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Ferrari: uma quase vencedora. Mas é preciso tirar as máscaras

A Ferrari cresceu a olhos vistos. Mas é preciso ainda criar uma mentalidade vencedora para que os italianos possam dar o passo definitivo

25 jul 2022 - 18h05
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Ser torcedor da Ferrari nos últimos tempos é uma profissão de fé. Até um tempo atrás, escrevi uma coluna citando a velha máxima bíblica de “Posso crer no amanhã”. E o caminho feito tem sido de pedras, mas o progresso foi notório. O início da temporada foi venturoso e sim, o F1-75 era bem-nascido.

Este espaço louvou esta melhoria aqui. Mas também levantou a possibilidade da Ferrari não manter o desenvolvimento do carro ao longo do ano. Passada metade da temporada, podemos dizer que, embora mais conservador, os italianos conseguiram manter o carro em alto nível. Mas é preciso mais.

Em 2020, antes da temporada começar, escrevi que Mattia Binotto era uma espécie de bomba-relógio. Seu jeitão pacato e professoral deixava em dúvida se ele era a pessoa ideal para comandar o renascimento da Ferrari. Após um 2019 complicado, Binotto se jogou em um processo de reestruturação técnico da equipe. Até mesmo muita gente dizia que faltava “gosto de sangue” na boca do suíço.

Em entrevista antes do GP da Emília Romagna, Binotto disse que, se não fosse a Ferrari, talvez fosse carpinteiro. Talvez este pensamento tenha o motivado a unir a paciência do artesão com a lógica do engenheiro. E o resultado está vindo agora, após acabar com a política batizada de “porta giratória” por John Elkann, Presidente do Conselho de Administração da Ferrari.

Entretanto, embora a Ferrari seja outra equipe em relação a outros anos, ainda parece faltar alguma coisa. O F1-75 é o melhor carro em anos. A dupla é boa e pessoas competentes estão lá. Só que a impressão é que falta a construção de uma mentalidade vencedora no time.

Mesmo com esta revolução, a impressão que passa é que a Ferrari desaprendeu a vencer. Anos atrás, Binotto declarou sobre a necessidade de construir este pensamento. Ou seja: ver que vencer é bom e seguir em busca de mais. O velho Enzo Ferrari era assim. Posteriormente, Luca de Montezemolo e Jean Todt tinham esta visão.

Embora Binotto seja uma cria da Ferrari e viveu os anos de ouro de Schumacher, soa como um maestro clássico para reger uma bateria de escola de samba. Ao menos olhando de fora. É preciso sim buscar um pouco mais de tudo para voltar aos tempos de glória. Falta estabilidade

Mas trocar agora? Uma das metas nos últimos anos era criar uma base estável para o crescimento. E agora que as coisas parecem querer dar certo, vale trocar o comando? Quando se fala em acreditar, criar uma base de futuro? Mas é preciso olhar um pouco mais em questões estratégicas (ano passado, algumas mudanças foram feitas, mas o responsável segue mesmo, o espanhol Inaki Rueda) e principalmente na cabeça (alô, Leclerc!)

Binotto tem uma sobrevida inédita em se tratando de Ferrari em termos históricos. Ele sabe que a paciência da cúpula da fábrica não dura para sempre. Embora o CEO Benedetto Vigna tenha entrado em setembro do ano passado, John Elkann, Presidente do Conselho e o fiador da estratégia atual, segue o bancando. Não dá para dizer que a frigideira está começando a aquecer. Mas que questionamentos devem seguir, é fato.

Uma Ferrari vencedora é algo bom para os negócios e para a F1. É preciso sim ajustar as velas (sem citações ao patrocinador atual) e talvez seja o momento sim de pensar no futuro. O perfil de Binotto pode ser bom para consolidar, mas cada vez mais se pergunta se ele poderá dar o salto que a Ferrari precisa.

Mekies e Binotto: a dupla comandante da Ferrari é a certa no momento?
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Foto: Scuderia Ferrari / Divulgação

 

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