O momento de afirmação da Max Verstappen
Antes, uma promessa. Agora, campeão. Qual serão os próximos passos?
Max Verstappen chega para a temporada 2022 com a coroa de campeão. E faz questão de lembrar sua condição, optando por utilizar o número 1 em seu carro. Embora muitos questionem como a última prova do ano passado terminou, não se discute o merecimento.
Até o ano passado, poderíamos fazer um paralelo da situação de Verstappen com a de Senna na Lotus: o talento era inegável e não havia dúvidas de que se tivesse condições de sentar-se em um carro competitivo, poderia vencer. E a Red Bull conseguiu dar finalmente condições em 2021, juntamente com uma Honda fazendo questão de se despedir em alto estilo.
Embora jovem (25 anos), Verstappen vai para sua oitava temporada e a pressão muda de visão. Antes, era por vitórias e o título. O triunfo veio e em cima de um gigante, Lewis Hamilton. Mas o que se pretender agora?
As apostas parecem altas. A Red Bull tratou de renovar seu contrato até 2028 e lhe se atribui o maior salário da categoria. Os taurinos apostaram nele em 2014 e não se arrependeram até agora, o mantendo longe dos rivais (não foram poucas vezes que a Mercedes quis contratá-lo) e construindo uma relação extremamente próxima, praticamente se confundindo.
Hoje, é quase impossível imaginar Verstappen e Red Bull separados. O time gira em torno dele e a equipe técnica valoriza muito o seu posicionamento técnico. Não à toa que vemos companheiros de equipe sendo devidamente “triturados”. Salvo Sainz Jr, os demais foram superados por ele. Um exemplo? Daniel Ricciardo era um piloto Red Bull cuidadosamente preparado para ser o líder do time. Quando Vettel foi para a Ferrari, esperava-se que ele assumisse o posto. Mas...
Só que Verstappen mostrou logo sua cara ao vencer sua primeira corrida pelo time, na Espanha 2016. E naquele ano a maré virou. No ano seguinte, o australiano percebeu que havia perdido espaço e, para ser campeão, teria que “rachar” o time ou ir para outro lugar. Dali em diante, a Red Bull buscou ardentemente “uma sombra”. E até agora, não teve tanto sucesso.
Aparentemente, mesmo campeão, Verstappen dá a entender que não mudou. Em entrevista para o site da F1, ele diz que todo ano busca bater alguém. Em princípio, tornou-se o cara a ser batido. A sua expectativa é que o RB18 possa lhe permitir defender o título. Ser menos agressivo? Aparentemente isso não está na lista de Verstappen.
Pedir para que Verstappen seja menos agressivo pode equivaler a Messi ser menos driblador. Talvez o que vejamos, embora ele não seja necessariamente um novato, é que este ímpeto seja transformado a medida em que o tempo passe. O fato é que estamos assistindo a construção de uma lenda. Bater os números de Lewis Hamilton? É possível, mas aparentemente não parece ser o seu objetivo. Isso seria uma consequência de seu domínio.