Bloqueio de internet no Irã completa 75 dias
Apagão imposto pelo regime iraniano é o mais longo já registrado por grupo de monitoramento, superando marca anterior observada em Mianmar em 2021. Acompanhe o conflito.
Bloqueio do regime iraniano sobre internet completa mais de 70 dias
Irã ameaça enriquecer urânio a 90% caso EUA voltem a atacar
Pentágono diz que guerra já custou US$ 29 bilhões aos EUA
Israel continua a lançar ataques mortíferos no Líbano, mesmo sob cessar-fogo
Trump rejeita resposta iraniana a plano de paz
Piratas somalis ressurgem após guerra no Irã desviar navios
Acompanhe abaixo os desdobramentos dos ataques dos EUA e de Israel ao Irã, em 28 de fevereiro, que mataram o líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e vários chefes militares, desencadeando o atual conflito no Oriente Médio:
Irã entra no 75º dia de bloqueio de internet, o mais longo já registrado
O bloqueio que as autoridades iranianas mantêm sobre o acesso à internet global entra nesta quarta-feira em seu 75º dia e já é o mais longo deste tipo de que se tem registro, superando os 72 dias da restrição imposta pelas autoridades de Mianmar durante o golpe de Estado de fevereiro de 2021, segundo informou a organização NetBlocks, que monitora o tráfego e a censura na rede.
O diretor da NetBlocks, Alp Toker, afirmou à Agência EFE que "o apagão do Irã é o apagão nacional mais longo já registrado e o mais extenso deste tipo em uma sociedade conectada digitalmente", superando Mianmar e, há várias semanas, o Sudão.
De acordo com os registros da organização, os apagões mais longos após o do Irã e de Mianmar ocorreram no Sudão em junho de 2019 (36 dias) e em outubro de 2021 (25 dias), enquanto o quinto em duração também foi aplicado pelo Irã durante os protestos de janeiro, quando a internet foi desconectada por 20 dias.
A NetBlocks também possui registros de outros incidentes em locais onde o acesso à internet não estava disponível de forma generalizada, como na Coreia do Norte ou na Líbia.
"Esta censura digital provocou especulação e uma deterioração da segurança digital, uma vez que os planos de internet 'Pro' apoiados pelo governo e as listas brancas seletivas estão resultando em vigilância, corrupção e golpes", assinalou a organização ao referir-se ao apagão no Irã.
A república islâmica optou por um acesso à internet por níveis, passando de um direito público para um serviço limitado e dispendioso, em um modelo que alguns meios de comunicação já descrevem como "internet por classes".
Sob o nome de internet Pro, as autoridades implementaram um sistema aprovado em instâncias superiores ao governo, como o Conselho Supremo de Segurança Nacional, cuja execução foi encarregada ao Centro Nacional do Ciberespaço.
O resultado, segundo o jornal Shargh, é um esquema de acesso desigual não apenas entre quem tem conexão e quem não tem, mas também entre os próprios beneficiários.
O próprio governo iraniano criticou "qualquer forma de restrição ou discriminação" no acesso à rede, embora tais decisões estejam vinculadas a órgãos relacionados à segurança nacional.
A discriminação já existia previamente, pois alguns usuários, especialmente altos cargos políticos, contam com o que se conhece como "cartões brancos" - chips com acesso à internet sem censura que, mesmo em tempos de corte nas conexões, continuam funcionando, o que gera forte indignação entre a população.
jps (EFE)
Irã executa mais um prisioneiro condenado
As autoridades do Irã executaram nesta quarta-feira um prisioneiro condenado por supostamente colaborar com o Mossad, o serviço de inteligência de Israel, em meio a uma onda de enforcamentos na república islâmica.
"Ehsan Afrasht foi enforcado por espionagem a favor do regime sionista, por manter contato e colaborar com agentes do serviço de inteligência Mossad", informou a Mizan, agência de notícias vinculada ao Judiciário iraniano.
Segundo o relato da agência oficial, Afrasht recebeu treinamento do Mossad, espionou para o serviço israelense fingindo ser taxista e, mais tarde, trabalhou para uma empresa afiliada ao Exército iraniano para compartilhar informações com Tel Aviv.
