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Glória da Porsche e tragédia da Mercedes em Le Mans

Há 50 anos, a Porsche conseguia sua primeira vitória nas 24 Horas. Há 65 anos, maior tragédia do automobilismo tirava a Mercedes das pistas

12 jun 2020 - 15h39
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Herrmann e Attwood venceram em 1970 com o Porsche 917 KH da equipe Salzburg número 23.
Herrmann e Attwood venceram em 1970 com o Porsche 917 KH da equipe Salzburg número 23.
Foto: Porsche / Divulgação

Os dias 11 e 14 de junho ficaram marcados para sempre na história de Le Mans. A cidade francesa que abriga a famosa corrida de 24 Horas teve há 50 anos e há 65 anos dois momentos inesquecíveis. No dia 14 de junho de 1970, a Porsche finalmente conseguiu sua primeira vitória na mais difícil corrida de automóveis do mundo. No dia 11 de junho de 1955, um acidente envolvendo o Mercedes-Benz 300 SLR de Pierre Bouillin e o Austin-Healey 100 S de Lance Macklin matou o piloto da equipe alemã e mais de 80 espectadores. Bouillin morreu com um sobrenome diferente, pois se inscreveu para a prova como Pierre Levegh.

Foi o pior acidente da história do automobilismo. Por causa dele, a Mercedes-Benz, que dominava as pistas na Fórmula 1 com Juan Manuel Fangio e Stirling Moss, se retirou das pistas imediatamente e só voltou 34 anos depois, em 1989. Se para a Mercedes, a lembrança das 24 Horas de Le Mans é de tragédia, para a Porsche é de glória. Curiosamente, as duas montadoras têm sede na mesma cidade da Alemanha: Stuttgart. 

Um total de 19 vitórias na classificação geral, inúmeros sucessos por categoria e emoções incríveis vinculam a Porsche às 24 Horas de Le Mans. Em 14 de junho de 1970, a Porsche alcançou sua primeira vitória na classificação geral com o carro esporte 917 KH de 588 cv. Cinquenta anos depois, no fim de semana de 13 e 14 de junho de 2020, o Porsche Museum apresentará o carro vencedor original em sua exposição, em Stuttgart.

Tragédia nas 24 Horas de Le Mans de 1955: o Mercedes de Bouillin (Levegh) explodiu ao bater na beira da pista.
Tragédia nas 24 Horas de Le Mans de 1955: o Mercedes de Bouillin (Levegh) explodiu ao bater na beira da pista.
Foto: Reprodução

Tragédia da Mercedes

Por muito pouco o argentino Juan Manuel Fangio, pentacampeão de Fórmula 1, não foi envolvido na tragédia de Le Mans nas 24 Horas de 1955. O acidente ocorreu quando Mike Hawthorn (vencedor com um Jaguar D-Type), reduziu drasticamente a velocidade para entrar nos boxes. Lance Maklin, que vinha atrás num Austin-Healey, desviou para a esquerda. “Levegh” veio pela esquerda, acertou o carro de Maklin e seu Mercedes voou em direção ao público. Fangio, também de Mercedes, teve um rápido reflexo e desviou do carro de Maklin.

Mike Hawthorn, com Jaguar D-Type, é perseguido por Juan Manuel Fangio, com o Mercedes 300 SLR.
Mike Hawthorn, com Jaguar D-Type, é perseguido por Juan Manuel Fangio, com o Mercedes 300 SLR.
Foto: Mercedes-Benz / Divulgação

O Mercedes de “Levegh” bateu no chão e explodiu, matando o piloto. Mas várias de seu carro se soltaram na batida e voaram em direção ao público, matando mais de 80 espectadores. Até hoje não se sabe se morreram 82, 83 ou 85 pessoas, e deixando ainda dezenas de feridos. Por incrível que pareça, a corrida continuou e terminou com a vitória de Mike Hawthorn, que seria campeão de Fórmula 1 em 1958, com a Ferrari.

A Mercedes só voltou oficialmente às competições em 1985, fornecendo motores para a equipe Sauber Campeonato Mundial de Carros Esporte. Em 1989, já como equipe oficial Sauber-Mercedes, a marca voltou a vencer em Le Mans, com o modelo C 9 Silver Arrows. Sua última lembrança vitoriosa de Le Mans havia sido em 1952, com a vitória do modelo W 194 (300 SL).

Fangio, ao volante do Mercedes 300 SLR número 19 na corrida de 1955.
Fangio, ao volante do Mercedes 300 SLR número 19 na corrida de 1955.
Foto: Mercedes-Benz / Divulgação

Glória da Porsche

Desde que a Porsche participou desta clássica corrida de resistência pela primeira vez em 1951 e obteve uma vitória imediata em sua classe com o 356 SL, essa corrida se tornou indispensável para o fabricante de carros esportivos. Mas foi um longo caminho até o primeiro grande triunfo. Até o fim da década de 1960, a Porsche habilmente desempenhava o papel de oprimido e concentrou-se com sucesso nas classes para motores de menor cilindrada. Assim, a Porsche iniciou uma mudança de estratégia no fim dos anos 1960. 

Em 1969, a Porsche ficou a apenas 75 m ou 1 segundo da vitória, no final mais apertado da história de Le Mans. Mas já na fase de preparação para a o ano seguinte muito do que foi aprendido nos anos anteriores foi incorporado: vitória de Hans Herrmann e Richard Attwood no 917 KH, seguidos por Gérard Larrousse e Willy Kauhsen no Martini Porsche 917 LH e Rudi Lins e Helmut Marko no Porsche 908/02. Um triplo triunfo para a Porsche.

