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Alejandra de Pedro, psicóloga: "Muitas pessoas não aprenderam a tolerar as sensações físicas da ansiedade, e tomar um comprimido proporciona alívio"

Especialistas alertam que respostas rápidas podem reforçar padrões que mantêm o sofrimento ao longo do tempo

24 fev 2026 - 15h36
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Foto: Minha Vida

Todas as noites, o gesto se repete: abre a gaveta, pega o comprimido, deixa que ele se dissolva lentamente sob a língua. Não é uma exceção, mas uma tendência generalizada que transformou os ansiolíticos em parte do kit de medicamentos do dia a dia de muitas pessoas na Espanha. Um hábito que revela mais do que uma epidemia de insônia: uma sociedade inteira lidando com o mal-estar emocional sem ferramentas suficientes para administrá-lo.

Nomes como lorazepam, alprazolam ou diazepam deixaram de pertencer apenas ao vocabulário médico. Hoje fazem parte da linguagem cotidiana, reflexo de uma realidade cada vez mais comum: o uso disseminado de ansiolíticos para lidar com estresse, insônia ou ansiedade do dia a dia.

Segundo dados do Consejo General de la Psicología de España e da Organización de Consumidores y Usuarios (OCU), mais de 42% da população consumiu benzodiazepínicos nos últimos cinco anos. Entre jovens de 25 a 29 anos, o índice chega a 59%. Não é uma exceção geracional, mas uma normalização do mal-estar com receita médica.

Nem sempre há um diagnóstico por trás. Às vezes, o comprimido aparece para aliviar um desconforto pontual, uma noite difícil, um dia que sai do controle. Sem terapia, sem acompanhamento real. Apenas a receita rápida, sem tempo ou recursos para algo além.

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