Além das agulhas: como a acupuntura atua no cérebro e no corpo para desarmar a dor crônica
Reconhecida pela medicina brasileira, técnica milenar reduz o uso de analgésicos e alivia dores físicas e psicológicas
A imagem de diversas agulhas finas inseridas em partes específicas do corpo pode causar estranhamento à primeira vista. No entanto, a prática tem fundamento científico e cinco milênios de história. Vinda da Medicina Tradicional Chinesa, a acupuntura consolidou-se como um dos principais métodos multimodais no Brasil para o controle de dores e desconfortos físicos e psicológicos, sendo oficialmente reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em 1995.
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Hoje, grandes centros médicos do país adotam a técnica na rotina de tratamento para quadros de tensão muscular, cervicalgia (dor no pescoço), neuralgia, osteoartrite e fibromialgia.
O médico acupunturista Doutor Eduardo Guilherme D’Alessandro, diretor do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP), explica que o método é uma excelente alternativa para quem enfrenta dores fortes:
“A acupuntura busca tratar infecções de longa duração se utilizando de diversas estratégias. É uma ótima alternativa contra a dor, já que oferece poucos riscos e poucas reações adversas, quando realizado por um profissional especializado”, afirma.
Para todas as idades e com técnicas variadas
De acordo com o médico, o tratamento é democrático e não tem restrições de idade — atende desde crianças até idosos —, embora os adultos e os mais velhos sejam os que mais procuram os consultórios.
Para alcançar o alívio, cada profissional adota métodos de preferência adaptados ao quadro de cada paciente. Entre as vertentes da técnica, destacam-se:
Auriculoterapia: Aplicação de agulhas em pontos específicos da orelha para mapear e tratar diferentes disfunções físicas e psicológicas.
Estimulação Elétrica Transcutânea (TENS): Técnica complementar que utiliza eletrodos fixados à pele para enviar correntes elétricas de baixa voltagem, potencializando o alívio das dores.
Menos remédios, mais qualidade de vida
Um dos principais impactos positivos apontados pelos especialistas é a redução direta no uso de analgésicos e anti-inflamatórios. Segundo a Doutora Lucília de Brito Tavares, também acupunturista e diretora do CMAeSP, diversos estudos sugerem que a terapia reduz o consumo dessas medicações à medida que controla e diminui os estímulos de dor.
No entanto, os médicos alertam que o tratamento não faz milagres sozinho e exige uma mudança global de postura.
“A acupuntura é uma excelente opção para muitos pacientes com dor crônica, mas não deve ser encarada como uma solução universal ou isolada. O ideal é que cada caso seja avaliado individualmente por um médico”, pontua a Doutora Lucília.
Para potencializar os efeitos das agulhas — especialmente no inverno, período do ano em que as dores costumam piorar —, a médica reforça a importância de combinar a terapia a uma rotina de hábitos saudáveis, como:
- Prática regular de atividades físicas e alongamentos;
- Sono de qualidade;
- Uso de roupas quentes nos dias frios;
- Busca pelo equilíbrio da saúde mental.
Por fim, os diretores do CMAeSP relembram que o sucesso e a segurança do procedimento dependem obrigatoriamente da escolha de um profissional devidamente habilitado. Mesmo quando o paciente apresenta melhora significativa, a constância do acompanhamento médico continua sendo essencial, principalmente para aqueles que convivem com doenças crônicas ou utilizam medicações de uso contínuo.
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