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Trump pressiona setor de defesa em meio à guerra com o Irã

17 mar 2026 - 17h51
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Indústria bélica americana está sob pressão para aumentar a produção, visando atender a demanda gerada pelo conflito no Oriente Médio. Disputa expõe divergências entre as empresas e o governo Trump.O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu recentemente executivos de sete grandes empresas do setor de defesa na Casa Branca, como parte dos esforços de seu governo para fortalecer a indústria armamentista do país à medida que a guerra contra o Irã se intensifica.

Trump critica empresas de defesa por priorizarem seus acionistas ao invés das urgências do governo dos EUA
Trump critica empresas de defesa por priorizarem seus acionistas ao invés das urgências do governo dos EUA
Foto: DW / Deutsche Welle

O conflito no Oriente Médio expôs as tensões dentro do setor. Há preocupações com os estoques de mísseis de longo alcance e interceptores de defesa aérea dos EUA, e com a capacidade do setor de aumentar a produção em caso de um conflito prolongado.

Na reunião na Casa Branca, Trump disse ter discutido "produção e cronogramas de produção" com as empresas Lockheed Martin, RTX (antiga Raytheon), BAE Systems, Boeing, Honeywell Aerospace e Northrop Grumman.

No entanto, há relatos de que as negociações entre o Pentágono e as maiores empresas de defesa do país sobre aumentar a produção não foram concluídas tão rapidamente quanto a Casa Branca gostaria, em meio às tensões existentes.

Tensões entre Trump e fornecedores de armas

Byron Callan, analista de mercado do setor de defesa da Capital Alpha Partners em Washington, afirma que uma crítica persistente às principais empresas de defesa dos EUA é que elas têm sido "avessas a riscos", por estarem focadas no pagamento de dividendos aos acionistas ao invés de reinvestir.

"Havia críticas de que as maiores empresas de defesa dos Estados Unidos estavam letárgicas, que não estavam antecipando necessidades, investindo e assumindo riscos", disse ele à DW.

Antes de os EUA iniciarem os ataques aéreos ao Irã, as tensões já estavam latentes entre o governo Trump e os maiores fornecedores de defesa dos EUA. Trump tem com frequência criticado as empresas por, em sua opinião, priorizarem dividendos aos acionistas e salários de executivos em detrimento do investimento em infraestrutura e produção.

Ele também tem criticado empresas que não cumprem prazos de produção e ultrapassam o orçamento. O republicano já havia apontado a RTX - uma grande produtora de mísseis e interceptores de defesa aérea usados pelos militares dos EUA no conflito com o Irã - como "a mais lenta em aumentar seu volume de produção e a que gasta mais agressivamente com seus acionistas em vez de atender às necessidades e demandas" das Forças Armadas dos EUA.

Ele ameaçou excluí-la de contratos governamentais se não aumentasse os investimentos em fábricas.

Em janeiro, Trump emitiu uma ordem executiva dizendo que as empresas de defesa "não estavam autorizadas, de forma alguma, a pagar dividendos ou recomprar ações, até que fossem capazes de produzir um produto superior, dentro do prazo e do orçamento".

O governo Trump também está atualmente envolvido em uma acirrada disputa com a startup de inteligência artificial (IA) Anthropic, fornecedora dos militares dos EUA, por sua recusa em permitir que os militares tivessem acesso irrestrito ao seu chatbot Claude.

Mais produção e mais rápido

Trump acusou as empresas de gastarem muito pouco na expansão da capacidade de produção, preferindo apaziguar os investidores com mecanismos como recompra de ações. A recompra de ações ocorre quando as empresas usam os lucros para readquirir suas próprias ações, reduzindo a quantidade disponível ao público e potencialmente aumentando o valor das ações individuais restantes.

As guerras na Ucrânia e na Faixa de Gaza aumentaram a demanda dos aliados dos EUA por armas fabricadas nos EUA, sendo que Trump já havia criticado as empresas por não atenderem à demanda com rapidez suficiente.