Depois dessa vitória do modelo 917 KH, a Porsche nunca mais parou de brilhar nas 24 Horas.
Depois dessa vitória do modelo 917 KH, a Porsche nunca mais parou de brilhar nas 24 Horas.
Foto: Porsche / Divulgação

Em 1970, depois de exatamente 4.607.811 quilômetros ou 343 voltas, Hans Herrmann e Richard Attwood cruzaram a linha de chegada em primeiro lugar com o Porsche 917 KH de Porsche Salzburg número 23. “Era uma corrida dominada pela chuva e achamos que tínhamos que ficar permanentemente trocando os pneus e se adaptando à situação de momento. Não foi o desgaste que nos forçou a trocar os pneus, mas o clima em constante mudança. O fato de termos nos harmonizado tão bem como equipe nos levou à vitória. Competir em uma corrida de resistência de 24 horas com apenas dois pilotos não é tarefa fácil”, recorda Hans Herrmann.

Essa primeira vitória estabeleceu um precedente: um ano depois, 33 dos 49 participantes estavam dirigindo um carro esportivo e de corrida fabricado em Stuttgart-Zuffenhausen -- um recorde que ainda hoje é mantido. Um Porsche 917 KH também venceu a corrida em 1971. Em 1974, a Porsche anunciou a “era turbo” em Le Mans com o lançamento do 911 Carrera RSR 2.1 Turbo. A Porsche registrou a primeira vitória de um motor turbo na história da corrida com o 936 Spyder em 1976, com o mesmo carro ganhando novamente com a equipe de fábrica em 1977.

Em 1951: Auguste Veuillet e Edmond Mouche alcançaram a vitória na classe até 1100 cc com o Porsche 356 SL 1100 na primeira corrida da marca em Le Mans.
Em 1951: Auguste Veuillet e Edmond Mouche alcançaram a vitória na classe até 1100 cc com o Porsche 356 SL 1100 na primeira corrida da marca em Le Mans.
Foto: Porsche / Divulgação

Entre 1981 e 1987, os carros de corrida da Porsche permaneceram imbatíveis em Le Mans. A corrida mais longa da história das 24 horas começou com a terceira e última vitória do Porsche 936 Spyder. Em 1982, a equipe de fábrica lançou o novo tipo 956, ocupando todos os três lugares no pódio em sua estreia em Le Mans. O 956 apresentou o primeiro chassi monocoque de alumínio da Porsche e uma aerodinâmica inovadora, que permitiu uma carga aerodinâmica poderosa sem nenhum aumento perceptível no arrasto. 

No 956 e no seu sucessor, o 962 C, o fabricante de carros esportivos impulsionou o desenvolvimento de sistemas eletrônicos de injeção e ignição, bem como a muito popular transmissão Porsche de dupla embreagem (PDK) da atualidade. A partir de 1983, clientes da Porsche também largaram nos 956 e 962 C. Nove carros Porsche 956 figuraram nos dez primeiros lugares em 1983, seguidos por oito em 1984 e 1985, respectivamente.

Em 1977, vitória na classificação geral: Porsche 936 Spyder com Jürgen Barth, Hurley Haywood e Jacky Ickx (número 4).
Em 1977, vitória na classificação geral: Porsche 936 Spyder com Jürgen Barth, Hurley Haywood e Jacky Ickx (número 4).
Foto: Porsche / Divulgação

A década de 1990 viu quatro vitórias na classificação geral (tanto pela equipe de fábrica quando por equipes clientes da Porsche) em três tipos diferentes de carros de corrida, começando em 1994 com o Porsche 962 Dauer Le Mans GT, desenvolvido em Weissach e baseado no 962 C, seguido pelo TWR Porsche WSC Spyder desenvolvido pela Porsche (com o qual uma equipe cliente venceu em 1996 e 1997). Em 1998, o Porsche 911 GT1 98 foi o primeiro monocoque de fibra de carbono projetado pela Porsche, bem como os primeiros freios de fibra de carbono usados pela equipe de fábrica -- e venceu no ano em que a Porsche comemorava o 50º aniversário do recebimento da licença de circulação de seu o primeiro carro esportivo, o 356 “Roadster Número 1 ”.

Após esse sucesso, a Porsche voltou sua atenção no automobilismo para o desenvolvimento de versões de corrida do Porsche 911 e ao apoio às equipes privadas. Em Le Mans, esse compromisso foi recompensado com onze vitórias de classe entre 1999 e 2018. Em 2014, a equipe de fábrica voltou a competir pela vitória na classificação geral. Projetado “do zero” em Weissach, o Porsche 919 Hybrid apresentava soluções técnicas exclusivas. 

Hans Herrmann e Richard Attwood relembram a corrida histórica em Le Mans.
Hans Herrmann e Richard Attwood relembram a corrida histórica em Le Mans.
Foto: Porsche / Divulgação

Somente o Porsche gerou energia elétrica para a bateria de alto desempenho, convertendo a energia cinética produzida durante a frenagem e, adicionalmente, por meio de uma unidade geradora de turbina no fluxo de gás de exaustão de um motor turbo V4. O sistema geral que compreendia o motor elétrico e o motor de combustão entregou cerca de 900 hp. Essa solução de vanguarda provou ser um sucesso: de 2015 a 2017, a Porsche marcou um hat trick em Le Mans. Com 108 vitórias por classe e 19 vitórias na classificação geral, a Porsche é o fabricante de maior sucesso nos quase 100 anos de história de Le Mans..

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