O Irã acelerou as execuções desde o início da guerra com Israel e os Estados Unidos, no último dia 28 de fevereiro, especialmente de réus condenados por supostos laços com Israel ou manifestantes que participaram dos protestos de janeiro.
Na segunda-feira, as autoridades do Irã executaram Erfan Shakourzadeh por supostamente atuar como espião da CIA (agência de inteligência dos EUA) e do Mossad e, na primeira semana de maio, pelo menos outros cinco prisioneiros foram enforcados pelo mesmo motivo.
De acordo com o Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, 21 pessoas foram executadas e mais de 4.000 foram detidas no Irã por motivos políticos ou de segurança nacional desde o início do conflito bélico.
O Irã é um dos países com o maior número de execuções no mundo e, em 2025, enforcou 1.639 pessoas, um aumento de 68% em relação ao ano anterior - a cifra mais elevada desde 1989, segundo o relatório anual das ONGs Iran Human Rights (IHRNGO) e Ensemble contre la Peine de Mort (ECPM).
jps (EFE)
Envios de petróleo da ilha iraniana de Kharg sofrem a maior paralisação desde o início da guerra
Os envios de petróleo da ilha iraniana de Kharg, principal terminal exportador do país, parecem estar paralisados há vários dias consecutivos, segundo imagens de satélite compiladas pela rede Bloomberg, no que representa a interrupção mais prolongada detectada desde o início da guerra.
As imagens de satélite coletadas pela agência mostram que não havia petroleiros oceânicos atracados no terminal nos dias 8, 9 e 11 de maio. Embora desde o começo do conflito já tivessem sido registrados dias isolados sem navios nos cais, nunca se havia observado um período tão prolongado sem atividade de carga.
O Irã havia mantido as operações em Kharg durante o conflito e continuou carregando petróleo em navios utilizados posteriormente como armazenamento flutuante, depois que a Marinha americana bloqueou a saída de embarcações do Golfo Pérsico.
A Bloomberg aponta que uma paralisação prolongada do terminal aumentaria ainda mais a pressão sobre as instalações de armazenamento restantes do país, que, segundo as imagens citadas, estão cada vez mais cheias. Se a capacidade for esgotada, Teerã poderá se ver obrigada a aplicar novos cortes de produção, depois de já ter reduzido parte do seu bombeamento.
O jornal The New York Times relatou previamente um vazamento de 3 mil barris na instalação a partir de uma imagem feita no dia 6 de maio, o que poderia ter afetado os carregamentos. O Irã negou a existência do vazamento e as imagens posteriores não mostram sinais evidentes de derramamento.
As fotografias tiradas em 11 de maio pelo satélite Sentinel 2 da União Europeia mostram que todos os pontos de atracação de Kharg estão vazios. Outras imagens captadas dois e três dias antes também não registram petroleiros no terminal.
Desde o início dos ataques lançados por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, apenas duas imagens anteriores haviam mostrado o terminal sem navios atracados: uma no início de março e outra em meados de abril.
Diante da impossibilidade de deixar o Golfo Pérsico sem risco de apreensão ou ataque por parte da Marinha americana desde meados de abril, vários petroleiros iranianos estão sendo utilizados como armazenamento flutuante.
Segundo Bloomberg, o número de grandes petroleiros ancorados a leste de Kharg aumentou de três embarcações, em 11 de abril, para ao menos 18 navios de diferentes tamanhos em 11 de maio. Outras embarcações se concentram em frente ao porto iraniano de Chabahar, perto da fronteira com o Paquistão.
jps (EFE)
Ataques israelenses a veículos perto de Beirute deixam 8 mortos, dois deles crianças
Pelo menos oito pessoas morreram nesta quarta-feira, entre elas duas crianças, em vários ataques lançados por Israel contra veículos na estrada que liga o sul do Líbano a Beirute, a uma distância de entre 20 e 30 quilômetros ao sul da capital.
"Os três ataques realizados pelo inimigo israelense na rodovia costeira Sidon-Sul, especificamente em Barja, Jiyeh e Saadiyat, causaram oito mortos, incluindo duas crianças", informou o Centro de Operações de Emergência do Líbano em um comunicado.
