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Indústria automobilística tem o pior resultado desde 1957

Com apenas 1,8 mil veículos fabricados em abril, o Brasil teve uma queda de 99,4% em relação a abril de 2019. Anfavea critica crise política

8 mai 2020
11h49
atualizado às 12h16
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Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea: "Todo dia tem uma crise além da crise na saúde".
Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea: "Todo dia tem uma crise além da crise na saúde".
Foto: Anfavea / Reprodução

A indústria automobilística amarga sua pior crise desde o seu surgimento no Brasil, em 1957. Somente 1,8 mil autoveículos (carros, comerciais, caminhões e ônibus) foram produzidos em abril. Foi uma queda de 99,4% em relação a abril do ano passado, quando foram produzidos 276,6 mil autoveículos. No acumulado do ano, o recuo na produção foi de 39,1%. Os números foram apresentados hoje pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) em live na internet. Somente seis montadoras estavam no Brasil em 1957: DKW-Vemag, Ford, General Motors, Mercedes-Benz, Scania e Volkswagen.

Com a paralisação quase total das fábricas, o estoque de veículos aumentou para 128 dias, cerca de quatro meses. Segundo o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, o setor tem 237,3 mil autoveículos estocados. Desse total, 163,4 mil estão nas concessionárias e 73,9 mil estão nas fábricas. Moraes apresentou um panorama completo da situação na indústria automobilística. Nas vendas, o setor somou apenas 55,7 mil autoveículos em abril, um recuo de 76% em relação a abril do ano passado e de 65,9% em relação a março. “É a maior queda da história para o mês”, disse o presidente da Anfavea. “É um momento bem difícil para o setor automobilístico”.

Mapa de vendas de veículos no Brasil em abril: alguns estados recuaram 99%.
Mapa de vendas de veículos no Brasil em abril: alguns estados recuaram 99%.
Foto: Anfavea / Reprodução

Nas exportações, o cenário também é péssimo, pois os outros países também foram atingidos pela pandemia de coronavírus. Somente 7,2 mil autoveículos foram exportados em abril, representando um recuo de 79,3% em relação a abril e de 76,6% em relação a março. “É o pior resultado em 23 anos”, lamentou Moraes. “Realmente é um tema que nos preocupa bastante”. Assim, o valor acumulado das exportações caiu de US$ 3,3 bilhões para US$ 2,2 bilhões.

Luiz Carlos Moraes mostrou todas as ações que a indústria automobilística está fazendo para ajudar no combate à Covid-19. Ele disse que o setor se guia mundialmente -- e também no Brasil -- pelos protocolos da OMS (Organização Mundial da Saúde) e mostrou 34 itens que serão cumpridos para o retorno à produção. Sem citar nomes, o presidente da Anfavea fez uma dura crítica à instabilidade política, numa clara referência ao governo Bolsonaro, dizendo que a economia está sendo afetada por isso. “Todo dia tem uma crise além da crise na saúde”, disse. “É crise na Secretaria da Cultura, é crise no Ministério da Saúde, é crise no Judiciário.” Ele cobrou uma ação coordenada no combate à Covid-19.

Queda de vendas no Brasil é semelhante à dos países mais afetados pela Covid-19.
Queda de vendas no Brasil é semelhante à dos países mais afetados pela Covid-19.
Foto: Anfavea / Reprodução

Moraes também criticou a dificuldade de crédito nos bancos e reforçou a importância do isolamento social. As montadoras têm demonstrado especial preocupação com a saúde de seus funcionários. Segundo Moraes, os principais executivos têm ido pessoalmente ao chão de fábrica para conferir se todas as medidas estão sendo tomadas para que o retorno da produção ocorra da forma mais segura possível, em relação à saúde dos funcionários. Também cobrou de forma ampla a classe política. Ele criticou duramente os políticos que estão discutindo o aumento de salários para o setor público e disse concordar com o ministro da Economia, Paulo Guedes, de que não é o momento. “Tem gente em Brasília que não percebeu o tamanho da crise na saúde e o tamanho da crise econômica que nós estamos passando e que vamos passar”, afirmou Moraes.

 

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