação especial. O pai do menino, Marcelo Viana Barbosa Lopes, é engenheiro mecânico formado pela Universidade Federal da Bahia (Ufba) e atua como perito criminal. Para Marcelinho, a profissão representa uma oportunidade de seguir os passos de uma de suas maiores referências. "Ele sempre foi a minha maior inspiração. É por ele que eu quero ser engenheiro", contou.
Uma trajetória marcada pela facilidade de aprender
O interesse de Marcelinho pelo conhecimento começou ainda nos primeiros anos de vida. De acordo com a família, ele já conseguia ler e escrever aos dois anos, demonstrando habilidades de aprendizagem bastante avançadas para sua faixa etária.
Aos seis anos, avaliações identificaram suas altas habilidades intelectuais. O menino também passou a integrar organizações internacionais voltadas a pessoas com resultados elevados em testes de inteligência, como a Mensa e a Intertel.
Em 2024, uma nova oportunidade trouxe mudanças para toda a família. Após conquistar uma bolsa integral no Colégio Farias Brito, em Fortaleza, Marcelinho deixou Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, e se mudou para a capital cearense com os pais.
Na nova escola, passou a integrar uma turma dedicada à preparação para olimpíadas do conhecimento, ampliando suas oportunidades de aprendizado e participação em competições.
Mais de 150 medalhas e interesse pela ciência
A aprovação no vestibular está longe de ser a primeira conquista acadêmica de Marcelinho. Mesmo tão jovem, ele já acumulou mais de 150 medalhas em olimpíadas científicas, com participações em áreas como matemática, física, química e robótica.
Seu interesse também se estende à astronomia. Entre as experiências, está a participação em um programa de busca por asteroides associado à Nasa, que permite aos estudantes entrar em contato com atividades de investigação científica.
Em 2026, o garoto também foi aprovado no processo seletivo da Escola Preparatória de Cadetes do Ar (Epcar). Entretanto, assim como aconteceu com a universidade, não pôde prosseguir devido às exigências de idade.
As conquistas evidenciam uma trajetória de dedicação aos estudos, mas também reforçam a importância de oferecer estímulos adequados às necessidades e aos interesses de crianças com altas habilidades ou superdotação.
O sonho de se tornar astronauta
Se depender dos planos de Marcelinho, a Engenharia Mecânica poderá ser apenas uma etapa de uma jornada ainda maior. O menino deseja trabalhar como astronauta, unindo sua paixão por ciência, tecnologia e exploração espacial.
E ele não pretende guardar tudo o que aprende apenas para si. Por meio do canal Marcelinho Ensina, no YouTube, e de seu perfil no Instagram, compartilha conteúdos educativos sobre matemática, física e química.
Com explicações e curiosidades, o estudante procura despertar o interesse de outras crianças pelo universo científico. Ele também participa de projetos de divulgação da ciência e atua como embaixador mirim do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Entre os estudos, também existe espaço para a infância
Apesar da rotina repleta de atividades acadêmicas, Marcelinho faz questão de mostrar que sua vida não se resume a provas, medalhas e livros. Como outras crianças de sua idade, ele gosta de jogar videogame, nadar, praticar jiu-jítsu, brincar e aproveitar os momentos com a cachorrinha da família.
Para o garoto, desenvolver suas habilidades intelectuais não significa deixar de viver as experiências próprias da infância. "Eu ainda tenho uma infância, sou uma criança normal, mesmo gostando de estudar e passando no vestibular. Isso não anula minha infância", afirmou.
A história de Marcelinho chama a atenção pelo desempenho acadêmico, mas também traz uma reflexão importante: incentivar os talentos de uma criança não deve significar antecipar todas as etapas de sua vida. O acesso a oportunidades de aprendizagem pode caminhar lado a lado com o direito de brincar, descansar, conviver e descobrir o mundo no próprio ritmo.
Mais do que a aprovação em uma universidade, sua trajetória mostra como o apoio familiar, as oportunidades educacionais e a curiosidade podem contribuir para o desenvolvimento de interesses e habilidades desde cedo.
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