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VW quer fazer da picape Tukan top 3 em vendas no Brasil

Estratégia da montadora é roubar clientes da Fiat Strada topo de linha e das versões de entrada da Toro para superar 100 mil licenciamentos por ano

3 nov 2026 - 18h24
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Resumo
A Volkswagen lançará a picape Tukan no Brasil no início de 2027, produzida no Paraná sobre a plataforma MQB. Com preços entre R$ 130 mil e R$ 180 mil, o modelo mira concorrer com Fiat Strada e Toro, buscando superar 100 mil vendas anuais para entrar no top 3 do país. Projetada com foco no agronegócio e pioneira na motorização híbrida leve (MHEV) nacional da marca, a novidade também tem potencial global e está sob avaliação da matriz alemã para ser produzida e vendida em outros mercados emergentes.

Wolfsburg, Alemanha - A Volkswagen Tukan entra em fase decisiva antes de estrear nas concessionárias brasileiras no primeiro trimestre de 2027. O modelo passa pelos últimos ajustes de pré-série na fábrica de São José dos Pinhais (PR) e chega a meta ambiciosa de ocupar um lugar no pódio dos veículos mais vendidos do País.

"Hoje, com a Saveiro, vendemos menos de 40 mil unidades por ano. A Fiat Strada, por exemplo, supera os 140 mil licenciamentos", revelou um executivo da companhia ao Jornal do Carro, sinalizando o tamanho da fatia de mercado que a nova picape pretende conquistar. A meta interna da montadora é ultrapassar a barreira de 100 mil emplacamentos anuais.

Se alcançar esse volume, o lançamento figurará entre os três carros mais vendidos do mercado nacional — disputando posição com a picape da marca italiana, o Fiat Argo e o Volkswagen Polo. Para viabilizar essa posição, a Tukan atacará as configurações de topo da Strada e as versões de entrada da Toro, orbitando em uma faixa de preço estimada entre R$ 130 mil e R$ 180 mil.

Melhoria na grade da Tukan veio de testes no agronegócio

Destronar a picape líder de vendas no Brasil não será tarefa simples. Consciente do desafio, a engenharia da marca enviou unidades protótipo para testes de campo com produtores rurais em regiões de agronegócio no Brasil.

O objetivo foi avaliar a aceitação da picape e coletar sugestões reais de uso. E já há um exemplo de melhoria atendida pela equipe de projeto.

"Aumentamos a abertura dos vãos da grade frontal para facilitar o acesso e a limpeza do radiador", conta o executivo. Durante os testes em estradas de terra e poeira, os clientes relataram que o componente acumulava sujeira com facilidade, exigindo higienizações frequentes para evitar sobreaquecimento.

Brasileira Tukan está sob avaliação da matriz alemã

Embora o desenvolvimento da Tukan tenha sido liderado pela engenharia brasileira, a picape não ficará restrita ao mercado sul-americano. O projeto ganhou apelo global e pode ser produzido em outros continentes para abastecer mercados emergentes.

Ricardo Plöger, vice-presidente de engenharia da Volkswagen América do Sul, viajou à Alemanha para apresentar o veículo e realizar uma rodagem de avaliação ao lado de Oliver Blume, CEO global do Grupo Volkswagen.

"A Tukan tem um perfil ideal para países da África, do Leste Europeu e para a Índia", afirma Plöger, destacando a carência de picapes intermediárias nessas regiões. O executivo confirmou o plano de expansão internacional, mas manteve em sigilo qual fábrica no exterior receberá a linha de montagem do modelo.

"Temos poucas picapes na gama global e nenhuma outra construída sobre a arquitetura MQB", reforça o engenheiro, referindo-se à plataforma modular compartilhada com modelos de marcas como Audi, Skoda e Seat.

Motor híbrido leve e visual de produção

Com produção confirmada no Paraná, a Volkswagen Tukan marcará a estreia da tecnologia de eletrificação nacional da fabricante. Uma das opções de motorização será o sistema híbrido leve de 12V (MHEV), que auxilia o motor a combustão nas partidas e em momentos de aceleração, reduzindo as emissões e prometendo ganho de até 5% na eficiência energética.

A unidade avaliada e fotografada pela reportagem em Wolfsburg antecipa os traços de uma versão intermediária. A picape exibe carroceria na cor branca, para-choques sem pintura e rodas de liga leve de 16 polegadas com acabamento escurecido, configuração desenhada para dosar custo e apelo visual diante da concorrência.

Estadão
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