Minorias faturam US$ 23 mi com projeto de inclusão
Integrare cria rede com pequenas empresas de negros, deficientes e índios que fornecem produtos e serviços a grandes companhias
A organização não-governamental Integrare está comemorando o resultado alcançando em 2008 pelas empresas que fazem parte de sua rede, que redundou em volume de negócios de US$ 23 milhões, valor 20 vezes superior ao registrado em 2003, e já faz planos para os próximos anos. Mal o ano começou e a ONG já comemora a conquista de duas novas associadas: a Marsh, maior corretora de seguros do mundo, e a VisaNet, empresa responsável pelo relacionamento com os estabelecimentos do Sistema Visa. De acordo com Ricardo Vellutini, presidente do conselho consultivo do Integrare, a organização quer ampliar, até 2010, o número de empresas associadas, cadastradas e as transações entre elas.
Empresas do Integrare elogiam qualidade dos cursos
"Nossa meta para 2010 é aumentar o número de companhias associadas de 40 para 55 e o de empresas fornecedoras cadastradas de 280 para 550. Quanto ao volume de negócios, o objetivo é o de que ele chegue a US$ 55 milhões", explica Vellutini, que também é presidente da DuPont Brasil. Para alcançar os objetivos projetados, a ONG criou três grupos de trabalho que vão atuar junto a fornecedores, associados e à promoção de negócios.
Inclusão empresarial - O programa desenvolvido pelo Integrare desde 1999, data de sua fundação, visa promover a integração e o desenvolvimento econômico de empreendedores de grupos tradicionalmente discriminados e economicamente desfavorecidos - negros, portadores de deficiência e indígenas -, tornando-os fornecedores de grandes companhias. "Nós trabalhamos nessas três frentes, no momento, mas o que queremos, de fato, é trazer para o mercado gente que não tem acesso à economia", explica o presidente do conselho do Integrare.
Entre os proprietários de empresas de fornecedores da rede Integrare, 80% são negros, 15% são portadores de deficiência e 5% indígenas. "Estamos desenvolvendo uma rede sustentável de negócios, que envolve grandes companhias e empresas fornecedoras credenciadas. As ações não têm caráter assistencialista. Uma organização associada só fecha negócio com um fornecedor da rede, se ele for realmente capaz de entregar serviços ou produtos de alta qualidade a preços competitivos", afirma o presidente do conselho da ONG.
De acordo com Vellutini, as parcerias com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, o Sebrae, e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) ajudam na formação dos empresários, melhorando a qualidade e competitividade de seus produtos e serviços, tornando-os mais aptos a participar da rede Integrare e a se tornar fornecedores das companhias associadas. Entre as vantagens obtidas pelas empresas fornecedoras ao participar da rede estão oportunidades de negócios, acesso a grandes clientes, conscientizados e interessados em fazer negócios, ganho de competitividade, qualificação profissional.
Ampliação da rede - Vellutini adianta que pretende realizar ao longo do ano contatos com dirigentes de diversas empresas para apresentar o Integrare. "Vou mostrar o programa e a sua importância para o setor e para a sociedade. É preciso deixar claro que a mudança de modelo não é fácil. Como em qualquer processo há acertos e falhas", diz. De acordo com o dirigente, os Programas de Responsabilidade Social só funcionam se os líderes de empresas estiverem convencidos da sua importância e da necessidade de enfrentar um processo de desenvolvimento e se os funcionários se apaixonarem por ele.
Para se associar ao Integrare, cada companhia desembolsa anualmente entre R$ 5 mil e R$ 20 mil, de acordo com o nível de seu faturamento. Os recursos são utilizados na manutenção da ONG e no trabalho de formação da base de fornecedores. Entre as companhias associadas ao Integrare estão: Delta, DuPont, Grupo Orsa, IBM, Xerox, Honda, Grupo Santander Brasil, Motorola, Coca-Cola, Merck Sharp&Dohme.