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Como Bolsonaro usa Battisti para reforçar posição à direita

Detido após ficar um mês foragido, o italiano foi alvo constante do ex-deputado, antes e depois de se eleger presidente

13 jan 2019
13h32
atualizado às 13h57
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A prisão de Cesare Battisti na Bolívia, noticiada na madrugada deste domingo, 13, foi prontamente comemorada pelo presidente Jair Bolsonaro e seus aliados. Detido após ficar um mês foragido, o italiano foi alvo constante do ex-deputado, antes e depois de se eleger presidente. Bolsonaro usa Battisti para reforçar sua posição contrária a políticos de esquerda.

Um dos motivos é a ligação estabelecida entre o italiano e os adversários políticos do atual presidente. Asilado no Brasil durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Battisti foi constantemente associado por Bolsonaro a partidos como o PT e o PSOL. "Finalmente a justiça será feita ao assassino italiano e companheiro de ideais de um dos governos mais corruptos que já existiram no mundo (PT)", escreveu Bolsonaro este domingo no Twitter.

Cesare Battisti durante entrevista feita em sua residência em Cananeia, interior paulista
Cesare Battisti durante entrevista feita em sua residência em Cananeia, interior paulista
Foto: Gabriela Biló / Estadão Conteúdo

A extradição de Battisti chegou a ser promessa de campanha de Bolsonaro. "Reafirmo aqui meu compromisso de extraditar o terrorista Cesare Battisti, amado pela esquerda brasileira, imediatamente em caso de vitória nas eleições", escreveu em outubro no Twitter, em italiano. "Mostraremos ao mundo nosso total repúdio e empenho no combate ao terrorismo."

Porém, o plano de Bolsonaro de decretar a extradição do italiano não se concretizou. Em dezembro, um dia após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, anular uma liminar que impedia a prisão de Battisti e o italiano virar foragido, foi o então presidente Michel Temer que assinou o decreto de sua extradição.

O tom das comemorações de Bolsonaro neste domingo foi dado pelos filhos, Carlos e Eduardo, assim como o pai, bastante ativos nas redes sociais. "Aguardamos ansiosamente qual será a relação do PT, PCdoB, PSOL e alinhados diante da prisão do italiano terrorista assassino", escreveu Carlos. "A esqueda chora", publicou Eduardo. Ambas as mensagens foram reproduzidas na conta oficial do presidente.

Nos últimos meses, o tema ainda fez Bolsonaro se aproximar de lideranças italianas. O país defendia a extradição de Battisti. "Parabéns e sempre conte conosco, ministro Salvini", escreveu neste domingo após o vice-primeiro-ministro do país, Matteo Salvini, publicar uma mensagem em que comemora a prisão de Battisti.

Também durante a campanha presidencial, no ano passado, Bolsonaro publicou um vídeo ao lado do deputado ítalo-brasileiro Roberto Lorenzato que, segundo o então candidato, transmitiu mensagens de Salvini, de apoio e reforçando o pedido pela extradição de Battisti. "Compromisso mais que reafirmado", escreveu Bolsonaro.

Relembre o caso Battisti

A Polícia Federal já havia feito ao menos 32 operações para capturar Battisti. O italiano foi preso pela unidade da Polícia da Bolívia que representa a Interpol, com base em informações fornecidas pela polícia italiana.

Battisti foi condenado à prisão perpétua pelos assassinatos de quatro pessoas na Itália: dois policiais, um açougueiro e um joalheiro. Os crimes ocorreram entre 1977 e 1979, mas ele nega as acusações. Ao Estado, o italiano disse que "me acusam de um homicídio que aconteceu quando eu não estava mais na Itália."

OS TWEETS DE BOLSONARO SOBRE CESARE BATTISTI

Jair Bolsonaro utilizou o Twitter para se manifestar a respeito de Cesare Battisti diversas vezes. Relembre:

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Estadão
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