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Os EUA despejaram 96 milhões de bolas de plástico pretas em um reservatório para salvar sua água; 11 anos depois, a invenção tinha um custo que ninguém via

Porque uma tecnologia pode resolver um problema ambiental em uma cidade... e transferir parte de seu custo para outra região

4 nov 2026 - 15h08
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Resumo
Em 2015, Los Angeles cobriu um reservatório com 96 milhões de bolas plásticas para frear a evaporação durante uma seca histórica e evitar que a luz solar transformasse brometos em bromato cancerígeno. Embora o projeto de US$ 34,5 milhões prometesse poupar mais de 1,1 bilhão de litros de água por ano, a iniciativa gerou um paradoxo oculto: a própria fabricação das esferas exigiu um consumo hídrico massivo, revelando um custo ambiental que não havia sido previsto.
Os EUA despejaram 96 milhões de bolas de plástico pretas em um reservatório para salvar sua água. 11 anos depois, a invenção tinha um custo que ninguém via.
Os EUA despejaram 96 milhões de bolas de plástico pretas em um reservatório para salvar sua água. 11 anos depois, a invenção tinha um custo que ninguém via.
Foto: Xataka

Corria o ano de 2015 quando Los Angeles transformou um de seus principais reservatórios em um gigantesco experimento de "mar negro". A cidade lançou 96 milhões de bolas de plástico para proteger a água da contaminação e combater a evaporação em plena seca. A solução parecia brilhante no papel, mas escondia um paradoxo: fabricar aquelas bolas também consumia água — e muita.

96 milhões de bolas pretas

Em agosto de 2015, as imagens de milhões de esferas de plástico caindo sobre o reservatório de Los Angeles, em Sylmar, ganharam o mundo. A Califórnia atravessava uma seca histórica, que duraria de 2011 a 2017, e as autoridades buscavam formas de proteger suas reservas de água potável.

A resposta foi cobrir os cerca de 70 hectares da superfície do reservatório com 96 milhões de pequenas bolas pretas — uma intervenção de 34,5 milhões de dólares (cerca de R$ 189,5 milhões) que prometia evitar a perda de mais de 1,1 bilhão de litros de água por ano.

O verdadeiro inimigo era invisível

Embora a iniciativa tenha ficado famosa como uma solução contra a evaporação, seu objetivo principal era químico. A exposição da água à luz solar favorecia a transformação de brometos presentes no reservatório em bromato, um subproduto potencialmente cancerígeno cuja concentração é regulada na água potável.

As bolas bloqueavam cerca de 95% da luz solar, inibiam o crescimento de algas e reduziam a necessidade de usar cloro no tratamento da água. Além disso, a ideia não surgiu do nada: Los Angeles começou a ...

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