Por sua vez, a agência de notícias libanesa ANN relatou que todos os bombardeios tiveram como alvo veículos que circulavam pela zona, e divulgou fotografias de dois dos carros destruídos e em chamas após serem atingidos pelos mísseis.
As áreas onde os veículos foram bombardeados situam-se a distâncias de entre 20 quilômetros de Beirute, no caso de Saadiyat, a mais próxima, e cerca de 30 quilômetros, no caso de Jiyeh e da rotatória de Barja.
Israel continua a bombardear o território libanês apesar da entrada em vigor de um cessar-fogo há quase um mês, mas as suas ações costumam concentrar-se no sul do país e apenas neste fim de semana tinha ocorrido uma ação semelhante na estrada que leva à capital.
Também na semana passada, o Estado judeu atacou pela primeira vez durante a trégua os subúrbios meridionais de Beirute conhecidos como Dahye, onde afirmou ter tido como alvo o comandante do corpo de elite do grupo xiita Hezbollah, as Forças Radwan.
Nesta terça-feira, o ministro da Saúde Pública do Líbano, Rakan Nasreddine, afirmou que 380 pessoas foram mortas e outras 1.122 ficaram feridas em ataques israelenses perpetrados após a implementação da cessação das hostilidades, em meados de abril.
jps (EFE)
Trump diz que situação no Irã está "sob controle" e que não precisa pedir ajuda a Xi
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira que não precisa pedir ajuda para resolver a guerra do Irã ao líder da China, Xi Jinping, com quem se reunirá nesta semana em Pequim, já que considera que o conflito com a república islâmica "está sob controle".
"Temos muitas coisas para discutir. Para ser franco, não diria que o Irã seja uma delas, porque temos o Irã muito sob controle. Ou chegaremos a um acordo ou (os iranianos) serão dizimados. De uma forma ou de outra, vamos vencer", disse Trump a jornalistas no lado de fora da Casa Branca antes de viajar para a China, onde ficará até sexta-feira.
O presidente americano classificou sua relação com Xi como "imensa" e reiterou que espera que o encontro seja "magnífico".
"Sempre nos demos bem, estamos indo muito bem com a China, e trabalhar com eles tem sido muito positivo. Por isso, esperamos com entusiasmo essa reunião. Como sabem, o presidente Xi virá aqui no final do ano, o que também será muito emocionante", declarou.
Quanto à situação no Irã, Trump insistiu que não precisa de nenhuma ajuda e que as capacidades militares de Teerã "foram dizimadas", apesar da incerteza em relação às negociações de paz depois que ele considerou "totalmente inaceitável" a resposta do Irã à proposta americana.
No entanto, Trump pediu em outras ocasiões à China, maior parceiro comercial do Irã, que convença o país a reabrir o estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 45% das importações de gás e petróleo chinesas.
Na semana passada, ele disse que conversará com Xi sobre o assunto e que o líder chinês tem sido "muito gentil" em relação ao conflito, levando em conta que Pequim importa do golfo Pérsico a maioria dos hidrocarbonetos que consome.
Além disso, Trump confirmou na segunda-feira que vai abordar o apoio histórico de Washington a Taiwan e o fornecimento de armamentos para a ilha, que Pequim considera uma província rebelde e já ameaçou ocupá-la militarmente.
A visita de Trump à China, a primeira em mais de oito anos, estava prevista para março, mas foi adiada devido à guerra que os Estados Unidos e Israel lançaram contra o Irã
jps (EFE)
Trump diz que não precisa da Otan para lidar com o Irã e critica aliados
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira que não precisa da ajuda da Otan para lidar com o Irã, porque Washington já venceu militarmente a República Islâmica, e reiterou suas críticas pela falta de apoio dos aliados na guerra.
"A Otan me decepcionou profundamente. A Otan não esteve presente quando precisamos dela. Não precisamos da Otan, mas, se precisássemos, simplesmente não estaria lá", disse Trump à imprensa na Casa Branca antes de viajar a Pequim para se reunir com o seu homólogo chinês, Xi Jinping.
