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Alerta na infância: Ansiedade se torna a maior causa de incapacidade entre crianças no Brasil

Estudo revela que problemas emocionais já superam doenças físicas no impacto do dia a dia e acende sinal vermelho para pais e educadores

16 ago 2026 - 07h22
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Antes mesmo de completarem dez anos de idade, muitas crianças no Brasil já enfrentam um desafio silencioso dentro de casa e na escola. Em vez de problemas físicos, é a saúde mental que tem gerado as maiores limitações na rotina dos pequenos.

Pesquisa publicada na The Lancet mostra que a ansiedade é a principal causa de incapacidade entre crianças de 5 a 9 anos no Brasil; entenda
Pesquisa publicada na The Lancet mostra que a ansiedade é a principal causa de incapacidade entre crianças de 5 a 9 anos no Brasil; entenda
Foto: fizkes/iStock / Getty Images Plus / Bons Fluidos

Nesse sentido, um estudo publicado na prestigiada revista científica, The Lancet Regional Health - Americas, trouxe um alerta urgente. Os transtornos de ansiedade se tornaram a principal causa de incapacidade entre crianças de 5 a 9 anos no país.

Com base nos dados do Estudo da Carga Global de Doenças de 2023, os pesquisadores calcularam que mais de 15 milhões de brasileiros entre 5 e 29 anos vivem com algum transtorno mental. Em termos práticos, isso significa que cerca de 20,9% da população jovem do país enfrenta dores invisíveis todos os dias.

Por que a ansiedade é causa de incapacidade?

Ao ouvir o termo incapacidade, muitas pessoas pensam imediatamente em limitações físicas ou motoras permanentes. Contudo, no contexto da saúde mental, o conceito avalia o impacto real da condição na qualidade de vida do indivíduo.

Por outro lado, trata-se do prejuízo diário que o sofrimento emocional causa ao aprendizado escolar, às amizades, ao convívio familiar e às atividades mais simples do cotidiano. Segundo os cientistas, a ansiedade hoje limita mais o desenvolvimento das crianças brasileiras do que qualquer outra enfermidade física monitorada.

Como a ansiedade se transforma ao longo da vida

O impacto emocional não é estático; ele muda de cara conforme o amadurecimento. Da mesma forma que o corpo se modifica, os sintomas emocionais evoluem ao longo da infância e da juventude:

  • De 5 a 9 anos: Predomina a ansiedade de separação, marcada por um pavor intenso e sofrimento extremo quando a criança precisa se afastar dos pais ou cuidadores.

  • Adolescência: A ansiedade social ganha força, manifestando-se como um medo paralisante do julgamento alheio e das interações interpessoais.

  • Início da vida adulta: Tornam-se mais comuns o transtorno de ansiedade generalizada, a síndrome do pânico e a depressão.

Diante disso, os especialistas reforçam que não existe uma fórmula única de cuidado. O atendimento precisa ser moldado de acordo com cada fase da vida.

Um panorama preocupante entre os jovens

Os números revelam que a vulnerabilidade aumenta com a idade. Mais de 10% das crianças de 5 a 9 anos cumprem critérios para transtornos mentais. Essa taxa sobe gradativamente na adolescência e atinge quase 25% entre os jovens de 25 a 29 anos.

A partir dos 15 anos, a ansiedade e a depressão assumem os dois primeiros lugares como os maiores fatores de incapacidade no Brasil. Enquanto o impacto dessas condições é mais expressivo entre meninas e mulheres, os jovens do sexo masculino passam a apresentar maior incidência de problemas relacionados ao uso de álcool e drogas após os 20 anos. Somado a isso, o estudo aponta um dado alarmante: o suicídio já é a terceira maior causa de morte prematura entre jovens de 15 a 29 anos no país, atingindo majoritariamente o público masculino.

O caminho para a prevenção e o apoio precoce

Infelizmente, a busca por ajuda médica e psicológica costuma acontecer tarde demais, quando o quadro já está grave. Para mudar essa realidade, os pesquisadores sugerem ações preventivas fundamentais:

  • Identificar os primeiros sinais de sofrimento psíquico ainda na primeira infância;

  • Facilitar a busca por tratamento para quadros leves e moderados na rede pública;

  • Capacitar o ambiente escolar para reconhecer os sintomas precocemente;

  • Garantir a transição contínua do atendimento de saúde mental quando o jovem atinge a maioridade.

Em suma, cuidar da mente das crianças precisa deixar de ser um atendimento de emergência para se tornar uma prioridade constante em nossa sociedade.

Bons Fluidos
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