Violência doméstica: 81% das lesões em mulheres são no rosto
Dados médicos revelam que a face é o principal alvo em agressões, atingindo diretamente a autoestima feminina
Com a proximidade do Dia Internacional da Mulher, um dado médico gera um alerta no Brasil.
Levantamentos recentes mostram que 81% das mulheres vítimas de violência doméstica apresentam lesões na face.
A face é o alvo principal por representar a identidade e a autoestima da mulher. Atingir o rosto significa tentar ferir a dignidade e a imagem da vítima de forma simbólica.
Cirurgiões bucomaxilofaciais são, muitas vezes, os primeiros a identificar esses sinais graves em ambientes hospitalares.
As lesões invisíveis: O que acontece além dos hematomas
Muitas vítimas acreditam que sofreram apenas impactos superficiais após uma agressão. No entanto, os traumas podem atingir estruturas ósseas e dentárias profundas.
Segundo a especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial, Dra. Juliana Búrigo, os danos variam entre tecidos e ossos.
Principais consequências físicas:
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Hematomas, cortes profundos e inchaços severos.
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Fraturas nos ossos da maçã do rosto, nariz e maxila.
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Dentes quebrados, deslocados ou perda total da dentição.
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Dificuldades funcionais para falar ou realizar a mastigação.
Estudos indicam que 41% das fraturas ocorrem no terço médio da face. Já 15% atingem a mandíbula, o que compromete movimentos básicos do dia a dia.
O perfil da agressão e o ciclo da violência
Os dados revelam um padrão preocupante sobre quem comete esses atos violentos no ambiente doméstico.
Cerca de 90% dos agressores são companheiros ou parceiros íntimos das vítimas. Além disso, 33% das mulheres atendidas já haviam sofrido agressões anteriores.
Em quase 68% dos casos, a violência ocorre por meio de socos e tapas direcionados. Esses impactos podem causar visão dupla, dormência facial e até riscos neurológicos graves.
Sentir tontura ou confusão mental após um impacto são sinais que exigem socorro médico imediato.
Atendimento rápido reduz sequelas permanentes
O tempo entre a agressão e o socorro médico determina a qualidade da recuperação física.
Quando uma fratura óssea não é tratada rapidamente, ela pode cicatrizar de forma incorreta. Isso causa deformidades faciais permanentes e prejuízos nas funções vitais do rosto.
O atendimento imediato também evita procedimentos dentários mais invasivos ou perdas definitivas.
A recomendação é procurar um pronto atendimento hospitalar com equipe especializada em traumas faciais. Exames como a tomografia computadorizada são essenciais para um diagnóstico completo e seguro.
O impacto psicológico e a reconstrução da identidade
A violência física e o dano emocional caminham juntos de forma muito dolorosa.
Carregar marcas visíveis da agressão intensifica o sofrimento psicológico da mulher. Por isso, tratar as lesões faz parte do processo de recuperação da autoestima ferida.
Buscar ajuda médica e denunciar o agressor são passos vitais para interromper o ciclo. O acolhimento profissional oferece a segurança necessária para a mulher reconstruir sua própria vida.
Não sofra sozinha. Existem redes de apoio e profissionais prontos para ajudar na sua proteção.
Como buscar ajuda?
Se você ou alguém que você conhece está em perigo, utilize os canais de denúncia:
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Ligue 180: Central de Atendimento à Mulher (gratuito e sigiloso).
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Ligue 190: Polícia Militar (em casos de emergência imediata).
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Delegacias da Mulher: Procure a unidade mais próxima em sua cidade.