El Niño tem novo pico de aquecimento; saiba quais regiões do Brasil podem ser mais impactadas
Norte e Nordeste podem enfrentar combinação de calor e menos chuva, enquanto áreas do Sul apresentam tendência de precipitações acima da média
O El Niño atingiu marcas históricas de aquecimento no Pacífico e deve impactar o clima brasileiro até o início de 2027. Estima-se que 84% do país terá temperaturas acima da média na estação chuvosa. Enquanto o Norte e o Nordeste enfrentarão mais calor, seca severa e atrasos no plantio, o Sul deve registrar um aumento significativo nas precipitações, superando em até 29% a média histórica. Outros fatores atmosféricos também influenciarão a intensidade dos impactos regionais.
O El Niño de 2026 alcançou mais uma marca histórica. Em outubro, a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 ficou 2,47°C acima da média, maior anomalia já registrada para o mês nessa área usada para acompanhar a evolução do fenômeno.
O dado reforça a classificação do episódio como muito forte. Além do aquecimento do Pacífico, projeções para a estação chuvosa de 2026-2027 indicam que os efeitos podem aparecer de maneiras diferentes pelo Brasil, com maior calor em grande parte do território e alterações na distribuição das chuvas.
El Niño: aquecimento alcança novas marcas no Pacífico
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), na última semana de outubro, a anomalia na região Niño 3.4 chegou a +2,5°C. Já na Niño 3, área com relação importante com a variabilidade climática da América do Sul, a média mensal atingiu +3,56°C e o valor semanal chegou a +3,7°C. Esse último número superou os +3,6°C registrados em dezembro de 1982 na série semanal iniciada em 1981.
Próxima às costas do Peru e do Equador, a região Niño 1+2 também chamou atenção ao alcançar +4,6°C na última semana de outubro. O valor igualou a maior marca semanal dessa área, observada anteriormente em junho de 1983, embora sua influência sobre o clima brasileiro seja menor.
Os diferentes períodos de medição, contudo, não devem ser comparados diretamente. "É importante destacar que a comparação entre dados mensais e semanais requer cautela, pois representam períodos de referência distintos", explicou o meteorologista Leydson Dantas, em comunicado do Inmet.
O que pode acontecer com o clima brasileiro?
O fenômeno modifica a circulação atmosférica e, por consequência, pode interferir na quantidade e na distribuição das chuvas e nas temperaturas. Um estudo da empresa de tecnologia ambiental MORFO, divulgado pela 'CNN', estima que 84% do território brasileiro pode registrar temperaturas pelo menos 0,5°C acima da média histórica durante a estação chuvosa de 2026-2027.
Quando o assunto é precipitação, o cenário varia mais. A análise encontrou tendência de redução das chuvas em 38% do território. Outros 4% apresentam sinal de aumento, concentrado principalmente no Sul. Nos 58% restantes, os registros históricos não permitiram estabelecer uma relação estatística consistente entre o fenômeno e a quantidade de chuva.
Norte e Nordeste podem concentrar calor e menos chuva
A combinação de temperaturas mais elevadas e redução das precipitações pode atingir com maior intensidade partes do Norte e Nordeste. Na Região Norte, 55% da área analisada apresenta tendência simultânea de mais calor e menos chuva. Nos pontos da Amazônia em que a influência do fenômeno aparece de forma mensurável, a projeção indica redução de 16% nas precipitações e temperaturas cerca de 0,9°C acima da média.
No Nordeste, esse cenário pode alcançar 47% da região. Para a Caatinga, a estimativa aponta queda de 22% no volume de chuva. O Cerrado também aparece entre as áreas que podem sentir mudanças, com projeção de 15% menos precipitação e aumento de aproximadamente 0,8°C na temperatura.
Sul pode registrar aumento das chuvas
No extremo oposto, partes da Região Sul apresentam tendência de maior umidade durante o episódio. No Pampa, 97% da área analisada apresenta sinal de aumento das precipitações. A estimativa indica volume cerca de 29% superior ao observado em condições consideradas neutras.
As projeções oficiais para o trimestre entre novembro de 2026 e janeiro de 2027 ainda apontam maior probabilidade de chuva acima da média no Sul e em partes do Sudeste e Centro-Oeste. Por outro lado, grande parte do Norte e setores do Nordeste e Centro-Oeste apresentam tendência de precipitações abaixo do normal.
El Niño também pode atrasar a estação chuvosa
Além de mudar a quantidade de água que cai em determinadas regiões, o fenômeno pode interferir no momento em que as chuvas se estabelecem. Em Curuá, no Pará, por exemplo, o estudo da MORFO estima que a estação chuvosa possa começar aproximadamente 74 dias mais tarde do que ocorreria em um ano neutro.
Nas regiões agrícolas analisadas, também aparecem possíveis atrasos de 43 dias na área de Ilhéus e Itabuna, na Bahia; 41 dias em Santarém; e 34 dias em Altamira, ambas no Pará. Mudanças desse tipo podem afetar decisões relacionadas ao plantio, à preparação do solo e à disponibilidade de água, sementes e mudas. O episódio começou a se configurar em junho e apresentou aquecimento acelerado nos meses seguintes.
As projeções indicam que ele deve permanecer ativo pelo menos até o início de 2027. Entretanto, o El Niño não determina sozinho as condições do tempo. A intensidade do fenômeno, o período do ano e outros sistemas atmosféricos também interferem nos efeitos observados em cada região. Por isso, o monitoramento das próximas semanas será importante para acompanhar sua evolução.
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