Nação insular começa a vender sua cidadania por R$ 460 mil, fornecendo acesso sem visto a mais de 85 destinos, para financiar luta climática
Trata-se de um dos primeiros países a apresentar esses passaportes como uma ferramenta de financiamento climático
Enquanto grande parte do mundo ainda discute como financiar a adaptação às mudanças climáticas, um pequeno país do Pacífico decidiu não esperar. Nauru começou a vender sua cidadania por cerca de US$ 90 mil (R$ 460 mil) com um objetivo muito específico: arrecadar o dinheiro necessário para transferir a maior parte de sua população para longe de um litoral que o mar vem tomando pouco a pouco.
Um passaporte transformado em um plano de sobrevivência. Durante anos, os chamados "passaportes dourados" serviram para atrair investimentos estrangeiros ou captar grandes fortunas. Nauru decidiu dar a eles um uso completamente diferente.
Seu programa permite obter a cidadania mediante uma contribuição financeira que garante acesso sem visto ou com visto na chegada a mais de 85 destinos, entre eles Singapura, Hong Kong e Reino Unido. Mas o verdadeiro produto que o país está vendendo não é a mobilidade internacional: é uma forma de financiar a própria sobrevivência diante do avanço do oceano.
O problema de viver em uma ilha que já não tem para onde crescer
Com apenas 21 quilômetros quadrados de área e cerca de 12.500 habitantes, Nauru enfrenta há décadas um problema que agora se tornou crítico. A exploração intensiva de fosfato durante boa parte do século 20 deixou cerca de 80% do interior da ilha devastado e inabitável, obrigando a população a se concentrar na estreita faixa litorânea.
Justamente essas áreas são as mais expostas à elevação do nível do mar, às marés extremas e à erosão ...
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