Script = https://s1.trrsf.com/update-1765905308/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE

As impressões dos pilotos sobre os novos carros da F1

Finalizada a primeira leva de testes de 2022, os pilotos expressam suas opiniões iniciais sobre os carros da nova era da Fórmula 1

25 fev 2022 - 23h25
Compartilhar
Exibir comentários
Max Verstappen defenderá seu título com o RB18
Max Verstappen defenderá seu título com o RB18
Foto: Red Bull / Twitter

Graças ao novo regulamento técnico da Fórmula 1, os carros de 2022 são completamente diferentes dos anteriores. Conceitos aerodinâmicos novos, pneus maiores, mais peso. Tudo isso se reflete diretamente na pilotagem. Finalizada a primeira bateria de testes e já com algumas centenas de quilômetros ao volante dos novos carros, os pilotos começam a ter uma boa base de comparação entre os modelos atuais e os antigos. 

Efeito-solo, para o bem e para o mal 

A mudança central diz respeito à aerodinâmica. A volta do efeito-solo quase 40 anos depois de seu banimento tinha por objetivo aumentar a geração de downforce pelo assoalho, diminuindo a turbulência gerada pelas asas e, com isso, permitindo que os carros andassem mais próximos uns aos outros. 

Nos primeiros dias de testes, não foi raro observar pilotos seguindo uns aos outros de perto na pista justamente para testar se a perseguição ficou mesmo mais fácil. E as opiniões foram positivas. “Está um pouco mais fácil andar atrás de outro carro”, contou o campeão Max Verstappen ao The Race. Carlos Sainz, da Ferrari, concorda: “Já percebi diferenças bem óbvias [sobre andar próximo do carro à frente]”, disse ao site da F1. 

Russell mostrou precoupação com o porpoising
Russell mostrou precoupação com o porpoising
Foto: Mercedes / Twitter

Outro ponto que chamou a atenção foi a velocidade em curvas de alta velocidade. Pierre Gasly, da AlphaTauri se mostrou empolgado em declaração ao site da F1: “O carro funciona muito bem e curvas de alta, que é geralmente a parte empolgante”. 

Se o efeito solo pode ter deixado uma primeira impressão positiva quanto à facilidade de seguir oponentes de perto e contornar as curvas mais rápidas, o mesmo não pode ser dito do infame “porpoising”. O velho problema de “quicadas” em alta velocidade dos carros-asa dos anos 70 e 80 voltou com a nova geração do efeito solo. E já acendeu um alerta no que diz respeito à segurança: “Isso precisa ser resolvido de um jeito ou de outro”. As palavras são de George Russell, novo piloto da Mercedes e diretor da GPDA (Associação de Pilotos de Grande Prêmio). 

Pneus e visibilidade 

Outra mudança significativa dos carros de 2022 em relação aos da geração anterior foi no conjunto de pneus e rodas. Agora instalados em rodas de 18 polegadas, ante as de 13 utilizadas até o ano passado, os pneus têm um diâmetro total maior. Mais altos, eles se tornam um obstáculo a mais no já limitado campo de visão dos pilotos.  

Norris sentiu diferença na visibilidade
Norris sentiu diferença na visibilidade
Foto: FIA / Twitter

Fernando Alonso falou ao The Race sobre o tema durante os testes: “A visibilidade pode ser um desafio nas pistas de rua porque que não temos a mesma visão do cockpit. Os pneus são maiores e temos aquela coisa acima deles”, se referindo aos novos direcionadores de ar instalados na parte interna das rodas dianteiras. 

Lando Norris concordou, e ainda adicionou dois outros fatores que contribuem com a piora na visibilidade: “O pessoal tem andado com muito menos rake (ângulo do carro em relação ao chão), então você acaba se sentando mais baixo, a visão é bem diferente”, contou ao The Race. “E os sidepods estão bem mais para a frente, você consegue ver menos coisas. Eu sinto como se estivesse menor de dentro do carro”. 

Mais peso, menos agilidade 

Os novos modelos têm um peso mínimo de 793kg, 43kg a mais que os do ano anterior, e os mais pesados da história da categoria. Em partes, a “engorda” se deve aos pneus maiores, mas não só a eles. Também houve diminuição no uso de materiais nobres para redução de custos e melhorias pontuais em itens de segurança. 

Alonso falou sobre o maior peso dos carros de 2022
Alonso falou sobre o maior peso dos carros de 2022
Foto: F1 / Twitter

Fernando Alonso, em resposta ao Parabólica em 2021, havia apontado a massa maior e, consequentemente, menor agilidade, como a principal diferença entre os carros modernos e os de quando faturava títulos pela Renault (relembre aqui). E o espanhol voltou a reclamar do peso crescente dos carros durante os testes. Segundo o bicampeão, essa é a principal razão dos tempos ficarem acima dos carros anteriores: “Isso nunca é divertido do ponto de vista do piloto. Você quer sempre mais e mais rápido e ter carros mais leves”. 

A massa é sentida principalmente em trechos de baixa velocidade, quando a transferência de peso faz com que o carro demore mais para reagir, como apontou Verstappen: “O carro é divertido de dirigir, só um pouco diferente. Só é uma pena que o peso siga crescendo e crescendo, o que faz com que seja menos ágil em curvas de baixa.” 

Leclerc teve impressão positiva dos novos carros
Leclerc teve impressão positiva dos novos carros
Foto: F1 / Twitter

Charles Leclerc, da Ferrari, frisou que o maior peso impacta nos freios: “As freadas estão bem diferentes. A distância em si não mudou muito, mas o jeito como você freia é diferente. Ainda estou buscando a forma perfeita de frear”, disse no segundo dia de testes. 

No geral, carros agradaram 

Apesar de críticas pontuais, a primeira impressão dos carros pareceu ser positiva para boa parte dos pilotos. A mudança no conceito aerodinâmico, principal novidade do regulamento, agradou. Gasly se entusiasmou com a combinação de velocidades altas em curvas rápidas e perseguições mais próximas: “Estou ansioso para Silverstone, Suzuka, essas pistas. Se formos capazes de andar tão mais perto dos outros em corrida, isso vai dar muita adrenalina, que é o que nós queremos.” 

Pierre Gasly gostou do que viu
Pierre Gasly gostou do que viu
Foto: AlphaTauri / Twitter

Leclerc também gostou da mudança e do desafio provocado por ela: “Exceto pelo peso adicional, eu realmente gostei desse teste. O carro é completamente novo, de forma que você tem que mudar seu estilo de pilotagem, e é muito interessante, para nós pilotos, experimentar coisas diferentes.” 

As projeções em simuladores previam carros mais lentos que os do ano passado, mas, para algumas equipes, a diferença foi menor que a esperada, como pontua Russell: “No geral, [os novos carros] superaram as projeções iniciais da F1 para esse novo regulamento.” 

O sentimento geral pode ser resumido em um trecho da fala do ferrarista Carlos Sainz: “Estou otimista de que estamos indo na direção certa.” Assim esperamos, Carlos!

Parabólica
Compartilhar
Publicidade

Conheça nossos produtos

Seu Terra












Publicidade