Script = https://s1.trrsf.com/update-1779108912/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Oferecimento Logo do patrocinador
Publicidade

Derretimento recorde na Groenlândia: cientistas alertam para nova fase das mudanças climáticas

Derretimento da camada de gelo da Groenlândia ameaça o nível do mar global; entenda causas climáticas, dados recentes e riscos ambientais

18 mai 2026 - 11h00
Compartilhar
Exibir comentários

O derretimento da camada de gelo da Groenlândia deixou de ser um fenômeno distante para se tornar um dos principais indicadores das mudanças climáticas em curso. Desde o início da década de 1990, cientistas registram um aumento expressivo na frequência e na intensidade dos eventos de fusão, alterando de forma consistente o equilíbrio de gelo no Ártico. Nos últimos anos, observações por satélite e medições em campo apontam para episódios de derretimento considerados sem precedentes na era moderna.

Relatórios recentes do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) e de centros de pesquisa como a NASA e a Agência Espacial Europeia mostram que a Groenlândia perdeu bilhões de toneladas de gelo por ano desde o fim do século XX. Esse processo não é linear: há anos com maior e menor perda, mas a tendência de longo prazo é clara. A camada de gelo, que por milhares de anos permaneceu relativamente estável, passa agora por um processo de aceleração de fusão intimamente ligado ao aquecimento global.

O que está causando o acelerado derretimento da Groenlândia?

A palavra-chave para entender o derretimento acelerado da Groenlândia é aquecimento climático, impulsionado pelo aumento dos gases de efeito estufa na atmosfera. Desde 1990, a temperatura média da superfície na Groenlândia subiu em ritmo mais rápido que a média global. Estudos indicam que boa parte desse aquecimento está relacionada às atividades humanas, como a queima de combustíveis fósseis, o desmatamento e mudanças no uso do solo.

O cenário é reforçado por medições que mostram verões mais quentes e períodos de degelo mais longos. Em julho de 2012 e novamente em 2019 e 2021, por exemplo, cientistas observaram eventos em que mais de 90% da superfície da camada de gelo apresentou sinais de fusão ao menos por um dia, algo raro nos registros históricos. Além do aumento da temperatura do ar, a água do oceano, também mais quente, corrói o gelo pela base, principalmente ao redor das geleiras que escoam para o mar.

O derretimento envolve fatores como oceanos mais quentes, escurecimento do gelo e mudanças na circulação atmosférica – depositphotos.com / StockWithMe
O derretimento envolve fatores como oceanos mais quentes, escurecimento do gelo e mudanças na circulação atmosférica – depositphotos.com / StockWithMe
Foto: Giro 10

Quais são os principais mecanismos científicos por trás da fusão?

O derretimento acelerado da camada de gelo da Groenlândia é resultado da combinação de vários mecanismos físicos. Entre os processos mais estudados estão o aquecimento atmosférico, o aquecimento oceânico e alterações na circulação de ventos e correntes. A interação entre esses fatores explica por que a perda de gelo se intensificou desde a década de 1990.

Alguns pontos ajudam a entender esse quadro:

  • Aquecimento da atmosfera: massas de ar mais quentes aumentam a temperatura da superfície do gelo, intensificando a fusão durante a primavera e o verão.
  • Aquecimento do oceano: águas mais quentes do Atlântico e do Ártico atacam as geleiras pela base, tornando-as mais instáveis e acelerando o desprendimento de icebergs.
  • Escurecimento da superfície (albedo): fuligem, poeira e partículas trazidas por incêndios florestais e poluição se depositam no gelo, deixando a superfície mais escura e aumentando a absorção de calor solar.
  • Água derretida em rachaduras: a água de fusão penetra em fissuras e chega até a base da camada de gelo, lubrificando o contato com o leito rochoso e facilitando o escoamento em direção ao mar.

Modelos climáticos atualizados até 2026 indicam que, se as emissões globais seguirem elevadas, a Groenlândia poderá perder, ao longo deste século, gelo suficiente para contribuir significativamente para a elevação do nível do mar, mesmo em cenários de mitigação parcial.

Como o derretimento da Groenlândia afeta o nível do mar global?

A camada de gelo da Groenlândia guarda água doce congelada suficiente para elevar o nível médio dos oceanos em cerca de 7 metros se derretesse completamente, segundo estimativas amplamente utilizadas na climatologia. Esse cenário total não é esperado para este século, mas a fração de gelo já perdida desde 1990 contribuiu de forma mensurável para o aumento do nível do mar observado até 2026.

Dados de satélites altimétricos indicam que o nível médio do mar global subiu um pouco mais de 9 centímetros desde meados da década de 1990, com a Groenlândia respondendo por uma parte relevante desse aumento, ao lado da expansão térmica da água do mar e da fusão de outras geleiras. Especialistas projetam que, até 2100, a contribuição da Groenlândia poderá chegar a dezenas de centímetros em cenários de altas emissões, o que amplia o risco de inundações costeiras.

O impacto não é uniforme: áreas de baixa altitude em regiões tropicais e subtropicais, deltas de grandes rios e cidades costeiras densamente povoadas tendem a ser mais vulneráveis. A combinação entre marés, ressacas e tempestades com um nível do mar mais elevado pode aumentar a extensão de áreas sujeitas a alagamentos temporários ou permanentes.

A fusão da camada de gelo contribui para a elevação do nível do mar e amplia riscos de alagamentos ao redor do mundo – depositphotos.com / MichalBalada
A fusão da camada de gelo contribui para a elevação do nível do mar e amplia riscos de alagamentos ao redor do mundo – depositphotos.com / MichalBalada
Foto: Giro 10

Quais são as consequências ambientais e sociais desse derretimento?

O acelerado derretimento da camada de gelo da Groenlândia gera uma série de efeitos em cadeia. Do ponto de vista ambiental, mudanças na entrada de água doce no Atlântico Norte podem alterar correntes oceânicas importantes, como a circulação meridional do Atlântico, que influencia o clima na Europa, na América do Norte e em outras regiões. Pesquisas recentes discutem se a continuidade da perda de gelo pode enfraquecer essas correntes, modificando padrões de temperatura e de chuvas.

No Ártico, comunidades indígenas e populações que vivem próximas às áreas de gelo observam transformações no ambiente de forma direta. Mudanças na extensão do gelo e no regime de marés podem interferir na pesca, na caça tradicional e na infraestrutura costeira. Em regiões mais distantes, o principal impacto é sentido por meio da elevação do nível do mar, que afeta:

  1. Zonas costeiras urbanas: bairros próximos ao litoral ficam mais expostos à erosão e a inundações recorrentes.
  2. Áreas rurais baixas: terras agrícolas sofrem salinização do solo e da água, prejudicando a produção de alimentos.
  3. Infraestruturas críticas: portos, estradas, ferrovias e redes de saneamento localizadas perto da costa demandam adaptações e investimentos adicionais.

Especialistas em adaptação climática destacam que a antecipação desses riscos é fundamental para reduzir impactos humanos e econômicos. Planejamento urbano, proteção de ecossistemas costeiros, atualização de códigos de construção e políticas de redução de emissões de gases de efeito estufa são apontados em relatórios internacionais como ações complementares. O monitoramento contínuo da camada de gelo da Groenlândia, por meio de satélites, estações em campo e modelagem numérica, permanece como ferramenta central para avaliar a velocidade das mudanças e orientar decisões nas próximas décadas.

Giro 10
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra