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Uruguai contesta território na Fronteira Oeste do RS

Ministério das Relações Exteriores do Uruguai emitiu nota ao Itamaraty questionando soberania na região

1 jul 2025 - 09h49
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Uma controvérsia fronteiriça pouco conhecida fora dos círculos diplomáticos voltou ao centro das atenções após o Uruguai manifestar desconforto com a instalação de um parque eólico em uma região cuja soberania ainda é alvo de disputa com o Brasil. O empreendimento, localizado em Santana do Livramento, na Fronteira Oeste, ocupa uma área que os uruguaios chamam de Rincón de Artigas.

Foto: Google Maps / Porto Alegre 24 horas

A resposta do Ministério das Relações Exteriores do Uruguai veio em forma de nota enviada ao Itamaraty, na qual o governo uruguaio afirma desconhecer o projeto e reitera que a construção não implica reconhecimento da soberania brasileira sobre o território. O documento ainda sugere a retomada das conversas bilaterais sobre a delimitação da fronteira naquela área.

O foco da discordância é uma faixa de terra de cerca de 22 mil hectares, cuja titularidade é contestada desde 1934. À época, Montevidéu questionou a localização de um marco fronteiriço posicionado por uma comissão binacional, alegando que o Brasil teria incorporado uma área além do curso d'água que, segundo os uruguaios, deveria ter sido seguido.

Enquanto o Brasil considera o território parte legítima de seu domínio — inclusive com presença civil institucionalizada desde 1985, com a criação da vila Thomaz Albornoz — o Uruguai, desde 1974, assinala o trecho como "limite contestado" em seus mapas oficiais, incluindo-o administrativamente no Departamento de Artigas.

A instalação do Parque Eólico Coxilha Negra, iniciada em 2022 e atualmente em operação, reacendeu o impasse. O complexo tem capacidade para gerar 302,4 megawatts, energia suficiente para atender cerca de 1,5 milhão de pessoas, segundo dados da Eletrobras. A relevância econômica e estratégica do empreendimento deu novo peso à antiga reivindicação uruguaia.

Veja a nota emitida pelo governo uruguaio

O Ministério das Relações Exteriores do Uruguai enviou hoje uma nota verbal ao Brasil, na qual deixa "expressa constatação" de que a construção do Parque Eólico "Coxilha Negra", processo iniciado em 2021 e desconhecido pelo atual governo, não implica reconhecimento do exercício da soberania do Brasil sobre o território denominado "Rincón de Artigas", questionado na nota verbal de 17 de agosto de 1988.

Na mensagem, o Uruguai expressa seu "desejo e augúrio" para que "no marco da irmandade entre ambos os povos e com o espírito de equidade e justiça que sempre inspirou a negociação e determinação de nossos limites fronteiriços e a construção de nossas fronteiras como espaços de comunidade", a questão do território mencionado possa ser retomada em um futuro próximo "nos âmbitos que forem adequados".

Porto Alegre 24 horas
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