"Temos muitas pessoas que querem o caça F-35, e leva muito tempo para entregá-los aos aliados ou a nós mesmos", disse o presidente. "A única maneira de conseguirem isso é construindo novas fábricas. Eles não querem construir novas fábricas porque é caro."

Questionamentos sobre o orçamento de defesa

Philip Sheers, pesquisador associado do Programa de Defesa do Centro para uma Nova Segurança Americana, afirma que o investimento na base industrial de defesa dos EUA está aumentando, especificamente no que diz respeito a munições e defesa aérea. Ele, porém, alertou que levará tempo para que esses investimentos resultem em um aumento das taxas de produção.

"Construir novas instalações ou aumentar o fornecimento de matérias-primas pode levar anos; vimos isso com muitas das instalações que ainda estão sendo construídas após a guerra na Ucrânia", afirmou à DW.

Sheers, no entanto, observou que uma parcela significativa da culpa por qualquer lentidão na produção recai sobre o governo dos EUA por sua falha recorrente em chegar a um acordo sobre os orçamentos a tempo, em meio a disputas políticas internas.

"Se o governo dos EUA quer que a base industrial de defesa avance rapidamente, precisa aprovar e destinar orçamentos a tempo para que os contratos possam ser assinados, os recursos possam ser alocados e a indústria possa ser incentivada a se movimentar", disse Sheers, acrescentando que "a incapacidade recorrente de aprovar orçamentos a tempo se tornou um gol contra geopolítico de proporções potencialmente históricas".

Para Byron Callan, o desejo do governo Trump de que as empresas de defesa invistam em maior produção pode ser prejudicado pela questão dos orçamentos.

As pesquisas atuais sugerem que Partido Democrata, de oposição, tem boas chances de retomar o controle do Congresso dos EUA nas eleições de meio de mandato, em novembro de 2026.

"Isso poderia realmente limitar os gastos com defesa", disse Callan. "Esta é uma guerra impopular e, se isso acontecer [os democratas vencerem], haverá uma expectativa de maiores gastos não relacionados à defesa, em áreas como saúde e infraestrutura."

Os EUA destinaram 850 bilhões de dólares (R$ 4,4 trilhões) para a defesa em seu orçamento de 2025, com o valor previsto para chegar a 900 bilhões de dólares em 2026. Trump pediu que esse valor chegue a 1,5 trilhão em 2027, o que alarmou muitos especialistas que questionam a sustentabilidade da dívida americana em seu nível atual.

Irã: uma guerra sem fim?

O setor de defesa também está se preparando para a possibilidade de que a guerra no Irã se arraste por muito mais tempo do que o previsto.

Quando a guerra do Iraque começou em 2003, Kenneth Adelman, embaixador dos EUA na ONU de 1981 a 1983, acreditava firmemente que seria uma vitória rápida e fácil para os EUA.

No entanto, a forma como a guerra se arrastou e se tornou um atoleiro para as Forças Armadas americanas transformou sua perspectiva política. Apesar de republicano, Adelman se tornou um crítico ferrenho de Trump. Ele disse à DW que acredita que o conflito iraniano pode assumir uma dinâmica semelhante à guerra do Iraque.

"O Irã vem se preparando para isso há muito tempo", afirmou. "Já dura mais tempo do que o Pentágono planejou. Não sou otimista sobre como o Pentágono planeja essas coisas depois do que vi no Iraque."

Um conflito prolongado provavelmente significaria um aumento da demanda para as principais empresas de defesa americanas, bem como uma alta nos preços das ações.

A família Trump, por sua vez, intensificou seus próprios investimentos em defesa. Os filhos do presidente, Eric e Donald Jr., investiram em uma nova empresa de drones que busca lucrar com a proibição de novos drones chineses nos EUA.

Desde o início da guerra com o Irã, em 28 de fevereiro, as ações do setor de defesa dos EUA recuaram. Embora o índice Dow Jones US Aerospace & Defense tenha apresentado uma breve alta no início do conflito, acumula queda de cerca de 3% desde então.

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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