Um escocês sobreviveu por quatro anos em uma ilha no meio do oceano: os gatos se tornaram seus aliados
Alexander Selkirk vive isolado por 4 anos e quatro meses em uma ilha. Entre suas estratégias, alimentar gatos selvagens ajuda a manter ratos longe durante a noite.
Em 1704, o marinheiro escocês Alexander Selkirk foi abandonado em uma ilha remota do Pacífico, onde sobreviveu por mais de quatro anos até ser resgatado em 1709. Ele caçava cabras para alimentação e vestuário e domesticou gatos selvagens para se proteger de infestações de ratos que o atacavam à noite. Mantendo a sanidade por meio de leituras bíblicas e rotina rígida, sua incrível saga de isolamento e extrema adaptação serviu como a principal inspiração para a obra Robinson Crusoé.
Alexander Selkirk passou quatro anos e quatro meses praticamente sozinho em uma ilha remota do Pacífico depois de ser deixado para trás em 1704. O marinheiro escocês teve de improvisar abrigo, roupas e ferramentas, caçar cabras e encontrar formas de lidar com um problema inesperado: ratos que o atacavam durante a noite. Foi nesse ponto que os gatos selvagens da ilha se transformaram em aliados essenciais para sua sobrevivência.
Como Alexander Selkirk acabou sozinho em uma ilha?
Selkirk navegava no navio Cinque Ports, durante uma expedição de corsários britânicos. Ele desconfiava seriamente das condições da embarcação e entrou em conflito com o capitão Thomas Stradling. Em determinado momento, disse que preferia permanecer em uma ilha a continuar em um navio que considerava inseguro.
O capitão levou a declaração a sério e ordenou que ele fosse desembarcado em Más a Tierra, no arquipélago Juan Fernández, na costa do Chile. Selkirk logo se arrependeu e pediu para voltar, mas o navio partiu sem ele. Sua desconfiança, porém, não era completamente infundada: o Cinque Ports naufragou algum tempo depois.
Ele não chegou à ilha completamente sem recursos
Quando ficou para trás, Selkirk tinha alguns itens importantes: uma arma com munição e pólvora, machado, faca, panela, roupas, roupa de cama, tabaco, uma Bíblia e instrumentos de navegação e matemática.
Esses recursos ajudaram bastante no início, mas não poderiam durar quatro anos. Com o tempo, ele precisou depender quase completamente do que encontrava na própria ilha.
As cabras viraram sua principal fonte de alimento
Cabras selvagens viviam no interior da ilha, descendentes de animais deixados ali por navegadores anteriores. Selkirk passou a caçá-las para obter carne e também aproveitou suas peles para substituir as roupas que começaram a se desgastar.
Com o passar do tempo, sua adaptação física ao terreno ficou tão grande que relatos posteriores afirmam que ele conseguia perseguir as cabras correndo. Quando sua munição diminuiu, essa habilidade se tornou ainda mais importante.
Mas o verdadeiro problema aparecia quando ele tentava dormir
Ratos também haviam chegado à ilha com embarcações e se multiplicado. Eles circulavam perto dos abrigos e, segundo os relatos sobre Selkirk, mordiam suas roupas e até seus pés durante a noite.
Para alguém isolado e sem acesso a medicamentos, qualquer ferimento poderia se transformar em um problema sério. Selkirk precisava encontrar uma maneira de reduzir a presença dos roedores perto de onde dormia.
Foi então que os gatos se tornaram seus aliados
Gatos selvagens também viviam na ilha. Em vez de enxotá-los, Selkirk começou a aproximá-los oferecendo pedaços de carne de cabra. Aos poucos, alguns passaram a permanecer perto dele.
A presença dos felinos ajudou a manter os ratos afastados do abrigo. Não se tratava exatamente de animais domésticos como os atuais, mas de uma relação de conveniência: Selkirk oferecia alimento e os gatos controlavam os roedores.
Selkirk construiu uma rotina para não perder completamente o contato com a vida humana
A sobrevivência física era apenas parte do desafio. Ele também precisava enfrentar anos sem companhia humana. Para criar algum senso de normalidade, estabeleceu uma rotina, lia a Bíblia, rezava e cantava salmos em voz alta.
Essa disciplina ajudava a organizar seus dias e também a manter o uso da própria língua. Quando foi resgatado, depois de mais de quatro anos, sua fala ainda estava comprometida pela falta prolongada de conversas.
Ele ainda precisou fugir de homens que poderiam tê-lo resgatado
Em pelo menos uma ocasião, marinheiros espanhóis desembarcaram na ilha. Para Selkirk, contudo, isso não representava uma oportunidade segura de voltar para casa. Como britânico envolvido em expedições contra interesses espanhóis, ele poderia ter sido preso.
Segundo seu relato posterior, chegou a ser perseguido e se escondeu em uma árvore enquanto os homens o procuravam abaixo. Eles acabaram deixando a ilha sem encontrá-lo.
O resgate só aconteceu em 1709
No início de 1709, os navios britânicos Duke e Duchess, comandados por Woodes Rogers, chegaram ao arquipélago. Selkirk finalmente encontrou homens que não precisava evitar.
Quando foi localizado, vestia roupas feitas de pele de cabra, tinha cabelo e barba longos e estava extremamente adaptado ao terreno. Rapidamente mostrou à tripulação onde encontrar água e alimento e voltou a trabalhar como marinheiro.
Sua história ajudou a criar um dos náufragos mais famosos da literatura
A experiência de Selkirk tornou-se conhecida depois de seu retorno. Woodes Rogers escreveu sobre o resgate, e o ensaísta Richard Steele também registrou sua história. Anos depois, Daniel Defoe publicou Robinson Crusoe, em 1719.
Selkirk é tradicionalmente apontado como uma das inspirações reais para o personagem, embora o romance tenha muitos elementos inventados e não seja uma reprodução direta de sua vida. Em 1966, a ilha onde ele viveu foi oficialmente rebatizada de Ilha Robinson Crusoe.
Os gatos foram apenas um detalhe, mas um detalhe que fez enorme diferença
Selkirk sobreviveu graças a uma combinação de conhecimento, adaptação, recursos naturais e decisões práticas. Os gatos não foram responsáveis por toda a sua sobrevivência, mas resolveram um problema que afetava diretamente seu descanso e sua segurança.
Em um lugar onde não existia médico, ferramenta de reposição ou ajuda próxima, evitar mordidas de ratos durante a noite já era uma vantagem enorme. Por isso, entre cabras, instrumentos improvisados e abrigos de madeira, os gatos acabaram ocupando um papel curioso na história real do homem que ajudou a inspirar Robinson Crusoe.
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