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Cobra cega, que dá 'leite' e tem filhotes ‘chorões’ é descoberta por brasileiros

Estudo dos pesquisadores do Instituto Butantan foi publicado na revista 'Science', uma das mais renomadas do campo científico

8 abr 2024 - 05h00
(atualizado às 15h59)
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Cobra cega alimenta seus filhotes
Cobra cega alimenta seus filhotes
Foto: Carlos Jared

Cientistas brasileiros do Instituto Butantan fizeram uma descoberta recentemente. Em estudo publicado na Revista Science, uma das mais renomadas do campo, eles comprovaram que, assim como as cecílias vivíparas (animais cujo embrião se desenvolve dentro da mãe), as ovíparas (que nascem por meio de ovos) também desenvolvem uma espécie de “leite” pelo mesmo canal que permite a passagem do ovo.

A substância viscosa e transparente, expelida pela cloaca das cobras cegas, não é, de fato, leite. Porém, alimenta os filhotes durante a primeira fase da vida após a quebra e saída do ovo. Pesquisadores notaram, inclusive, que a cria costuma emitir um som diferenciado para pedir esse alimento. Comportamento bem semelhante aos dos mamíferos neste estágio.

Por mais que a amamentação seja algo associado com frequência aos mamíferos, não é novidade que animais de diferentes espécies procuram, de formas distintas, dar algum cuidado parental a seus filhotes. Isso já foi notado entre aranhas, baratas, peixes, aves, entre outros. A descoberta é, de fato, inédita porque é algo que era considerado inexistente no reino dos anfíbios ovíparos, como as cecílias.

De acordo com análise bioquímica realizada pela equipe de pesquisadores do Butantan, a substância secretada pela “mamãe cobra” possui alto teor em carboidratos e ácidos graxos, composição similar ao leite dos mamíferos. Ao longo do estudo, eles notaram que as cobras cegas chegam a expelir essa “comida” várias vezes ao dia para seus filhotes, que o ingerem sem demora.

Cobra cega cuida de seus ovos
Cobra cega cuida de seus ovos
Foto: Carlos Jared

Foi notado também que a cria costuma competir pelo espaço próximo da cloaca, local de onde essa substância sai, muitas vezes introduzindo suas cabeças quase que completamente ali para ter o alimento.

O estudo publicado na revista Science tem como foco o cuidado das cecílias, especificamente da espécie Siphonops annulatus, que vive no sul da América do Sul. Essa espécie tem olhos tão pequenos que são consideradas praticamente cegas. De forma geral, elas habitam principalmente o subsolo.

“As cecílias são animais adaptados para viver num ambiente subterrâneo, em túneis. Então, esses bichos, de início, são considerados os vertebrados menos conhecidos que existem, porque são animais que vivem num mundo inacessível, impossível de observar. Mas o Butantan investe no estudo desses animais. Nós já sabíamos que filhotes de cecílias se alimentavam da pele das mães, a qual é basicamente proteína. Mas essa troca de pele ocorre somente uma ou duas vezes por semana. O que nos levou a nos aprofundarmos, pois como os filhotes cresciam fortes e robustos, sendo que só comiam uma ou duas vezes por semana?”, Carlos Jared, pesquisador do Butantan.

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Fonte: Redação Terra
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