Trump repetiu que não precisarão de "nenhuma ajuda" de seus parceiros no Irã. "Venceremos de uma forma ou de outra. Venceremos pela via pacífica ou de qualquer outro modo", acrescentou.
O mandatário americano tem criticado repetidamente os países-membros da Otan por não atenderem ao chamado dos EUA, que, junto a Israel, iniciaram a guerra contra o Irã no último dia 28 de fevereiro, sem consultar ou avisar previamente seus parceiros.
Em resposta aos comentários do chanceler alemão, Friedrich Merz, de que Washington havia sido "humilhado" por Teerã nas negociações de paz, Trump ordenou o início da retirada de cerca de 5 mil militares americanos da Alemanha, número que pode ser ampliado.
Ele também recriminou em mais de uma ocasião a decisão da Espanha de não autorizar o uso das bases de Morón e Rota nas operações militares dos EUA e chegou a ameaçar cortar todo o comércio com Madri e impor um embargo comercial ao país.
O presidente americano disse hoje que não tem pressa em fechar um acordo de paz com Teerã que não cumpra os objetivos da guerra, já que o bloqueio naval às costas e portos iranianos lhes dá vantagem no diálogo.
A trégua na guerra contra o Irã encontra-se em seu momento mais frágil depois que o próprio Trump classificou como "totalmente inaceitável" a resposta iraniana à proposta de paz de Washington, cujos detalhes ainda são desconhecidos.
jps (EFE)
Ministro iraniano participará de reunião do Brics na Índia
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, participará da reunião de chanceleres do grupo Brics na Índia na quinta e sexta-feira, no primeiro encontro presencial de alto nível do bloco entre Teerã e alguns de seus vizinhos após o início da guerra contra Estados Unidos e Israel.
"O ministro das Relações Exteriores do Irã @araghchi viajará a Nova Délhi para participar da reunião de ministros das Relações Exteriores do BRICS", informou o governo iraniano.
Teerã indicou que está previsto que Araghchi se reúna com seu homólogo indiano, S. Jaishankar, e outros chanceleres para "debater a estabilidade regional, a cooperação multilateral e a resiliência econômica".
Participarão do encontro o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e seus homólogos da Rússia, Sergey Lavrov,; do Egito, Badr Abdelatty; da África do Sul, Ronald Lamola; e, pela primeira vez desde sua incorporação, da Indonésia, Sugiono.
Também está prevista a presença de altos representantes da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos, países que o Irã atacou durante a guerra contra EUA e Israel, iniciada em 28 de fevereiro.
O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, se ausentará das sessões devido à coincidência de datas com a cúpula bilateral entre o presidente de seu país, Xi Jinping, e o americano, Donald Trump, em Pequim.
As divergências entre Teerã e Abu Dhabi sobre o conflito no Oriente Médio já haviam bloqueado o consenso na reunião preparatória de vice-ministros e enviados especiais em 26 de abril, que terminou sem uma declaração conjunta.
O encontro desta semana, que se estenderá até sexta-feira, estabelecerá as bases técnicas da próxima Cúpula de Líderes dos BRICS, que será sediada em Nova Délhi em setembro.
jps (EFE)
Secretário de Guerra de Trump evita confirmar se EUA intensificarão conflito no Irã
O secretário de Guerra dos Estados Unidos, Pete Hegseth, evitou detalhar os planos militares para o conflito no Irã durante duas audiências realizadas nesta terça-feira na Câmara dos Representantes e no Senado, em um momento em que o cessar-fogo parece estar em seu momento mais frágil.
"Temos um plano para intensificar as medidas, se for necessário. Temos um plano para reverter a situação, se for necessário. Temos um plano para realocar recursos", declarou Hegseth.
Apesar de a representante democrata de Minnesota, Betty McCollum, ter questionado o secretário com insistência para que fornecesse detalhes sobre os planos do Exército americano, este comentou que não revelaria publicamente os próximos passos.
Hegseth também não esclareceu se o cessar-fogo com o Irã está mantido, apesar da troca de tiros entre iranianos e americanos nos últimos dias.
"Como sabem, na maioria dos casos, um cessar-fogo significa que os disparos cessam", limitou-se a dizer.
