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Equipes F1 2021: Haas – um ano de preparação para o futuro

A equipe americana abre mão de 2021, confia no apoio russo e aprofunda a ligação com a Ferrari para crescer.

29 dez 2021 11h10
| atualizado às 19h19
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Mazepin e Schumacher: a Haas sofre em 2021 para um futuro melhor
Mazepin e Schumacher: a Haas sofre em 2021 para um futuro melhor
Foto: Haas F1

Carro: Haas VF-21
Motor: Ferrari Tipo 065
Diretor Técnico: Simone Resta
Chefe de Equipe: Gunther Steiner
Pilotos : Nikita Mazepin e Mick Schumacher
Posição no Campeonato de Construtores : 10º lugar (0 pontos)

Se havia uma equipe que muitos tinham certeza que mudaria de mãos em 2021 era a Haas. A equipe queridinha do Drive To Survive marcava mais um ano de retrocesso após ter brigado para ser a “melhor do resto” em 2018. O que chamou mais a atenção no 2020 do time foi o acidente de Romain Grosjean em Sakhir. 

Já que 2021 seria um ano de transição por conta da postergação da entrada do novo regulamento técnico, Gene Haas tomou ações ousadas no lado comercial, desportivo e técnico: após renovar a sua participação no novo acordo comercial da categoria, decidiu escolher dois pilotos novatos. Um era o russo Nikita Mazepin, 5º colocado na F2 2020. Junto com ele, vieram os rublos da Uralkali (multinacional do ramo de fertilizantes) e as cores da Rússia no carro. 

O outro piloto veio do outro lado do acordo técnico e comercial. Haas optou por estreitar mais ainda os laços com a Ferrari: trouxe o piloto da academia italiana, Mick Schumacher (campeão da F2 2020) e ampliou a lista de compras. Antes, a equipe comprava direção, suspensões, motor e câmbio junto a Ferrari e encomendava o chassi junto à Dallara. Agora, acabaram os intermediários: a Ferrari criou um departamento dentro de sua fábrica em Maranello para atender ao time. Além disso, cedeu técnicos, incluindo Simone Resta, que assumiu o posto de Diretor Técnico. Uma ótima solução para se enquadrar no teto orçamentário....

Nikita Mazepin: 2022 será o ano para mostrar que é mais do que um rapaz de bolso cheio
Nikita Mazepin: 2022 será o ano para mostrar que é mais do que um rapaz de bolso cheio
Foto: Haas F1

Ok, agora faltava acertar o que iria para a pista. Pelo ponto de vista do regulamento, a situação não era das melhores. Como o carro de 2020 seria usado por mais um ano, não havia outra opção em usar o mal-amado VF-20, que tinha problemas de gestão de pneus e quase nenhum desenvolvimento (“Para que gastar milhões de dólares em desenvolvimento se não vai funcionar?”, disse Gene Haas). Mas a equipe resolveu ser mais radical ainda: focar todos os esforços no carro de 2022 e somente fazer o necessário para ajustar o carro ao regulamento. Tanto que somente o motor Ferrari foi mexido, com todo o resto sendo mantido de 2020.

As coisas demoraram um pouco a se ajustar e com a pandemia da COVID atuando, a Haas foi a última a apresentar o seu carro para este ano. Chegou-se ao cúmulo que o motor só foi ligado na pré-temporada no Bahrein porque o técnico da Ferrari não podia entrar na Inglaterra...

Desde os testes iniciais, ficou claro que a Haas seria quem fecharia o grid. E neste ponto, o time foi extremamente coeso e de uma grande resiliência. Em momentos em que o tempo de pista é muito limitado, 2021 foi uma grande sessão de testes. Embora os resultados tenham sido muito tímidos, o objetivo era desenvolver o time e, principalmente, os pilotos. A briga acabou sendo entre eles ao longo do ano e Mick Schumacher foi amplamente superior à Nikita Mazepin. 

Mick Schumacher: evolução na tentativa de fazer seu caminho próprio
Mick Schumacher: evolução na tentativa de fazer seu caminho próprio
Foto: Haas F1

Ficou clara a diferença entre os dois. O jovem alemão mostrou ter mais ferramentas para lidar com as limitações do carro do que o russo, embora tenha batido muito mais. Os melhores momentos da Haas vieram com Mick. Embora o carro tenha recebido uma pequena atualização em Ímola, o problema de gestão de pneus e de gerar pressão aerodinâmica prosseguia. Então, a melhoria de desempenho veio mais da confiança dos pilotos com os técnicos e do carro e aí Mick mostrou mais. A sua classificação para o Q2 na Turquia foi vista com bons olhos por muita gente....Mazepin mostrou que a evolução vai mais no esforço do que no talento (o que é reconhecido pelo próprio). Chamou a atenção no início por causar incidentes e rodar consistentemente, o que lhe rendeu o apelido de MazeSPIN.

Mesmo sem marcar pontos (o melhor resultado foi o 12º lugar de Mick Schumacher na Hungria), a Haas se vê pronta para retomar o caminho de, pelo menos, voltar ao meio do grid. Agora, tem dois pilotos jovens, com pelo menos 1 ano de experiência. Mick Schumacher tentando mostrar que a confiança na Ferrari tem nele é totalmente merecida e Mazepin quer mostrar que vai muito mais além de mais um piloto que comprou sua vaga na F1. O lema da Haas para 2022 talvez tenha sido melhor definido por Belchior, citado por Emicida em “AmarElo”; “Ano passado, eu morri. Esse ano, não morro mais”.

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