Tornados no Paraná: tempestades provocam estragos e mortes no estado
Fenômenos meteorológicos causados por supercélulas atingiram municípios do interior enquanto chuvas intensas deixaram vítimas em Ponta Grossa
Tempestades severas provocaram dois tornados no Paraná em menos de 24 horas, atingindo áreas rurais e escolas em Francisco Alves e Espigão Alto do Iguaçu. Paralelamente, o volume de chuvas causou um deslizamento em Ponta Grossa que soterrou e matou três pessoas de uma mesma família. Os temporais afetaram ao menos dez municípios com alagamentos e deixaram cerca de 23 mil imóveis sem energia elétrica no estado, enquanto o Simepar analisa os estragos para classificar a força dos fenômenos.
Uma sequência de tempestades severas mobilizou as forças de segurança e órgãos de monitoramento ambiental após a confirmação de dois tornados no Paraná em um intervalo inferior a 24 horas. As ocorrências foram identificadas pelo Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar) entre o final da tarde de quarta-feira e a madrugada desta quinta-feira, afetando diretamente as populações dos municípios de Francisco Alves e Espigão Alto do Iguaçu.
Formação por supercélulas e estragos nas cidades
A origem dos fenômenos está associada ao surgimento de supercélulas, estruturas tempestuosas caracterizadas por correntes de ar em rotação no interior das nuvens, capazes de provocar vendavais, chuvas volumosas e queda de granizo. O primeiro evento ocorreu em Francisco Alves, na região Noroeste, atingindo uma área delimitada de propriedades rurais por volta das 17h. A tempestade teve curta duração, mas causou prejuízos totais para cerca de dez produtores locais.
Já durante a madrugada de quinta-feira, por volta das 0h40, o segundo evento atingiu o município de Espigão Alto do Iguaçu. O temporal danificou os telhados das escolas municipais Li Carlos Passaia e Pedro Rufino, localizadas no Distrito da Boa Vista de São Roque, além de derrubar quase completamente uma área de cultivo de eucaliptos nas proximidades da Coasul. A coordenadora da Defesa Civil local, Eliane Kwiatkowski, relatou que os levantamentos iniciais apontavam apenas rajadas intensas acompanhadas de precipitação, até a confirmação técnica emitida pelo órgão estadual de meteorologia.
Vítimas fatais e desabastecimento de energia
Paralelamente aos ventos no interior, o acumulado de chuvas resultou em uma tragédia na cidade de Ponta Grossa. Um deslizamento de encosta atingiu uma residência no início da manhã de quinta-feira, derrubando a parede de um cômodo e provocando o soterramento de um casal de 21 anos e de uma criança de 5 anos. Equipes do Corpo de Bombeiros confirmaram o óbito das três vítimas no local.
O balanço divulgado pela Defesa Civil indica transtornos decorrentes de enxurradas e alagamentos em ao menos dez municípios paranaenses. No setor de infraestrutura, a Companhia Paranaense de Energia (Copel) reportou que dezenas de equipes trabalham na recomposição do sistema elétrico, que registrava mais de 22,9 mil imóveis desprovidos de energia em todo o território estadual, dos quais 7.500 concentram-se na Região Metropolitana de Curitiba e no Litoral. O quadro técnico do Simepar segue analisando os rastros de destruição para classificar a força dos eventos na Escala Fujita.
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