Outro assunto tratado nas audiências no Capitólio foi a redução das reservas de armamento do Exército dos Estados Unidos, uma preocupação que Hegseth classificou como "exagerada", afirmando que o país conta com mais reservas do que o necessário.
"Não concordo com a afirmação de que as munições estão se esgotando. Isso não é verdade", afirmou o secretário de Guerra americano.
Sobre a mesma questão, que tem ocupado parte do debate público nos Estados Unidos pelo temor de o país ficar desprotegido frente à China ou à Rússia, o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, também se pronunciou para tentar dissipar os receios.
"Temos munições suficientes para as tarefas que nos foram incumbidas neste momento", garantiu Caine.
Durante as sessões desta terça-feira, o tom de Hegseth foi mais moderado do que o adotado no mês passado no Capitólio, quando atacou os legisladores, chamando-os de "maior adversário" dos Estados Unidos por suas resistências em relação à guerra no Irã.
jps (EFE)
Líbano conta 380 mortes em ataques de Israel desde o início da trégua
O governo do Líbano confirmou nesta terça-feira que 380 pessoas morreram e outras 1.122 ficaram feridas em ataques israelenses contra o território libanês desde a entrada em vigor do cessar-fogo entre os dois países, há mais de três semanas.
O ministro da Saúde Pública, Rakan Nasreddine, explicou em entrevista coletiva que, desde a implementação da trégua, em 17 de abril, foram contabilizados 380 mortos e 1.122 feridos, enquanto o balanço total desde o início do conflito chega a 2.882 e 8.768, respectivamente.
Quanto aos ataques contra o setor sanitário, o titular da pasta situou em 108 o número de profissionais mortos nestes dois meses e meio de ofensiva israelense contra o Líbano, período no qual foram atingidos mais de 100 ambulâncias e caminhões de bombeiros, além de 16 hospitais.
Embora a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) já tivesse denunciado a morte de 380 pessoas há uma semana, as autoridades libanesas ainda não haviam apresentado uma contagem oficial para o período da trégua.
No início da cessação das hostilidades, os balanços do Ministério da Saúde Pública aumentaram rapidamente, à medida que eram recuperados os corpos de pessoas que ainda não tinham podido ser contabilizadas como mortas, dando lugar a cálculos não oficiais nem sempre fiéis à realidade.
A previsão é que Líbano e Israel se reúnam nesta quinta e sexta-feira, em Washington, para tentar consolidar a trégua, prorrogá-la e abordar também outros assuntos relacionados a uma potencial solução negociada para o conflito.
O Estado judeu continuou bombardeando o território libanês desde a entrada em vigor da trégua, enquanto o grupo xiita Hezbollah começou a atacar principalmente as forças presentes no sul do Líbano no quinto dia da cessação das hostilidades.
jps (EFE)
ONU denuncia mortes de 70 crianças palestinas na Cisjordânia
As Nações Unidas condenaram nesta terça-feira (12/05) as crescentes operações militares israelenses e os ataques de colonos israelenses na Cisjordânia ocupada, que deixaram 70 crianças palestinas mortas desde o início de 2025.
"As crianças estão pagando um preço intolerável pela escalada das operações militares e dos ataques de colonos em toda a Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental", disse a jornalistas o porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), James Elder.
Desde janeiro de 2025, quando Israel iniciou uma operação militar na Cisjordânia, "ao menos uma criança palestina foi morta, em média, a cada semana", afirmou. Outras 850 ficaram feridas nesse período. "A maioria dos mortos ou feridos foi atingida por munição real", disse.
Desde o início da guerra em Gaza, em outubro de 2023, após o ataque do Hamas em Israel, a violência também aumentou na Cisjordânia, ocupada por Israel desde 1967 em violação ao direito internacional.
Soldados ou colonos israelenses mataram ao menos 1.070 palestinos no período, segundo um levantamento da agência AFP com base em dados da Autoridade Palestina. Já dados oficiais israelenses mostram que ao menos 46 israelenses, entre soldados e civis, foram mortos no mesmo período. O país vem ampliando seus planos de expansão sobre territórios na Cisjordânia.
