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Qual Ford entrará na pista nesta nova fase da F1?

Embora existam muitas dúvidas do papel da Ford nesta F1 2026, gigante estadunidense é parte importantíssima da história da F1

13 jan 2026 - 16h33
(atualizado às 16h44)
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Ford e Red Bull já estiveram juntas de alguma foram em 95 e 96. Como será agora?
Ford e Red Bull já estiveram juntas de alguma foram em 95 e 96. Como será agora?
Foto: Wikipedia Commons

Uma das incógnitas da F1 2026 é a Ford. Após 21 anos de ausência, a gigante volta à principal categoria do automobilismo justamente sendo parceira daquela que comprou sua operação em sua ultima aparição. A vinda neste momento, incentivada por Jim Farley, CEO da Ford e um grande entusiasta de competição, vem no intuito de lançar a empresa numa categoria que voltou a ter importância global, especialmente nos Estados Unidos, e ajudara desenvolver tecnologia na área de elétricos e híbridos...

Há uma velha máxima dos mercados financeiros de que "ganhos passados não garantem sucessos futuros". Podemos até aplicá-lo aqui neste momento. Mas não dá para ignorar todo o peso que a marca de Deanborn tem na história da F1. 

Aliás, podemos afirmar que a Ford foi responsável pela consolidação da F1 como gigante. Vinda em um investimento de 100 mil libras esterlinas comandado pela subsidiária britânica, a oportunidade veio pela mudança de regulamento. A F1 passou a adotar motores de 3 litros e poucos fabricantes estavam disponíveis. Walter Hayes, responsável pela área de Relações Publicas da Ford viu a chance e conseguiu trazer Colin Chapman para o projeto.

Em princípio, o motor Cosworth seria exclusivo da Lotus. Mas a partir de 1968, Chapman abriu mão da exclusividade e a F1 ganhou um motor simples, leve, confiável, econômico, razoavelmente potente e barato. Foi o tempo que alguns loucos podiam se juntar e com um pouco de dinheiro fechavam um acordo de pneus, compravam uma caixa de cambio Hewland, um Cosworth e iam para a pista.

Os motores Cosworth foram um elemento tão importante para a F1 que chegamos em alguns momentos em que 80% do grid usavam os V8. Contamos esta história algum tempo atrás aqui.

A base mecanica foi tão interessante que serviu para ser usada nos GTs e na UIndy, onde chegou a ganhar uma versão turbo. Mas na F1 conseguiu lutar até 1983, quando a revolução técnica dos turbos veio e deixou os aspirados totalmente perdidos. Até mesmo a Ford se rendeu e fez um V6 turbo, que correu 2 temporadas (86 e 87), sem muito brilho. 

Os V8 foram relevados a então F3000. Mas quando a F1 decidiu voltar com os aspirados em 1987, os velhos Cosworth foram recondicionados e passaram a ser 3,5 litros, sendo o esteio dos pequenos. A partir de 1989, quando todos tinham de usar os motores aspirados, a Ford seguiu como opção barata e confiável.

Na década de 90, tirar mais potência do V8 passou a ser algo bem complicado para bricar com os 10 e 12 cilindros. A Cosworth fez o que podia, mas a Ford também não queria entrar na briga gastando muito dinheiro. Um V12 foi anunciado para 1993, mas a equipe técnica decidiu insistir com os V8 e trouxe várias soluções das pesquisas. Chegava o Zetec-R em 1994, que simplesmente chegou a 16 mil RPM.

Numa F1 que mudava, o motor caiu como uma luva para a Benetton de Michael Schumacher, que conquistou o título de pilotos de 1994. Mas aí começava uma fase turbulenta para a Ford...

De olho em competitividade, a Benetton comprou a Ligier e pegou o contrato da Renault. A Ford se viu sem muitas opções. Adaptou o Zetec-R para a nova regulamentação (redução para 3 litros) e após até considerar sair da F1, chegou um acordo com a Sauber para ser time de fábrica.

Naquele momento foi uma solução ruim para os dois lados: Sauber tinha ficado dependente da Mercedes e as condições não eram as melhores. Já a Ford não tinha muita certeza do que queria fazer. Para se ter uma ideia, chegou a "implorar" para que Roger Penske voltasse à F1, mas o Capitão não se sentiu tentado a fazer. Quando a situação parecia ir para um beco sem-saída, Jackie Stewart, nome historicamente ligado à marca e uma espécie de consultor para automobilismo, fez a proposta de que a Ford entresse como sua sócia. Seu ilho Paul tinha um time nas categorias de base e queria dar o salto. O apoio veio da Ford.

Em 1997, a Ford passava a ser acionista da Stewart Grand Prix, fornecendo em regime de exclusividade um novo V10 e apoiando tecnologicamente o time. Foram tempos apertados, mas em 99, as coisas se encaixaram e a Stewart foi o time surpresa do ano, fazendo ótimas provas e ganhando o GP da Europa em Johnny Herbert.

Neste momento, a cúpula da Ford via a Stewart crescendo e toda o entusiasmo do publico com a Ferrari. Após uma corrida em Monza, Jac Nasser, então o CEO da Ford, decidiu: vamos fazer a Ferrari britânica. Então decidiu comprar a Stewart e transformar na Jaguar.

Talvez tenha sido um dos maiores erros de estratégia da história. A Steeart era um time médio, bem estruturado e que tinha boas perspectivas para futuro. Mas foi totalmente enredado pelo gigantismo de uma multinacional e uma série de decisões percipitadas foram tomadas, incluindo a compra da parte de competições da Cosworth (que nunca havia sido da Ford). Em 2003, chegou a ter um acordo muito fraco costurado com a Jordan, que usava o mesmo motor da Jaguar, mas com a marca Ford. Não durou duas temporadas.

A esta altura, muito dinheiro havia sido gasto, uma nova fábrica havia sido construida em Milton Keynes e um tunel de vento que era de Tom Walkinshaw agora estava sendo modernizado para uso exclusivo (a Jaguar usava um tunel da Ford na Califórnia, tendo que disputar espaço com vários outros projetos). Como a Ford vinha numa situação esquisita, decidiu em 2004 vender a operação. E apareceu a Red Bull, que comprou tudo por um valor bem camarada, bem como a Cosworth foi passada para Gerald Forsythe e Kevin Kalkhoven. 

Para alguem que fez tanto pela F1, foi uma saída muito melancólica. E chamou a atenção quando houve o anuncio da parceria com a Red Bull. A pergunta que fica é que Ford virá para a F1. Aquela que foi a pedra de apoio para o crescimento ou uma sombra de um gigante adormecido? 

Parabólica
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