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Stellantis quer Peugeot e Citroën entre as top 10 marcas

Presidente da Stellantis diz que as marcas francesas devem voltar ao patamar de 10 anos atrás, no top 10 e com mais de 5%

6 mai 2021 12h25
| atualizado às 12h45
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Novo Citroën Aircross.
Novo Citroën Aircross.
Foto: Stellantis

Aos poucos, os planos da Stellantis para as marcas Peugeot e Citroën começam a ser conhecidos. Em entrevista coletiva virtual realizada nesta quinta (6), Antonio Filosa, presidente da Stellantis na América do Sul, afirmou que o objetivo do grupo é recolocar as marcas francesas no mesmo patamar de 10 anos atrás (2011).

“Para cada uma das marcas francesas temos um plano de crescimento”, disse Filosa. “Dentro de 24 meses, esperamos que a Peugeot e a Citroën retornem ao mesmo patamar de presença no mercado que tinham 10 anos atrás.” Isso significa que, juntas, Peugeot e Citroën devem somar cerca de 5,1% de participação nas vendas de veículos leves. Filosa quer a Peugeot e a Citroën entre as top 10 marcas do Brasil.

Isso aconteceu em 2011, quando o mercado brasileiro somou 3,4 milhões de automóveis de passeio e comerciais leves vendidos. Naquele ano, a Citroën ocupou o 9º lugar com 90 mil vendas e 2,6%. A Peugeot ficou em 10º com 85,8 mil carros vendidos e 2,5% de participação. Considerando só os automóveis de passeio, a Citroën teve 3,0% de participação e a Peugeot ficou com 2,6%. Entre os comerciais, a Peugeot era mais forte, com 2,0%, e a Citroën obteve 0,5%.

Antonio Filosa, presidente da Stellantis, na coletiva virtual.
Antonio Filosa, presidente da Stellantis, na coletiva virtual.
Foto: Sergio Quintanilha / Reprodução

Para chegar a esse objetivo, a Stellantis pretende melhorar os produtos e a relação custo-benefício dos carros. “Vamos utilizar estratégias globais, investir no line-up de produtos e introduzir tecnologias novas que os clientes apreciam”, disse Filosa.

Motor turbo em 18 meses
Um movimento certo é a utilização da nova família de motores turbo flex produzida em Betim (MG). O novo motor 1.3 turbo de 185 cv já está sendo usado nos novos Jeep Compass e Fiat Toro. O novo motor 1.0 turbo flex (com prováveis 125 cv) vai estrear no SUV da Fiat. Para usá-los nos carros da Peugeot e da Citroën, entretanto, serão necessários pelo menos 18 meses.

“O tempo técnico para a aplicação de um novo motor não demora menos de 18 meses”, disse Filosa. “Se um dia decidirmos por isso, precisaremos de 18 meses, considerando a adaptação do carro, os ajustes técnicos necessários e a homologação.” Depois, dando pista de que a Stellantis já trabalha nessa hipótese, Filosa afirmou: “Mas vamos apressar nosso time para fazer em menos tempo”. Ou seja: até o final de 2022 é bem provável que o Peugeot 208, por exemplo, ganhe o sonhado motor 1.0 turbo de 3 cilindros, tornando-se mais econômico no consumo de combustível.

Filosa também disse que a Peugeot e a Citroën não serão tratadas como uma coisa só. “Vamos respeitar o DNA de cada marca”, afirmou. “Eu ainda me refiro à Peugeot e à Citroën como marcas francesas porque não quero falar qual delas vai ser a primeira a ganhar um novo produto.”

Novo Citroën Aircross.
Novo Citroën Aircross.
Foto: Stellantis

Num mercado com cerca de 2,4 milhões de veículos, a Stellantis pretende que a Peugeot e a Citroen alcancem pelo menos 62 mil vendas/ano -- ou mais, se o volume de carros aumentar nos próximos dois anos. Em 2020, Peugeot e Citroën venderam apenas 13,5 mil carros, cada uma. No referido ano de 2011, os carros mais expressivos das marcas francesas eram o Citroën C3 (22º lugar com 37,6 mil vendas), Peugeot 207 (23º com 36,9 mil) e Peugeot Hoggar (11º lugar entre as picapes com 5,7 mil vendas).

Respeito ao DNA das marcas
Antonio Filosa disse que as estratégias comerciais que fizeram o sucesso da Fiat e da Jeep serão usadas também para Peugeot e Citroën. “São as marcas que precisam crescer”, observou. Pensando mais a longo prazo, a ideia é manter a fábrica de Porto Real (RJ) e continuar investindo na produção local de motores e transmissões. “Gostaríamos de ser cada vez mais independentes na questão dos motores. Quanto mais independência  tivermos com os motores, mais seremos donos do nosso futuro.”

 Por isso, as três fábricas da Stellantis (Porto Real, Betim e Goiana) devem estar capacitadas para produzir qualquer carro de qualquer marca do grupo. “Estamos estudando neste momento o plano de longo termo para a unificação das plataformas”, disse Antonio Filosa. “Nosso primeiro ponto é ter o cliente satisfeito. O segundo é respeitar o DNA das marcas. Depois de entender o que o cliente quer e o que as marcas precisam, vamos ver se existem sinergias que podemos realizar.”

Nos primeiros quatro meses de 2021, a Peugeot ocupa o 12º lugar no ranking com 5.208 vendas e 0,99% de participação de mercado. A Citroën está em 14º com 4.682 vendas e 0,71% de participação. 

É muito provável que o primeiro carro das marcas francesas a ser lançado pela Stellantis seja o novo Citroën C3, que será um hatchback compacto com estética de SUV, como o C4 Cactus. O motor deve ser o mesmo do Peugeot 208: 1.6 aspirado flex de 118 cv. Em breve, a Stellantis lançará também a série especial Peugeot 2008 Skywalker, com motor 1.6 THP de 173 cavalos.

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