5 mitos sobre o leite que você precisa parar de acreditar
Especialistas elencam as maiores mentiras sobre o alimento e explica da uma delas
O leite infelizmente tem sido uma das vítimas das informações falsas e mitos que não têm nenhuma comprovação
Milhões de pessoas consomem leite no dia a dia, mas dúvidas, desinformação e até crenças equivocadas ainda cercam esse alimento — principalmente na internet. Entre opiniões sem base científica e conteúdos superficiais, muita gente acaba deixando de consumir o alimento ou criando receios desnecessários.
Para não cair nas armadilhas das falsas informações e deixar de usufruir os vários benefícios que esse importante alimento pode oferecer, confira cinco mitos sobre sobre o leite.
1 - O leite é um alimento inflamatório
Essa é uma mentira recorrente, e que pode estar impactando no não cumprimento da meta definida pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que preconiza o consumo de 200 litros per capita anuais, para uma dieta considerada saudável e balanceada. De acordo com a nutricionista Carolina Nobre, que atua no centro clínico Órion Complex, em Goiânia, esse questionamento se difundiu muito em conteúdos sensacionalistas da internet.
Segundo ela, o leite não é inflamatório para a grande maioria da população mundial. "Na verdade, o que existe são particularidades de cada organismo, e essas afirmações generalistas só colaboram para a desinformação", explica a nutricionista.
Segundo a nutricionista, é um equívoco atribuir ao leite, em especial o de vaca, o poder de inflamar ou não a um único alimento. "Temos que olhar para o contexto da alimentação. Uma pessoa que tem em sua rotina o hábito de comer muitos alimentos industrializados, embutidos, e cheios de conservantes, cria um contexto propício para essa inflamação do corpo. A verdade é que apenas pessoas com alergia à Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV) ou intolerância à lactose podem ter desconforto após o consumo. E mesmo assim, aquelas que têm intolerância podem consumir o leite sem lactose ou fazer uso de medicamentos que ajudam na digestão da lactase", explica a nutricionista.
2. O leite desnatado é leite integral com água
Essa é outra mentira antiga sobre o leite de vaca. O leite, naturalmente, já é composto por 87% de água, mas em momento algum nos processos de esterilização e de pasteurização é inserido água no alimento, seja o leite integral, semidesnatado ou desnatado. De acordo com Vinícius Junqueira, diretor da indústria de laticínios Marajoara, em Goiás, o que diferencia esses três tipos de leite é o percentual de gordura em cada um.
"Os leites desnatados ou semidesnatados, nada mais são do que o leite integral com um percentual de gordura bem menor. Não há inserção de água nesse processo, só a redução da quantidade de gordura. A redução desse teor não afeta em nada o nível de nutrientes, que são a vitaminas, proteínas e sais minerais. Se reduz apenas a gordura do leite", explica o diretor da indústria.
3. É necessário ferver a caixinha antes de consumir
Com o processo UHT (Ultra High Temperature ou Ultra Alta Temperatura) e as embalagens longa vida, você não precisa ferver o leite, a menos que prefira consumi-lo quente ou morno.
Vinícius explica que o UHT é um processo de esterilização que elimina 99,9% das bactérias do leite, não sendo necessário fervê-lo antes do consumo. E o envase em embalagem asséptica, hermética e sem contato com a luz, assegura a conservação do alimento fora de refrigeração por até quatro meses. Ele lembra, porém, que após abrir a embalagem, você deve manter o leite refrigerado e consumi-lo em até três dias. "Com o uso da técnica UHT e das embalagens longa vida é possível transportar o produtor para distâncias bem maiores e com isso chegar a muito mais pessoas", diz.
4. Alergia e intolerância à lactose são a mesma coisa
De acordo com a nutricionista Yumi Kuramoto, nutricionista que atende no Órion Complex, em Goiânia, intolerância à lactose e alergia ao leite são coisas bem diferentes e requerem cuidados específicos no consumir do alimento.
Segundo ela, a alergia é um quadro mais grave em que o sistema imunológico da pessoa reage a determinados alimentos ou alguns de seus componentes. Para algumas pessoas, o leite pode ser um desses alimentos alérgicos, e nessa situação o seu consumo deve ser totalmente restringido. Já a intolerância à lactose não é uma alergia, mas sim uma dificuldade maior de digerir esse açúcar existente no alimento. "Essa é uma reação que pode ou não ocorrer e varia de pessoa para para pesso. Inclusive, pode ser que a intolerância não se manifeste numa determinada fase de vida, mas ocorra em outro momento", esclarece a nutricionista.
Ela destaca que hoje existem medicamentos que auxiliam na digestão da lactose e também opções de leite sem lactose, já com esse açúcar processado. "Vale lembrar que os sintomas de alergia costumam ser bem mais intensos e graves do que a intolerância alimentar, que em geral se restringem a um desconforto intestinal", alerta Yumi.
5. O leite UHT é totalmente modificado e cheio de substâncias tóxicas
Em reportagem publicada no site do órgão, em 23 de abril de 2023, o MAPA esclarece que o processo térmico UHT nada mais é do que um tratamento ao qual o leite de vaca é submetido para eliminar microorganismos patogênicos — que fazem mal à saúde — e deteriorantes, que são bactérias que estragam o produto.
O processamento térmico não tem nenhuma relação com a adição de substâncias tóxicas para conservar o alimento. Na verdade, o tratamento é uma esterilização que também garante que o leite se mantenha em temperatura ambiente sem a necessidade de refrigeração. Inclusive, a adição de conservantes no leite de caixinha é proibida por lei no Brasil e fiscalizada pelo Mapa.
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