A falta de propósito pode estar por trás do seu burnout
A prática ajuda a acalmar a mente e recuperar a essência; descubra como pequenas atitudes de auto-observação, respiração e desapego da performance podem devolver o sentido à sua rotina
Para a Psicologia, o burnout é a síndrome do esgotamento, já na visão do Yoga, a condição mental é a falta de dharma, de um propósito. E se você parar para pensar, até que faz sentido, pois quando ficamos completamente exauridos, acabamos perdendo nossa essência, né? Vem aquela desmotivação de tudo, até o que mais adoramos e nos deixa bem para de ter significado. Dessa forma, neste instante, o melhor a se fazer é procurar o que te nutre.
O burnout não chega do nada
O burnout não chega do nada. A sensação de desinteresse pela vida vai se acumulando com o tempo, e o corpo dá sinais antes de a mente pifar. Sendo assim, o melhor a ser feito, na opinião da professora de yoga e estudante de Psicologia, Gabriela Paes, é refletir sobre o que faz sentido. "Para o bem-estar acontecer devemos nutrir o que nos faz bem. Então pense como é possível viver uma vida com mais propósito, avalie quais são os seus valores e o que é importante sustentar na rotina para não ocorrer a desconexão", aconselha.
O yoga além da prática física
E o yoga pode lhe ajudar nesta tarefa de auto-observação, pois sem isso, não conseguimos nos fixar no presente. "O corpo é o nosso mapa. Tem algumas respostas que procuramos fora, mas elas estão aqui dentro", considera. Porém, ele não precisa acontecer dentro do mat, o famoso tapetinho. "É se observar e falar: 'Nossa, acordei um pouco mais agitada hoje', ou triste. E então sentar-se e se autorregular com uma meditação de dez minutos, por exemplo, ou até mesmo fazendo exercícios de respiração, acompanhados de uma vela cheirosa ou um óleo essencial", ilustra.
Ademais, a prática milenar também incentiva o sancalpa, que nada mais é a intenção. E na opinião da especialista, esta também é uma forma de dar uma animada no dia. "Comece sua manhã intencionando pensamentos positivos. Queira para si o melhor que uma pessoa querida, que ama muito você, poderia desejar. Isso muda a vibração do momento", atesta.
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O exercício colaborando com a mente
Porém, se você precisa da prática do yoga para não surtar, experimente não levar tudo tão a sério. "É comum que pessoas que têm um quadro de burnout sejam muito perfeccionistas, rígidas consigo, se cobrem muito, e nós estamos vivendo um momento no qual a performance é muito valorizada. Ou seja, a tendência é irem para a aula e quererem fazer todas as posturas. Mas é importante lembrar que a ioga também serve para se observar e descansar. Lá, você não precisa provar nada para ninguém", aponta.
"Então a minha dica é que realmente esse alguém faça uma aula sem cair nesse mesmo lugar que vai ou pode ter levado para o burnout. Todo mundo pode estar performando ao lado, mas neste momento, no meio do flow, ele pode ir para a postura da criança. Não tem problema algum, sabe? É inclusive um gesto gentil, de autoamor. É importante se desligar de tudo, porque fazer o melhor não vai fazer você performar mais, porém, descansar, sim, isso pode te ajudar a evoluir", opina.
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Use suas ferramentas para o burnout, mas busque ajuda
Assim, aos poucos, é possível sair deste estado da mente conturbada e desmotivada. "Ao longo do tempo, esses diálogos internos, rídigos, de auto-cobrança e crítica vão se desfazendo e, assim, se torna possível construir um relacionamento melhor consigo. Eu gosto muito de falar que isso são ferramentas dentro de uma malinha que temos para lidarmos com emoções difíceis, desafios e os momentos de crise", comenta.
Porém, elas servem somente para eventos pontuais, aqueles impasses que vão acontecer uma hora ou outra. "É importante mesmo fazer terapia, assim, torna-se possível mudar os gatilhos que estão sempre presentes na nossa rotina, nos forçando a ir para lugares difíceis. Se não, você vai ser sempre refém e não vai conseguir com que a frequência das suas reações diminua", conclui.
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