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Israel cria corte com pena de morte para julgar réus do 7/10
O Knesset (Parlamento israelense) aprovou uma lei que estabelece um tribunal militar especial para julgar centenas de palestinos acusados de participação nos ataques terroristas do Hamas em 7 de outubro de 2023, sob a qual a pena de morte poderá ser aplicada.
O projeto de lei recebeu apoio de parlamentares da coalizão e da oposição, com 93 votos a favor na noite desta segunda-feira (11/05) e nenhum dos 120 membros do Parlamento votando contra.
O tribunal especial julgará os suspeitos capturados durante ou após o ataque liderado pelo Hamas e que estão sob custódia israelense. Também julgará os suspeitos de manter ou abusar de reféns na Faixa de Gaza. Segundo a imprensa israelense, cerca de 400 suspeitos devem ser julgados perante a corte.
O tribunal militar especial, que funcionará em Jerusalém, terá jurisdição para julgar os acusados sob qualquer lei, incluindo crimes previstos na Lei de Prevenção do Genocídio, no Código Penal e na Lei Antiterrorismo, de acordo com a legislação.
O público terá acesso às audiências, com algumas partes também transmitidas ao vivo. Os acusados poderão ser condenados por crimes para os quais existe a pena de morte em Israel.
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Marca de fritas lança embalagem em preto e branco devido à guerra no Irã
O principal fabricante japonês de batatas fritas está sentindo o impacto da escassez ligada à guerra com o Irã, substituindo seus característicos pacotes laranja e amarelo por embalagens em branco e preto.
Muito conhecida no Japão, a marca Calbee é famosa por suas batatas fritas salgadas com uma ampla variedade de sabores, que vão do sal de algas à manteiga com molho de soja.
A empresa anunciou na terça‑feira que irá "revisar as especificações das embalagens" e utilizar apenas "duas cores" nos pacotes de 14 linhas de produtos a partir do fim deste mês ou em junho.
Não foi especificado quais serão essas duas cores, embora o comunicado tenha mostrado fotos de embalagens em tons de cinza.
A Calbee atribuiu a medida à "instabilidade no fornecimento de certas matérias‑primas decorrente do aumento das tensões no Oriente Médio".
A mídia local informou que o fabricante enfrenta dificuldades no fornecimento de tinta de impressão devido à escassez de nafta, um derivado do petróleo utilizado em uma ampla gama de indústrias.
"Continuaremos respondendo de forma rápida e flexível às mudanças no ambiente de negócios, incluindo os riscos geopolíticos, enquanto nos esforçamos para oferecer produtos seguros, confiáveis e que satisfaçam os consumidores", afirmou a empresa.
Aproximadamente um quinto do petróleo mundial costuma passar pelo Estreito de Ormuz, e o fechamento da rota desde o início da guerra, no fim de fevereiro, fez os preços dispararem.
A primeira‑ministra japonesa, Sanae Takaichi, afirmou que Tóquio espera contar com produtos químicos derivados da nafta em quantidade suficiente até depois do fim do ano, após aumentar as importações provenientes de fora do Oriente Médio.
md (AFP, ots)
Guerra contra Irã já custa R$ 142 bilhões, diz Pentágono
O Pentágono informou nesta terça-feira (12/05) que o custo da guerra contra o Irã já chegou a quase 29 bilhões de dólares (R$ 142 bilhões), enquanto o presidente Donald Trump enfrenta crescente pressão sobre o conflito.
O novo valor — apresentado pelo Departamento de Defesa durante uma audiência orçamentária no Capitólio — é cerca de 4 bilhões de dólares (R$ 19 bilhões) maior do que a estimativa dada pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, duas semanas antes.
Hegseth e o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, prestavam depoimento sobre o pedido orçamentário de 1,5 trilhão de dólares (R$ 7,3 trilhões) para 2027, ao lado do diretor financeiro do Pentágono, Jules Hurst, quando foram questionados sobre a atualização dos custos da guerra.
Hurst afirmou que o orçamento foi atualizado devido aos custos de reparo e substituição de equipamentos, além de despesas operacionais mais amplas.
