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Vinhos soterrados por enchentes no RS tornam-se símbolo de retomada e resiliência na Serra Gaúcha

Após prejuízo de R$ 1,5 milhão com as enchentes no RS, produtores lançam vinho especial e investem em tecnologia para proteger safra recorde

27 abr 2026 - 08h54
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Após as fortes enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024, os viticultores da Serra Gaúcha vivem um momento de alívio e celebração. O impacto da maior catástrofe ambiental, com chuvas que devastaram infraestruturas e propriedades inteiras, está sendo superado por uma safra descrita como "emblemática", que atingiu a marca de 905 mil toneladas, somando uvas de mesa e para a indústria. Segundo dados da Emater-RS, este volume está acima da média histórica, evidenciando uma recuperação que mescla investimentos pesados em tecnologia e a persistência dos agricultores locais.

Conheça a história dos vinhos soterrados pelas enchentes no RS e como os viticultores da Serra Gaúcha estão usando tecnologia para superar a crise
Conheça a história dos vinhos soterrados pelas enchentes no RS e como os viticultores da Serra Gaúcha estão usando tecnologia para superar a crise
Foto: Reprodução Globo Rural / Perfil Brasil

Enchentes e renascimento

A jornada para reerguer as vinícolas foi marcada por perdas sucessivas e um esforço financeiro exaustivo. De acordo com o Globo Rural, o produtor Arnaldo Argenta, de Barão (RS), relata que sua propriedade sofreu com transbordamentos e enchentes por três anos consecutivos, entre 2023 e 2025. O momento mais crítico ocorreu em maio de 2024, quando a família perdeu toda a produção que estava em processo de fermentação e teve máquinas cobertas pela lama, acumulando um prejuízo de R$ 1,5 milhão. Em uma manobra de resiliência, a família lançou a "Edição Inundação": 180 garrafas soterradas que foram limpas e vendidas com um poema sobre a força da terra. O otimismo, no entanto, é cauteloso: "A gente vai levar cinco anos para voltar ao estágio em que estávamos, mas a gente tem muita resiliência e vai conseguir", afirma Arnaldo.

Para João Paulo Berra, viticultor de quinta geração, a continuidade do trabalho é uma questão de honra familiar, pois "a viticultura não é só uma fonte de renda, é um legado. Passa de pai para filho".

Tecnologia e inovação contra as mudanças climáticas

Para blindar a produção contra as variações extremas de tempo, o setor investe no sistema de cultivo coberto, uma técnica que reduz em até 90% a ocorrência de doenças fúngicas e protege os frutos da chuva direta. Apesar da eficácia, o custo de implantação é um desafio econômico, chegando a R$ 450 mil por hectare. Além da barreira física, a adaptação passa pela pesquisa genética; em Santa Teresa, a família Berra mantém uma área experimental com 50 variedades europeias, como a tcheca Palava. Essa uva precoce permite escalonar a colheita, evitando perdas por excesso de umidade nos períodos de pico. Essa dedicação mantém viva uma tradição que remonta a 1875 e que, para João Paulo Berra, é movida por um sentimento profundo, como se houvesse "sangue nas veias" pulsando em cada parreira recuperada.

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