A FIA tem uma decisão crucial sobre o teto orçamentário da F1
Caso seja constatado o descumprimento do teto orçamentário em 2021, a FIA vai ter que ser firme na decisão para marcar uma posição para a F1
A discussão que surgiu em Singapura foi que a Red Bull teria descumprido o teto orçamentário. Como falamos antes, o teto orçamentário é uma das ferramentas mais importantes introduzidas na F1 em sua história para tentar garantir um nivelamento de condições entre as equipes. O não cumprimento acaba sendo extremamente complicado.
Até agora, são conjecturas. O que existe de concreto é que haverá a reunião do Painel de Avaliação do Comitê de Acompanhamento do Teto Orçamentário nesta quarta, dia 05/10 e o relatório será divulgado, bem como possíveis punições.
Em diversas declarações no fim de semana, Helmut Marko, Consultor da Red Bull, declarou que foram enviados 6 questionamentos junto à FIA sobre o relatório financeiro de 2021. Segundo ele, destes 6, 2 seriam preponderantes para o enquadramento das despesas e que confirmaria tranquilamente o cumprimento das regras financeiras.
O que se especula é que a Red Bull teria distribuído parte de seus gastos em outras empresas do grupo. Em maio, nós havíamos mostrado como a equipe tinha como distribuir seus gastos e, quem sabe, jogar os valores em outros lugares e cumprir as normas. (ver aqui)
Basicamente, como funciona: a equipe de F1 é uma subsidiária da Red Bull Technologies. Esta empresa é responsável por várias coisas. Um exemplo? O aeroscreen da Fórmula Indy foi desenvolvido por eles. As despesas da equipe de F1 são parte do total da empresa. Ainda tem a questão da Red Bull Powertrains, criada formalmente em fevereiro de 2021. Então nesta situação, a alocação de custos acaba por criar situações complicadas.
Outra dúvida é o quanto teria sido estourado o teto. Segundo o regulamento financeiro, se tem duas formas de descumprimento: uma menor e outra maior, além de uma multa financeira. A brecha menor se classificaria em até 5% e a maior seria acima deste valor (item 8.10 a 8.13).
Dentro desta conta, estaríamos falando em cerca de US$ 7 milhões (considerando um valor de US$ 146 milhões). A punição pode ser um mero “puxão de orelha”, passando por multas financeiras, redução de tempo de desenvolvimento e até a suspensão por provas.
A questão que a FIA tem nas mãos é extremamente complicada. A entidade tem que passar a mensagem de que está vigilante, que não compensa descumprir o teto. Afinal, este é o trunfo que fez as equipes pequenas seguirem na categoria e trazer novos investidores (foi um dos motivos que fizeram a Audi entrar).
Isso faria equipes como Mercedes e Ferrari saltarem nas tamancas. Afinal, foi dada uma permissão para que eles e a Red Bull tivessem mais tempo para se adaptar aos limites. Estes times gastavam cerca de US$ 400 milhões e tiveram que cortar cerca de 30% disso de um ano para o outro (o teto exclui itens como salários de pilotos, por exemplo).
Caso o descumprimento seja constatado, a FIA agora está na situação em que pode passar pano para a Red Bull cumprindo integralmente o regulamento. Este é o primeiro grande teste da estrutura colocada em pé ano passado. Existem maneiras de “atenuar” a situação, como “reconhecer de boa fé” a falha. Mas não se pode piscar agora. Se errar, criará um terremoto pior do que Abu Dhabi 2021 e jogará pela janela o trabalho feito até aqui.