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Testemunha relata agressões de Jairinho no caso Henry Borel em quarto dia de julgamento

Depoimento de jovem revela episódios de violência sofridos na infância durante relacionamento de ex-vereador com sua mãe

28 mai 2026 - 17h15
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O julgamento do caso Henry Borel avançou para o seu quarto dia com revelações contundentes e momentos de forte comoção no Rio de Janeiro. A estudante de turismo Kaylane de Oliveira Duarte Pereira, atualmente com 18 anos, compareceu ao 2º Tribunal do Júri nesta quinta-feira (28) para relatar os momentos de terror que viveu na infância. Ela aponta o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, como o autor das agressões sofridas quando ela era apenas uma criança.

O ex
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Foto: vereador Jairo de Souza Santos Junior, o Dr. Jairinho - Tomaz Silva/Agência Brasil / Perfil Brasil

Jovem relembra rotina de violência na infância

A testemunha explicou que passou a conviver com o réu a partir dos três anos de idade, período em que sua mãe, Natasha de Oliveira Machado, iniciou um relacionamento amoroso com o político. De acordo com o relato da jovem, os atos de violência física começaram a acontecer do meio para o fim dessa união, concentrando-se principalmente quando ela estava com cerca de sete anos. O ambiente familiar que deveria ser de proteção se transformou em um cenário de medo constante.

Em suas declarações diante do tribunal, a estudante detalhou que as agressões físicas envolviam tapas, socos desferidos na cabeça e fortes torções em seus braços. Um dos momentos mais tensos do depoimento ocorreu quando ela descreveu episódios em uma piscina, afirmando que o homem a afundava na água utilizando o pé contra sua barriga até que ela encostasse no fundo. A jovem negou ter sofrido qualquer tipo de abuso sexual, mas ressaltou que as ações não deixavam marcas visíveis pelo corpo. Ela sofria pressões psicológicas do agressor para manter o silêncio e não relatar os fatos para a própria mãe.

Medo constante e revelação tardia dos fatos

A estudante também compartilhou o impacto emocional causado pela convivência forçada, destacando que escutava do réu que sua presença atrapalhava a vida do casal e a rotina de sua mãe. Essa pressão psicológica fez com que ela desenvolvesse um temor profundo, sentindo pânico sempre que avistava o automóvel do padrasto chegando à residência. O segredo durou bastante tempo e só foi revelado para a mãe e para a avó aproximadamente um ano após o término do relacionamento, motivado por um programa de televisão que exibia uma história similar.

Mãe detalha suspeitas sobre o comportamento do réu

Logo depois, Natasha Machado apresentou sua versão dos fatos ao tribunal e confirmou que nunca havia identificado lesões físicas na filha durante os anos de relacionamento. A mãe assegurou que cortou definitivamente todo o contato com o ex-vereador assim que tomou conhecimento das violências relatadas pela jovem. Ela também mencionou que, em determinado período do passado, chegou a desconfiar de que era dopada pelo antigo companheiro. A decisão de fazer o relato e procurar Leniel Borel, pai do menino Henry, foi construída de maneira conjunta entre mãe e filha.

A sessão do júri popular precisou ser retomada com a participação do advogado de defesa Fabiano Lopes, que estava afastado das atividades anteriores por ter sofrido um infarto no último sábado. Os trabalhos do dia sofreram um pequeno atraso e iniciaram por volta de 10h30, motivados pelo mal-estar súbito de um dos jurados, que demandou atendimento médico imediato no local. O processo penal busca esclarecer a responsabilidade pela morte do menino de quatro anos, ocorrida em março de 2021. O Ministério Público e a Polícia Civil apontam que o óbito decorreu de agressões do político, enquanto a mãe da criança, Monique Medeiros, responde por omissão diante dos fatos apurados. O conselho de sentença é formado por sete jurados que analisarão as falas das 27 testemunhas escaladas para o caso.

Perfil Brasil
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