O cessar-fogo entre EUA e Irã se mostrava cada vez mais frágil. Na segunda-feira, Trump alertou que a trégua estava "em suporte vital" após rejeitar a proposta mais recente de Teerã.
gq (AFP)
Ataque israelense contra residência no sul do Líbano deixa pelo menos 6 mortos
Pelo menos seis pessoas morreram e outras sete ficaram feridas na última noite em um bombardeio lançado por Israel contra uma residência na localidade de Kfar Dounine, no sul do Líbano, apesar do cessar-fogo em vigor entre ambos os países.
O ataque teve como alvo uma "residência habitada" dentro da aldeia e causou a morte de seis pessoas e ferimentos em outras sete, que foram transferidas para hospitais de uma cidade próxima, informou nesta terça-feira a agência de notícias libanesa ANN.
As ações ocorreram apesar da interrupção das hostilidades vigente entre Líbano e Israel desde meados de abril, e embora esteja previsto que Washington receba, ainda esta semana, uma nova rodada de diálogo para estender a duração da trégua, além de abordar soluções de longo prazo.
O presidente libanês, Joseph Aoun, e o primeiro-ministro, Nawaf Salam, reiteraram na segunda-feira a necessidade de pressionar Israel para que interrompa seus ataques, durante encontros individuais com o embaixador americano, Michel Issa.
Os Estados Unidos atuam como mediador nas conversas, das quais o grupo xiita Hezbollah não participa.
Segundo dados oficiais, o número de mortos em quase dois meses e meio de ataques israelenses contra o Líbano já se eleva a 2.869, e o de feridos a 8.730, enquanto o sul do país continua registrando bombardeios e disparos de artilharia diariamente.
jps (EFE)
Kuwait acusa Irã de enviar membros da Guarda Revolucionária para realizar ataques
O Kuwait acusou nesta terça-feira (12/05) a Guarda Revolucionária do Irã de enviar uma equipe ao seu território para atacar o país e anunciou a detenção de quatro de seus "membros", após um tiroteio no qual um militar do país árabe ficou ferido.
Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores kuwaitiano expressou sua "enérgica condenação pela infiltração na ilha de Bubiyan (no Golfo Pérsico) por parte de um grupo armado de elementos da Guarda Revolucionária da República Islâmica do Irã, com o objetivo de realizar atos hostis contra o Estado do Kuwait".
Além disso, denunciou um "confronto com as Forças Armadas kuwaitianas antes da detenção, que resultou em ferimentos a um membro das Forças Armadas do Kuwait".
Esta é a primeira vez que o Kuwait anuncia a infiltração em seu território de supostos membros da Guarda Revolucionária desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, travada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, embora as autoridades kuwaitianas tenham denunciado ataques iranianos com drones e mísseis contra seu território mesmo após a entrada em vigor da trégua, em 8 de abril.
Em seu comunicado, a chancelaria salientou "a exigência do Kuwait à República Islâmica para que cesse imediata e incondicionalmente suas ações hostis ilegais que ameaçam a segurança e a estabilidade da região e minam os esforços regionais e internacionais para reduzir a escalada".
Considerou, ainda, que essas ações "hostis" constituem "uma flagrante violação da soberania do Kuwait, uma grave infração do direito internacional e da Carta das Nações Unidas", razão pela qual - ressaltou - o país árabe "conserva seu pleno e inerente direito à legítima defesa".
Por sua vez, o Ministério do Interior do Kuwait assegurou que os detidos "confessaram sua relação com a Guarda Revolucionária" e que "lhes havia sido encomendada a missão de se infiltrar na ilha de Bubiyan a bordo de um barco de pesca que tinha sido fretado especialmente para realizar atos hostis contra o Kuwait".
Informou também que, no tiroteio, outros "dois dos infiltrados conseguiram fugir" e que "serão tomadas as medidas legais necessárias contra os infiltrados (detidos) de acordo com os procedimentos estabelecidos".
O governo iraniano não reagiu, até o momento, às afirmações kuwaitianas.
O Kuwait, assim como outros vizinhos árabes do Irã, incluindo Bahrein e Emirados Árabes Unidos, deteve nas últimas semanas várias pessoas acusadas de espionar para a Guarda Revolucionária ou de simpatizar com as "agressões iranianas", em um processo no qual chegou a retirar a nacionalidade de alguns de seus cidadãos.
jps (EFE)
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